UE vacila entre o clima e a guerra

Os ministros da energia da União Europeia (UE) concordaram, a 27-6-2022, com leis para economizar energia e promover energias renováveis como parte de um pacote de reformas proposto por Bruxelas para combater as mudanças climáticas e reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa nesta década – segundo notícia de 27-6-2022 da Reuters.

Outros detalhes das propostas sobre mudanças climáticas foram discutidos em novas conversações no dia seguinte, estando alguns diplomatas preocupados que a proibição de carros a gasolina e a diesel até 2035 possa vir a sofrer uma revisão.

Os ministros da energia da UE também deverão usar as conversações previamente agendadas para discutir opções de redução conjunta da procura de gás de curto prazo, de forma a lidar com possíveis novos cortes da Rússia. A Comissão Europeia prepara-se para apresentar, este mês, um plano para enfrentar novos cortes no fornecimento, por causa da guerra na Ucrânia.

“Para a indústria, temos que apresentar uma abordagem coordenada”, disse a comissária da energia da UE, Kadri Simson, antes das conversações, referindo-se a medidas para conter a procura de gás, acrescentando que os cidadãos seriam “consumidores protegidos” – escudados dos constrangimentos.

Os ministros tentam conseguir posições comuns sobre as leis propostas para cumprir a meta para 2030 de reduzir as emissões líquidas em 55% em relação aos níveis de 1990, com a crise global de fornecimento de energia a fazer que alguns países sejam mais cautelosos com as possíveis interrupções resultantes.

Os ministros apoiaram as metas propostas por Bruxelas no ano passado para obter 40% da energia de fontes renováveis até 2030 – acima de 22% em 2020 – e reduzir o consumo de energia em 9% em relação aos níveis esperados.

Bruxelas propôs metas ainda mais ambiciosas em maio, que os ministros devem rever ainda este ano quando negociarem as leis finais com o parlamento da UE.

Num notável enfraquecimento das propostas, a meta de 2030 para reduzir o consumo primário de energia foi tornada voluntária, e não legalmente vinculativa, a pedido da Espanha. Mas os países também apoiaram regras mais rígidas propostas pela Alemanha para garantir que cada Estado-membro contribua com uma outra meta vinculativa de contenção do consumo final de energia na UE.

Bruxelas diz que a crise de fornecimento de energia este ano, causada pela invasão da Ucrânia pela Rússia, significa que os 27 países da UE devem mover-se ainda mais depressa para mitigar a dependência dos combustíveis fósseis.

Mas a ameaça de uma quebra económica devido ao aumento dos preços da energia tornou alguns países mais cautelosos sobre mudanças que afetariam as suas indústrias.

Os países estão divididos em relação às propostas discutidas no dia 28-6-2022 sobre um novo esquema para impor custos de CO2 sobre o transporte poluente e o aquecimento com combustíveis, e a proibição efetiva da UE sobre a venda de novos carros movidos a combustíveis fósseis a partir de 2035, de acordo com documentos da negociação e segundo os diplomatas.

Alguns diplomatas advertiram que movimentos para atrasar ou enfraquecer algumas propostas, se aprovadas, fariam com que a UE perdesse as suas metas climáticas. Outros admitiram esperar que os países preservem os elementos centrais necessários para cumprir as metas de emissões – e algumas concessões poderiam ajudar a ganhar apoio maioritário.

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Sub-diretor do Inconveniente

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