Pandemia de evidências inconvenientes

Em 14-5-2020, ainda bem no início da pandemia, o Diário de Notícias fazia um rasgado elogio à ministra da saúde comunista KK Shailaja, do estado indiano de Kerala, pela sua estratégia no combate da pandemia.

Nesse início da pandemia, discutia-se bastante sobre as estratégias adotadas por diferentes países no combate da pandemia.

Recorde-se a posição da Suécia de não adotar medidas drásticas de confinamento nem de proteção individual e mantendo o comércio a funcionar, tendo sido duramente criticada por isso, tanto mais que nos primeiros meses registava bastantes mortes, que se atribuíam à ausência de medidas coercivas.

No final de janeiro de 2021, Portugal ultrapassou a Suécia em número de mortes por milhão de habitantes, mantendo-se nessa posição até hoje, com uma diferença cumulativa estável de 300 mortes por milhão de habitantes.

Entretanto, como se comportou a Índia? Na segunda vaga indiana, maio de 2021, o mundo foi confrontado com aquelas imagens das piras funerárias, de cadáveres abandonados a flutuar no Ganges, falta de oxigénio nos hospitais, imagens de multidões sem máscara e em festejos religiosos, etc.

A imprensa dominante não escondia um certo regozijo pelo facto da Índia, que ultrapassara a primeira vaga melhor que muitos países do primeiro mundo, estar pior na segunda vaga e sem recursos suficientes para a conter, reforçando a narrativa de pânico à escala global explorada pela indústria mediática.

Talvez por desespero de causa ou por opção médica fundamentada, certo é que alguns estados indianos, entre eles Deli e Uttar Pradesh, promoveram a utilização de um medicamento off label para combater a Covid-19, a ivermectina, para uso profilático. Em Goa, o governo do estado chegou a distribuir o medicamento a todas as pessoas maiores de 18 anos de idade. Mas Kerala não recorreu à profilaxia com ivermectina e preferiu seguir as políticas recomendadas pela OMS, seguidas pela maioria dos países.

O gráfico abaixo mostra a evolução da situação em Deli, Uttar Pradesh e Kerala, com e sem uso de ivermectina, até 15-8-2021:

Fonte: https://www.thedesertreview.com/opinion/columnists/indias-ivermectin-blackout—part-iii-the-lesson-of-kerala/article_ccecb97e-044e-11ec-9112-2b31ae87887a.html

A pergunta que surge face a estes dados, é se a utilização profilática da ivermectina teve ou não papel na evolução favorável da pandemia nos estados indianos que a promoveram. Para os “negacionistas da ivermectina”, tratar-se-ia de uma coincidência, inconveniente ao status quo.

Entretanto, cedendo à pressão das constantes recomendações da OMS contra a ivermectina, a Índia acabou por retirá-la dos seus protocolos de combate à pandemia.

Não é fácil entender a implicância da OMS em relação à ivermectina, fármaco comprovadamente seguro nas doses aconselhadas para humanos. “Não há evidências que…” é o argumento que serve para travar a utilização deste fármaco que se faz desde há muitas décadas no combate de doenças parasitárias, entre elas a cegueira dos rios (oncocercose), e que é distribuída em África por pessoas sem formação clínica, apenas instruídas para o efeito, sem necessidade de prescrição médica.

E, estranhamente, nos países africanos que tomam ivermectina no programa de combate da oncocercose, a Covid-19 demonstrou-se atenuada (ver estudo). Também se argumenta que são necessários mais estudos quando já existem mais de 60 estudos e meta-análises que envolvem milhares de pessoas e que apontam para uma eficácia da ivermectina superior a 60%.

Entretanto a Merck coloca, sem ter concluído ainda os ensaios clínicos necessários, um medicamento caríssimo no mercado (molnupiravir), que recebe pronta aprovação nos Estados Unidos e no Reino Unido. A França encomendou milhares de doses, mesmo não estando ainda aprovado pela entidade reguladora europeia. A própria Merck é quem defende uma eficácia de 50% para o seu medicamento, com estudos ainda não revistos por pares.

Concomitantemente, a Pfizer lança um antiviral, o Paxlovid (ritonavir), que defende ter 89% de eficácia. Porém, os ensaios clínicos estão por publicar, mas, com ou sem resultados, deverá obter aprovação imediata das principais agências e recomendação favorável da OMS, à semelhança do que tem sucedido. Quanto ao preço do Paxlovid, será possivelmente semelhante ao do molnupiravir.

A evolução recente da pandemia na Europa não abona em favor dos tratamentos que vêm sendo aprovados pelas autoridades de saúde mundiais, que parecem ir cedendo a pressões comerciais das multinacionais farmacêuticas. É preocupante que a taxa de letalidade não tenha baixado significativamente, como se pode consultar no site Our World in Data. Vários governos escolhem culpar as populações, nomeadamente quem se recusa ou hesita em vacinar-se, e apertam o cerco com a exigência do passaporte/certificado para usufruir de bens e serviços.

Quando uma evidência é inconveniente, ela pode ser transformada numa não-evidência pela manipulação conveniente dos factos e pela sua negação.


Henrique Sousa

Partilhar

Latest comments

  • Pois é.

  • A realidade já ultrapassou a ficção. Tenho um amigo que deu entrada no hospital com os diabetes descontrolados. Diagnóstico do médico de serviço? Covid e espetaram com ele no covidario… (depois de algumas intervenções lá o tiraram de lá)
    Fico cada vez mais convencido que tem de se arranjar infectados custe o que custar (os fins justificam os meios), para continuar a justificar a vacina.
    As entidades que supostamente deviam olhar o bem estar das populações nunca tentaram a prevenção (tirando algumas excepções honrosas), esperaram que o vírus se propagasse e que se criasse uma “vacina” “nova”. Entretanto criaram o pânico (com um teste que o centro de controle de doença americano pediu aos laboratórios para criarem um novo, que consiga destingir entre a influenza e o covid), para depois as pessoas aceitarem sem questionar a “vacina” que ia fazer milagres. Nunca ouviram cientistas que afirmaram que vacinar no meio de uma pandemia ia criar condições para surgirem novas variantes.
    O pânico foi tal que as pessoas nem se aperceberam que uma responsável disse numa conferência de imprensa que mesmo que a causa de morte fosse cancro, mas tivesse testado positivo (com o tal teste duvidoso), na certidão de óbito a causa de morte seria covid…
    já Mark Twain dizia que há 3 tipos de mentiras. As mentiras a sagradas e as estatísticas.
    Esta coisa do covid vai fedendo cada vez mais.
    .
    Gravitas: Revealed: How Pfizer blackmails countries for shots (como a pfizer chantagia os países para obterem a vacina)
    https://www.youtube.com/watch?v=nYIJxoh7gqw

  • Ciência covid: tudo ao molho e fé em Deus. Poucos explicarão tão bem quanto o barbas.
    https://rumble.com/vp85nr-a-imunidade-em-2021.html

  • 🙂 O barbas é Robert W. Malone.

  • Deixei aqui dois comentários que desapareceram e 2 segundos. Vamos ver se este pega.

    O primeiro vídeo deste canal tem um debate muuuuuuiiito interessante:
    https://rumble.com/user/HMartins

deixe um comentário