Eis a novidade que interessa a quem guarda dinheiro em certificados: a remuneração para novas subscrições em janeiro de 2026 ficou fixada em 2,046%. A pergunta é simples: o que muda para a tua poupança e que passos práticos podes tomar?
Taxa de juro dos Certificados de Aforro em janeiro de 2026: 2,046%
Em janeiro a taxa base para novas subscrições foi fixada em 2,046%, uma descida de 0,011 pontos percentuais face a dezembro (2,057%) e muito próxima do valor de novembro (2,044%). Esta é a quinta vez consecutiva que a taxa se mantém acima da fasquia dos 2%, o que ainda preserva alguma atratividade para quem procura segurança.
A remuneração líquida, depois da retenção de IRS, fica em torno de 1,473% e os juros são capitalizados trimestralmente, o que significa que os ganhos se juntam ao capital com regularidade. Insight: mesmo pequenas variações percentuais têm impacto ao longo do tempo, por isso atenção ao horizonte de tenência.
Como a Euribor a 3 meses explica esta mudança?
A taxa base dos certificados segue a Euribor a 3 meses calculada pela média dos dez dias úteis anteriores. Entre 11 e 24 de dezembro essa média situou-se em 2,046%, refletindo também a oscilação que levou a um pico de ~2,1% a 11 de dezembro.
O método usado é técnico, mas o efeito prático é simples: se a Euribor sobe, a remuneração tende a subir; se desce, acontece o contrário. Insight: a ligação direta à Euribor torna os certificados previsíveis a prazo, mas sujeitos a movimentos do mercado interbancário.
Bónus de fidelização e regras práticas: como tirar partido
Para além da taxa base, os Certificados de Aforro acumulam prémios de fidelização ao longo dos anos: 0,25% (2.º ao 5.º ano), 0,50% (6.º ao 9.º), 1% (10.º e 11.º), 1,50% (12.º e 13.º) e 1,75% (14.º e 15.º). Esses prémios tornam o produto competitivo para quem não precisa de resgatar a curto prazo.
Atualmente é possível subscrever a partir de €10, e há um limite por titular de até €100.000 na Série F. Os juros são pagos trimestralmente e é possível resgatar antecipadamente após o primeiro vencimento de juros. Insight: se procuras segurança e paciência, os prémios de fidelização justificam manter o capital por mais tempo.
Como os Certificados de Aforro se comparam aos depósitos a prazo?
Alguns depósitos a prazo ainda pagam mais do que os certificados; por exemplo, a remuneração média dos novos depósitos foi de cerca de 1,37% em outubro (último dado divulgado). Contudo, a combinação de taxa base + prémios de fidelização faz com que os certificados sejam mais atraentes para quem pensa a médio-longo prazo.
Entre janeiro e novembro os certificados registaram subscrições líquidas superiores a €5 mil milhões, com um afluxo médio de cerca de €450 milhões por mês, levando o stock perto dos €40 mil milhões. O governo pretende aumentar a captação em €3,65 mil milhões ao longo de 2026 para atingir aproximadamente €44 mil milhões, cerca de 13,2% da dívida do Estado. Insight: a procura continua forte porque o produto combina segurança do Estado com bónus que valorizam a paciência.
Passos práticos: o que fazer com as tuas poupanças agora
1. Verifica o teu horizonte: quanto tempo podes deixar o dinheiro sem tocar? Se fores paciente, os prémios de fidelização compensam. Maria, uma reformada fictícia que guardou a caderneta do avô, aproveitou precisamente esses prémios para melhorar a sua renda mensal. Insight: saber o prazo muda a decisão.
2. Compara ofertas: quanto rendem os depósitos a prazo mais interessantes? Se encontrares um depósito com taxa superior para o mesmo horizonte, pode valer a pena; caso contrário, basta escolher certificados. Pergunta-te: preferes liquidez imediata ou rendimento seguro a prazo?
3. Divide os riscos: não colocar tudo num só produto facilita saídas e evita precisar de resgatar com perda de prémios. Um pequeno reforço da reserva de emergência faz toda a diferença. Insight: uma carteira simples e escalonada costuma ser a solução mais prática.
4. Confirma condições práticas: limiares de subscrição, prazo mínimo para prémios, e limites por titular. Guarda a documentação e faz um alarme para prazos e heranças, porque regras e transmissões mudaram nos últimos anos e acabas por evitar surpresas. Insight: atenção ao detalhe operacional — pode poupar-te dores de cabeça no futuro.
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