Eis uma mudança que interessa a quem guarda dinheiro para a reforma ou para um plano de emergência. Em abril, os Certificados de Aforro voltaram a mexer com as contas de muita gente — e há lições práticas a tirar já.
Taxa de juro dos Certificados de Aforro regista o maior salto em mais de dois anos
Em abril de 2025 a Série F ofereceu uma taxa de 2,138%, um aumento de 12,6 pontos base face ao mês anterior. Essa foi a maior variação mensal registada em mais de dois anos, impulsionada pela subida temporária da Euribor a três meses associada às tensões no Médio Oriente.
Para quem pensa em poupar, isso significa que os certificados ficaram mais apelativos num curto espaço de tempo. A explicação é simples: quando a Euribor sobe, alguns produtos de poupança acompanham esse movimento, tornando-se mais competitivos. Insight: uma oscilação externa pode tornar uma opção tradicional mais interessante sem que seja preciso mudar de banco.
Subscrições sobem e o valor aplicado chega a novo máximo histórico
O total aplicado em Certificados de Aforro subiu em abril para 37.022 milhões de euros, marcando um recorde e o sétimo mês consecutivo de aumento. Em termos líquidos, as entradas cresceram 541 milhões de euros face a março, embora isso represente um abrandamento relativamente ao mês anterior, que registou 726 milhões de euros em entradas líquidas.
O cenário mostra que, mesmo com alguma queda nas taxas em momentos específicos, a procura por segurança e previsibilidade continua forte. Exemplo prático: a vizinha que trocou parte da caderneta esquecida na gaveta por certificados viu a poupança render mais do que a conta à ordem. Insight: a procura mantém-se, mesmo quando a taxa não é a mais alta do ano.
O que mudou para quem pensa em subscrever agora
A Série F esteve quase dois anos a render 2,5% e, em abril, recuou para 2,415%. Já em maio a taxa voltou a ajustar-se para 2,216%, seguindo a descida da Euribor a três meses. Ou seja, as taxas podem subir e descer num curto espaço de tempo.
Que estratégia seguir? Uma abordagem simples: escala entradas ao longo do tempo em vez de colocar tudo de uma vez. António, um reformado fictício que serve de fio condutor, divide as poupanças em tranches para não ficar refém de um único momento de mercado. Insight: escalonar entradas reduz o risco de entrar no ponto mais caro.
Impacto na carteira doméstica e na dívida das famílias
A subida da Euribor ajuda quem poupa, mas complica a vida de quem tem crédito. Em paralelo, o valor aplicado em Certificados do Tesouro continuou a recuar, fixando-se em 9.144 milhões de euros em abril, uma diminuição líquida de cerca de 150 milhões de euros.
Para a família média, a pergunta é clara: vale a pena proteger parte das reservas com certificados ou é melhor reduzir encargos com crédito? Exemplo: quem tem uma hipoteca ligada à Euribor pode sentir o aperto, enquanto quem tem uma fatia de poupança em certificados vê um amortecedor. Insight: equilibrar liquidez e rendibilidade é chave para não perder o fôlego nas despesas mensais.
Atenção a prazos e condições: eis um truque simples que nunca mais te vai deixar à mercê do calendário — verifica sempre a data de corte para o cálculo da taxa e, se possível, distribui as subscrições ao longo de vários meses. Basta este pequeno cuidado para reduzir surpresas e proteger a poupança com bom senso.
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