Seguradora condenada a reparar veículo que queria dar para abate

Um caso recente mostra como uma seguradora não pode declarar automaticamente a perda total quando o carro ainda pode ser reparado. Eis um alerta útil para quem depende do carro para o dia a dia.

A história envolve um BMW 520D (2013) avaliado em €9.800, uma reparação que acabou por custar €16.000 e uma indemnização adicional de quase €12.000.

Seguradora condenada a reparar veículo que queria dar para abate: o caso da Fidelidade e do BMW

O veículo sofreu um acidente na EN14, em Barca, na Maia. A seguradora declarou o carro como “perda total” e ofereceu o valor comercial.

O proprietário recusou e levou o caso ao tribunal. O Tribunal da Maia concluiu que o automóvel era suscetível de reparação e condenou a Fidelidade a suportar as obras e a indemnização pelos dias sem carro.

Por que o tribunal optou pela reparação em vez da perda total?

Em matérias de acidentes rodoviários, a reparação é a regra, salvo se for excessivamente onerosa. Aqui, o tribunal entendeu que a reparação era viável, mesmo sendo superior ao valor comercial.

A decisão reflete a ideia de que o sinistrado sem culpa não deve ficar mais penalizado. O argumento da seguradora — que o orçamento ultrapassava o valor de mercado — não foi suficiente.

Insight: quando há margem para consertar, o tribunal tende a favorecer a restauração do bem. Atenção ao detalhe das peritagens.

O que isto muda na prática para o teu seguro automóvel e poupança

Este acórdão mostra que não basta aceitar a oferta da seguradora. Há passos práticos que podes seguir para proteger o teu património sem complicações.

1. Junta orçamentos independentes e guarda todas as faturas e fotografias do sinistro. Quantos orçamentos são suficientes? Normalmente dois a três servem para comparar.

2. Solicita uma peritagem independente e faz prova da culpa (se houver). Eis a diferença entre aceitar o cheque e lutar por reparação.

3. Se a seguradora mantiver a posição, recorre ao tribunal ou a um centro de arbitragem. Basta um processo bem documentado para reequilibrar a situação.

4. Avalia o impacto nas tuas poupanças: uma indemnização paga por dias sem carro pode compensar o incómodo. Nunca mais aceites propostas sem confirmação técnica.

Como contestar uma declaração de perda total passo a passo

Primeiro, faz tudo por escrito e guarda cópias. Fotografias, emails, orçamentos e relatórios de oficinas contam como prova.

Depois, pede uma avaliação independente. Uma peritagem externa pode revelar que a reparação é possível e justificável.

Se for preciso, recorre ao tribunal. A decisão do Tribunal da Maia prova que a via judicial pode devolver-te o carro e compensações. Insight: reúne provas claras antes de agir.

Exemplo prático: o caso do António, vizinho e poupador atento

António tem uma caderneta de poupança do avô esquecida numa gaveta e um BMW de 2013. Após o acidente, a seguradora queria dar o carro para abate pelo valor comercial.

Em vez de aceitar, António tratou dos orçamentos, pediu peritagem e levou o processo ao tribunal. Resultado: reparação paga, indemnização por dias sem carro e a tranquilidade de não ver as economias esfumarem-se.

Fecho prático: se tens um veículo sinistrado, eis o que fazer já — documenta, perita, compara e age. Basta um pouco de paciência e bom senso para evitar perdas desnecessárias.

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