Uma pandemia, dois países

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A pandemia não afecta a todos de forma igual. Os portugueses que trabalham no sector privado da economia estão a ser conduzidos à ruína.

Os portugueses que trabalham no sector público e os aposentados resistem melhor aos efeitos da epidemia, desde logo porque não têm cortes no rendimento e, em muitos casos, até beneficiam de reduções no horário de trabalho.

Esta epidemia veio acentuar a fratura entre os que estão sob a proteção do Estado e os outros. Os funcionários públicos e aposentados pressionam no sentido de prolongar o lockdown até que a pandemia dure. Os outros têm mais razões para recearem o prolongamento do confinamento.

Quando esta epidemia terminar, Portugal será um mar de pobres. Mas a pobreza vai atingir com mais força aquela metade do país que não se acolhe sob a proteção do Estado.

O Governo socialista falhou em toda a linha no combate à epidemia. Portugal é o país com mais óbitos e mais infeções por milhão de habitantes. Ultrapassou em termos absolutos a Suécia que, como é sabido, não recorreu ao lockdown.

O plano de vacinação tem sido uma trapalhada. Ora faltam vacinas, ora faltam agulhas. Por motivos ideológicos, o Governo ainda não quis incluir as farmácias no processo de vacinação. Se este ritmo de vacinação não acelerar, corremos o risco de o processo se estender por muitos meses ou anos.


Ramiro Marques

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