Foi simulado um rapto do rapper Estraca em direto do seu Instagram, dias antes do lançamento do seu novo single “Propaganda”, com difusão do seu desaparecimento através da agência de booking Mundos Cruzados.

Passados mais de 24 horas do ocorrido, sem qualquer repercussão na imprensa e sem impacto nas redes sociais (o comunicado conta com apenas 13 partilhas à data desta notícia), o Inconveniente (IИ) contactou o artista hoje de manhã, 30-11-2022, mas sem sucesso.

De seguida, foi contactada a agência Mundos Cruzados, cujo responsável confirmou a informação do desaparecimento, alegadamente vinda da família do artista, dando indicação que iria haver novas informações às 17h00 do mesmo dia.

O IИ resolveu noticiar o caso pelas 10h00 de hoje, porém, viria a apurar, cinco horas depois, que se tratava de uma manobra de marketing, desconhecendo-se ainda a identidade dos responsáveis.

Vamos ver como reagem as autoridades face a esta provocação de alarme social estilo Jussie Smollett à portuguesa.

Foi simulado um rapto do rapper Estraca em direto do seu Instagram, dias antes do lançamento do seu novo single "Propaganda", com difusão do seu desaparecimento através da agência de booking "Mundos Cruzados".

O Ministro do Ambiente e Ação Climática, Duarte Cordeiro, confirma a intenção de Portugal atingir a meta de 80% de energias renováveis até 2026, meta inicialmente prevista para 2030.

Mas o ministro não explicou como é que se atingirá essa meta, nem especificou se os 80% se referem apenas a energia elétrica ou se é em relação a toda a energia necessária para o consumo dos portugueses.

Se ele se refere apenas à produção de eletricidade, sem sistemas de armazenamento gigantescos que implicam avultados investimentos e consequente encarecimento dos encargos de potência da energia elétrica, isso é muito improvável. Se se refere ao total do consumo de energia é uma impossibilidade técnico-económica. Vamos supor que ele se refere apenas à produção de eletricidade.

Assim, vejamos qual a situação atual no que respeita à produção de eletricidade (dados da REN):

Em 2021, as renováveis produziram 59,3% do total de energia elétrica, com uma contribuição hídrica de 24,8% e o restante das eólicas (23,9%), solares (3,6%) e biomassa (6,9%). Em 2022 e até outubro, as renováveis produziram apenas 44,1% do total porque tem sido um ano de fraca hidraulicidade – a produção hídrica foi de 8,3% apenas, a produção eólica foi de 23,8%, a solar subiu para 5,4% e a biomassa ficou em 6,6%.

O saldo importador aumentou de 9,5% em 2021 para 22,4% em 2022 (até outubro). Esta necessidade de importar deve-se à fraca produção hídrica que as restantes renováveis não compensaram, apesar do aumento de 300 MW em potência solar. A produção eólica e da biomassa manteve-se porque não houve aumento das potências instaladas.

A produção elétrica a partir de centrais a gás natural anda na ordem dos 30% (29,2% em 2021 e 33,1% em 2022) e corresponde à penetração possível das mesmas face à sua capacidade limitada de cobrir as pontas e à concorrência das centrais que beneficiam de prioridade de entrada na rede, as eólicas, solares e de biomassa.

Qual será então a estratégia do ministro Duarte Cordeiro (e do Governo), para conseguir produzir 80% da energia elétrica total em 2026? Aumento das potências renováveis instaladas? Que investimentos vão ser feitos para atingir essa meta?

Sabe-se que na vizinha Espanha os concursos para instalação de mais eólicas e solares estão a ficar vazios porque o chamado mecanismo ibérico (preço limitado do gás para geração de eletricidade) está a pressionar a descida de preço da eletricidade e os investidores já não se sentem atraídos por preços da ordem dos 60€/MWh quando dantes se pagava mais de 100€/MWh.

A um governante responsável não cabe apenas fazer promessas e estabelecer metas. Compete-lhe acima de tudo explicar como é que pensa agir, uma vez que a sua ação tem implicações para os contribuintes e consumidores de energia.

Ouve-se falar do projeto mirabolante do hidrogénio como se daí resultassem ganhos. Mas que não se perca de vista que na “produção” de hidrogénio gasta-se eletricidade e alguma perde-se. É simplesmente uma forma de armazenar energia excedentária. Mas qual é essa energia excedentária que temos de importar? Pode pontualmente haver potência em excesso, mas em termos de energia não tem expressão. O encerramento antecipado das centrais a carvão decerto contribuiu também para a escassez de eletricidade em 2022.

A fixação dos governantes nas renováveis está toda assente na narrativa climática – que culpa o CO2 pelo efeito estufa que aquece o planeta, provocando alegadamente o aumento da ocorrência de secas e inundações, fome, subida do nível do mar, desertificação, redução da biodiversidade, e até pode provocar dores de cabeça e distúrbios mentais…

Esta promessa do ministro do Ambiente e Ação climática surge no rescaldo da COP27, em que pouco de concreto se decidiu para a redução das emissões de carbono, apenas a promessa de fundos destinados a indemnizar países que alegadamente sofrem mais com as alterações climáticas.

Parece que Portugal, cujo consumo anual de fósseis é de cerca de 0,15% do consumo mundial, está na linha da frente do combate climático e quer ser um exemplo para o mundo na redução das emissões de carbono per capita, que é um quarto da dos EUA, por exemplo, com um consumo anual que ronda os 20% dos combustíveis fósseis a nível mundial…


Henrique Sousa

Qual será então a estratégia do ministro Duarte Cordeiro (e do Governo), para conseguir produzir 80% da energia elétrica total em 2026? Aumento das potências renováveis instaladas? Que investimentos vão ser feitos para atingir essa meta?

Passaram 47 anos desde que Portugal esteve perto de uma guerra civil, mas optou por colocar um fim ao PREC. Não irei descrever os acontecimentos que caracterizam a história do 25 de Novembro, pois optarei por falar da evolução e das consequências que esse dia teve para Portugal.

Começo por dizer que o 25 de Novembro tem pouco valor para a sociedade civil. Não é fastidiosamente comemorado como o 25 de Abril, que tem vindo a ser tratado como uma espécie de nova religião em Portugal.

Essa religião não permite que o 25 de Novembro seja equiparado e ensinado em pé de igualdade com o 25 de Abril. Praticamente todos os alunos ouvem falar do 25 de Abril até ao secundário, mas é surpreendente a quantidade dos que nunca ouviram falar do 25 de Novembro.

A falta de solidez e presença desta data em termos populares, coincide com o endeusamento do 25 de Abril e toda a subcultura marxista a ele associada, hegemónica no atual regime, que enfraqueça a energia dos autoproclamados “de direita”. Após o 25 de Novembro, muita da sociedade civil ficou convencida que o pior tinha passado e optou pela paz e sossego. Daí considerar que, por isso mesmo, o 25 de Novembro não foi perfeito.

Não é bom o comodismo dos apoiantes da direita, que ao centro saem à rua nas campanhas eleitorais ou nas manifestações LGBT, no caso do PSD e da IL, e deixam o CHEGA a atuar sozinho nas manifestações contra a ilegalização de um partido político em plena democracia, e contra o ideário marxista de que somos todos uns opressores com uma identidade nacional que deve ser substituída. Ainda hoje é impressionante como é que há “direitinhos” que não criticam os seus partidos por não defenderem Portugal quando este foi injustamente apelidado de “racista” pela extrema esquerda. Esse comodismo é descendente da falta de necessidade de fazer frente ao Marxismo, na guerra cultural que estes declararam a Portugal.

Pelo facto de não termos tido uma ditadura marxista solidificada, ficou a sensação de que o Marxismo perdeu e a democracia ganhou, já que os partidos mais à direita, embora não de direita, conseguiram travar, na teoria, a revolução de esquerda.

Como consequência, Portugal é o exato oposto a alguns países do leste europeu, onde o Marxismo simplesmente não é tolerado, seja por lei ou por vontade popular, e sobressaem os exemplos da Hungria, Polónia, Chéquia e Estónia.

Por exemplo, nesses países o Holodomor é sistemicamente relembrado. Aqui, o PAR dá-se ao luxo de não permitir uma exposição que refere o regime que o perpetrou, como se isso fosse aceitável, dados os milhões de mortos nessa tragédia.

Nesses países, partidos como a IL ou o CHEGA estão entre os mais populares, e discute-se política ao centro e à direita, sendo irrelevante o contributo da esquerda, já que esses mesmos povos não esquecem os horrores pelos quais passaram, depois de décadas na pobreza material e imaterial. A 3ª República faz questão de relembrar aos portugueses o Salazarismo, mas jamais relembra o desastre que foi a 1ª República e o PREC, pois teria como consequência o despertar ideológico de milhares de portugueses, para a necessidade de uma oposição forte ao pior do que a esquerda deu a Portugal.

Nesses países, a redução de impostos e o aumento da liberdade económica, adaptada às características culturais e geográficas, permitiram à Hungria, Estónia, Chéquia e Polónia descolarem economicamente desde que se libertaram do Marxismo, ao passo que Portugal está praticamente estagnado (em média) desde há 22 anos. Também é verdade que alguns desses países têm governos iliberais. Orbán chegou a ser um liberal, mas hoje é um Nacionalista Cristão convicto (sendo que a Hungria é um dos países com impostos mais baixos na Europa em várias matérias), e depois temos o partido polaco PiS, também Nacionalista Cristão, mas de caráter mais dirigista na economia, embora praticante de grandes alívios fiscais desde o início da pandemia.

Nesses países, o ideário marxista que favorece a destruição da identidade nacional, e o internacionalismo laboral, simplesmente não tem espaço para atuar. Com políticas de fronteiras fortes e fechadas a não europeus, países como a Polónia e Hungria passaram ilesos durante a crise dos atentados terroristas e são um bloco demográfico europeu monolítico e coeso, como deveriam ser.

Todo o oposto do que referi é defendido em Portugal. Este país permitiu que certos valores marxistas se infiltrassem nos partidos mais à direita, nomeadamente o PSD, sendo que a social democracia é descendente do Marxismo, e da IL, que se diz anticomunista, mas é leviana e passiva quanto a uma oposição à natureza das políticas progressistas dos partidos de esquerda.

É o típico laissez faire da “direita fofinha” e comodista. O raciocínio não deriva muito da ideia de que se os outros não danificarem a minha propriedade privada, podem ter espaço para doutrinar crianças num exercício de engenharia social progressista e manipular a sociedade civil rumo a uma atomização artificial por parte dos seus membros, que não conseguem reconhecer algo tão simples como a pertença a um coletivo. Essa pertença é um propósito de vida mais nobre do que o individualismo que o corrói, mas preferimos ceder ao típico dividir para conquistar.

Para estes atores políticos, não interessa se estes partidos estão a danificar Portugal, logo que não sejam uns hereges contra o dogma da democracia liberal de Novembro. Acreditam mesmo que serão recompensados pelo insucesso ordeiro e fatalista, ao permitirem que a hegemonia cultural de esquerda persista no seu país, ao mesmo tempo em que comemoram o facto de esta não ter sido a mentalidade dos que preparam o contragolpe no 25 de Novembro, e ainda agradecem.

Concluindo, esta religião do 25 de Abril oblitera a essência do 25 de Novembro. Para as gerações que o sucederam, o desastre do PREC foi esquecido, e as bandeiras ideológicas marxistas passaram impunes, estando normalizadas até no centro direita. Quem as quer combater vê-se obrigado a confrontar uma perseguição da justiça, da comunicação social mainstream, e inclusive, da incompetente exclusão da “direita fofinha”, que serve como peão, neste jogo de xadrez entre os pais do regime e os antissistema.


Francisco Pereira Araújo

Passaram 47 anos desde que Portugal esteve perto de uma guerra civil, mas optou por colocar um fim ao PREC. Não irei descrever os acontecimentos que caracterizam a história do 25 de Novembro, pois optarei por falar da evolução e das consequências que esse dia

“Então Pilatos dirigiu-se à multidão que ali se havia reunido e lhes propôs: A quem desejais que eu solte, a Barrabás ou a este Jesus, que é chamado de Messias?”

Mateus 27:17
(A resposta é conhecida…)

Mesmo passado algum tempo interessa fazer algumas reflexões sobre o resultado das eleições brasileiras, e de tudo um pouco do que se passou à volta delas, pois reflecte muito do que se passa no chamado mundo ocidental e nomeadamente em Portugal, antiga Nação dos Portugueses. Nação em desaparecimento acelerado, por uma espécie de “eutanásia” de contornos próprios e induzidos.

E a primeira coisa que sobressai é a falência moral daquilo que se convencionou chamar do sistema político democrático, em que a eleição se polarizou à volta de dois candidatos, sendo um o actual Presidente e outro, um ex-presidente (mais do mesmo), dividindo o país ao meio. O que se passou com os restantes candidatos pode considerar-se irrelevante, o que, de per si, não abona nada também,ao sistema vigente.

Estes dois candidatos são, em termos ideológicos, não azeite e água (separados, mas coexistem) mas sim sódio e água (faz faísca e pega fogo).

O candidato Lula da Silva é marxista, libertário e demagogo encartado, apoiante de ditaduras comunistas, que se exprime como parecendo um alcoólico em fase terminal. Jair Bolsonaro é um defensor da ordem tradicional e conservadora, consubstanciada na trilogia, Deus, Pátria, Família, a que se acrescenta a Liberdade, pois tal consubstancia o autor brasileiro que terá inventado a frase e o conceito.[1]

Liberal na economia, é um nacionalista, o que deriva naturalmente da sua formação militar; que fala grosso, com linguagem pouco “diplomática” para político, e tem uma postura agressiva para com a comunicação social (restando saber de quem será a culpa) que lhe retribui com juros.

A forma algo desabrida de comportamento, também o fez perder o pé, por muitas vezes no combate à “Covid-19”, e noutras lutas que travou.

Bolsonaro representa ainda, um epifenómeno político (cada vez a acontecer mais frequentemente) dado ter saído fora da lógica partidária – os partidos são, aliás, o cancro da Democracia – por causa da pouca-vergonha, que há muito se passa no Brasil, relativamente a corrupção, insegurança e injustiça social.

Ora, segundo o sistema eleitoral, tido como democrático, cada eleitor fará o seu juízo sobre as propostas apresentadas (o que, no mais das vezes, se fulaniza na personalidade dos candidatos e na falsidade da escolha por a maioria do leitorado não ter os conhecimentos mínimos para poder fazer uma opção em consciência, restando o “clubismo” cego e os eflúvios demagógicos) e, chegando o dia, deposita o seu voto num pequeno caixão, perdão urna, agora urna electrónica, que é o que parece estar na moda, o que já está a levantar muitas dúvidas sobre a sua credibilidade, isto é, na segurança da contagem e validação dos resultados – o que uma comissão dita independente das Forças Armadas Brasileiras confirmou recentemente. A partir daí o candidato ganhador toma posse segundo a fórmula em vigor e a vida continua.

Ora, o que se passou neste caso foi que a escolha entre os dois candidatos, não era uma escolha normal; isto é, os candidatos não se encontravam em planos morais idênticos; dito de outro modo, um dos candidatos não tinha idoneidade moral, logo social e política, para poder ser candidato a um cargo que é, “apenas”, o mais elevado de toda a estrutura política brasileira.
Ora, um sistema eleitoral, logo um sistema político (seja ele democrático ou não), que aceita e promove uma situação destas não é susceptível de ser considerado sério, ético e lícito – nem sequer é necessário ir ao adjectivo “democrático”, que passa até, a ser lateral ao assunto.

De facto, o candidato Lula da Silva – é dele que estou a falar – é um ex-presidiário, condenado com contas ainda a prestar à justiça, que um número de habilidades processuais (em que é fértil a “justiça” modernaça), tinha colocado em liberdade a aguardar julgamento e que o “Partido dos Trabalhadores” (PT) – um partido onde abundam os corruptos presos, a começar por ex-ministros, e até uma ex-presidente (não “presidenta”), mestra em actividades subversivas, terroristas e em assaltos à mão armada (transmutadas, pelo politicamente correcto, em”luta heroica contra a ditadura Militar”, que foi a melhor coisa que aconteceu ao Brasil desde que “despediram” o D. Pedro I, em 1831) – logo promoveu a sua recandidatura ao cargo, o que lhe permitiria caso a eleição se desse, ficar abrangido pela imunidade que o cargo confere.[2]

Ora uma sociedade e um sistema político em que tal acontece, e é permitido acontecer, faz com que a suposta independência entre os poderes legislativo, executivo e judicial, seja apenas uma mentira piedosa e a Democracia uma ficção malcheirosa, ao passo que é o próprio país, no seu todo, que se desacredita e se afunda na indigência política e moral.

Outras considerações é mister acrescentar.

É necessário repensar e legislar urgentemente sobre o papel dos jornalistas e da comunicação social, na sociedade.

Sabe-se que a prática da manipulação das notícias e da informação é tão velha como a prostituição, mas o nível despudorado de mentiras, meias verdades, propaganda encapotada e modo de apresentação da informação (como são escolhidas, ditas e escritas) fazendo com que a sua correcta interpretação saia falseada, atingiu formas impensáveis por qualquer guião de ficção científica. E cujo cúmulo se pode considerar a interrupção televisiva simultânea, por parte de algumas cadeias de televisão americana, quando Donald Trump, ainda presidente, discursava.

Ora a imprensa (lato senso) não deve interferir na actividade política, favorecendo esta ou aquela corrente, ou esta ou aquela ideologia – a não ser que seja um órgão privado e devidamente identificado politicamente – muito menos colocar adjectivos nas notícias que veicula, coibindo-se os jornalistas de uma postura que não seja neutra (os militares, por exemplo, também não podem/devem – e bem – usar os seus meios de coacção para influenciar as opções políticas). Sem embargo de poderem entrevistar os restantes cidadãos e auscultar o que pensam de uma forma honesta e imparcial e, ou, de denunciar ilegalidades ou de em reportagens, deverem enquadrar e denunciar os actos ilícitos, ilegais e imorais, pois o Bem tem de combater o Mal.

Numa palavra, há órgãos de comunicação a mais, e o dilúvio de informação, a censura, parcialidade e as “fake news” tornaram-se insuportáveis, o que depois é exponenciado pelas “redes sociais”. E não foi só no Brasil, em Portugal, foi igual.

Outra coisa insuportável é a tentativa de influenciar, ou tomar partido, em disputas em países diferentes do nosso, ou em aventuras ideológicas internacionalistas (a não ser que haja pontualmente uma disputa grave entre países, mas isso já é um assunto de Estado).

Ora o Brasil e Portugal tomaram a decisão, assaz lamentável e infeliz (mas tal é já história passada), de se separarem “de facto”, em 1822 e “de jure”, em 1825, e cada um seguiu o seu caminho. E até hoje, tirando a retórica do “País irmão”, na prática nunca houve quaisquer sinergias comuns.

Sem embargo, forças políticas nacionais e até o próprio Presidente da República, devidamente acolitados por grande parte dos “media”, resolveram apoiar um dos candidatos, neste caso, Lula da Silva, ao mesmo tempo que não se coibiam de tratar mal o antagonista – que, por acaso, era o Presidente do Brasil e fizeram-no antes, durante e depois das eleições. O PM, escondido atrás da figura de Secretário-Geral do PS fez até, uma patética declaração formal de apoio a um dos candidatos, ou seja, ao tal com nome de cefalópode. Ora isto não é nada saudável entre Estados e povos. Quando a situação mudar, como será? Que marcas deixará? E a que título se faz uma coisa destas?

E tal estende-se e generaliza-se em termos internacionais (uma bagunça!), pois a que título é que “alguém” na última Conferência sobre as Alterações Climáticas realizadas em Sharm-el-Sheik, convidou (ou foi ele que se fez convidado?) Lula da Silva para estar presente (em que qualidade?) na cimeira e discursar (em que palco?) quando o próximo Presidente do Brasil só toma posse a 1 de Janeiro de 2023?

Ou será que só os russos é que não podem interferir nas eleições americanas?

O mesmo se passando em Lisboa, onde o PR e o PM, resolveram convidar o dito cujo, para cá vir continuar os comícios (só pode ser)? Que falta de dignidade de Estado, de decoro e de chá, é este?
E outra coisa lamentável e que não fica nada bem – e eu como cidadão português rejeito liminarmente – é o de estarmos a aturar luta política, com manifestações e outras actividades, em espaço público do meu país, de forças políticas brasileiras (ou quaisquer outros estrangeiros).

O mal está feito e a triste realidade, ou nos enganamos muito, não só se vai manter, como vai piorar.

A asneira é livre e o “povo”, pelos vistos, vai continuar a escolher Barrabás e a virar as costas a Jesus de Nazaré. Com muitos “Pôncio Pilatos” a ver e a lavar as mãos.


João José Brandão Ferreira
Oficial Piloto Aviador (Ref.)


[1] O autor Afonso Pena (Santa Bárbara, Minas Gerais, 30/11/1847 – Rio de Janeiro, 14/6/1909), foi advogado escritor e político, e o 6º Presidente da República do Brasil, tendo morrido no cargo, com gripe pneumónica. Dizia, perto da sua hora derradeira, que a vida se exprimia em quatro palavras: «Deus, Pátria, Liberdade, Família». «Pois bem! Defendamos a família, relicário de amor sustentado pelas mãos trémulas dos nossos pais. Defendamos a Pátria, que consubstancia as nossas glórias de outrora, a Pátria que é bela, porque é a mãe de todos nós. Defendamos Deus da ignorância e do atrevimento, porque Deus é a suprema aspiração da alma humana, o grande mistério que ilumina as regiões do Além. Defendamos a Família, defendamos a Pátria, defendamos Deus pela Liberdade! Deus, Pátria, Liberdade, Família»

[2] A auto-denominada “Presidenta”, Dilma Rousseff, acabou destituída da presidência do Brasil, por “impedimento”, em 2016.

Mesmo passado algum tempo interessa fazer algumas reflexões sobre o resultado das eleições brasileiras, e de tudo um pouco do que se passou à volta delas, pois reflecte muito do que se passa no chamado mundo ocidental e nomeadamente em Portugal, antiga Nação dos Portugueses.

Começou a 20 de novembro aquele que tem vindo a ser o Mundial mais polémico das últimas décadas, devido a inúmeras violações de direitos humanos reportadas ao longo do último decénio.

Tal polémica é justificável. Ao contrário do que foi proferido pelo Presidente da República, não devemos esquecer as vidas que se perderam na preparação deste mundial. Um evento desportivo não pode justificar milhares de mortes, caso contrário estaremos perante um evento de natureza lobista, em que o desporto passa a ser uma fachada para a movimentação de capital na ordem dos milhares de milhões.

A própria vivência e apreciação ao redor do mundo traduzir-se-á num sentimento de artificialidade. Um Mundial que decorre no inverno, num país sem a cultura desportiva a que estamos habituados, em condições climatéricas que requerem tecnologia indispensável para o decorrer do evento, em comparação com outros países com condições bastante superiores, é um mundial estranho. Todo este contexto é artificial em comparação com outros Mundiais, e nem preciso de referir os apoiantes “argentinos”, “franceses” ou “portugueses”. As aspas têm um objetivo óbvio para o qual não perderei tempo a explicar, já que em última análise será sempre utilizada a carta cliché do racismo, como utilizou Gianni Infantino, quando foi questionado sobre estes apoiantes pagos para vestirem uma camisola e gritarem por um país que não o seu.

Politicamente falando, um dos temas centrais em torno deste Mundial é a postura do Catar quanto aos seus visitantes, e o choque cultural expectável de tamanha vaga de turistas. No Catar não se pode beber álcool, profanar contra Deus, vestir-se de maneira promíscua entre inúmeras outras proibições, como foi partilhado nas redes sociais. É um evidente choque cultural para o homem e mulher ocidental do século XXI, já que todo o oposto é permitido, tolerado e inclusive incentivado numa perspetiva e mentalidade consumista, desprendida de determinadas âncoras morais outrora defendidas no Ocidente.

Perante este choque, é bastante curiosa a posição dos progressistas nesta matéria. No auge da crise migratória da década anterior, os progressistas europeus defendiam que na “nossa” terra não deveríamos proibir ninguém de viver de acordo com a sua cultura. Gradualmente perceberam que existem culturas mais evoluídas do que outras, no que às liberdades das mulheres concerne, tendo a pressão feminista criado uma cisão entre os que eram a favor da islamização da Europa, e aqueles que queriam proibir os trajes islâmicos femininos.

Discordo de ambas as posições, pois são respostas a um problema artificialmente criado pelas elites políticas ocidentais que fustigaram a crise migratória através de invasões e desestabilização do Norte de África e Médio Oriente, conjugadas a políticas de fronteiras abertas. Centenas de europeus mortos em atentados terroristas (sem esquecer os milhões de norte africanos e asiáticos do médio oriente mortos), e inúmeras consequências demográficas em solo europeu depois, ainda estamos a pagar este enorme desastre.

Resumindo, a ideia de que devíamos ser forçados a tolerar a prática geral do modo de vida islâmico na Europa foi popular entre os círculos progressistas, porém, a hipocrisia reside na resistência ao modo de vida islâmico no Catar. Por exemplo, querem impingir braçadeiras LGBT num país que simplesmente não adere a um lobby da bolha Ocidental. Apesar de não ser uma democracia, podemos seguramente dizer que o povo decidiu, através da permanente permissividade e consentimento, que a abordagem para com este assunto, por parte do Estado do Catar, é tolerável, dada a influência que a fé Islâmica tem naquele país.

Reparem que não afirmei que concordava ou discordava, mas certamente alguém já julgou o último parágrafo como sendo “homofóbico”. Diria que se trata de coerência. Se eu não quero que outros povos pratiquem faustosamente a sua cultura no nosso território, pois defendo que a Europa é dos europeus, e que Portugal é dos portugueses, outros povos têm esse mesmo direito nos seus respetivos territórios, já que a sua população não é multicultural nem multiculturalista, e felizmente não existe um governo mundial com o intuito de a forçar a ser.

Lloris, capitão da França, afirmou que: “Quando os estrangeiros chegam ao nosso país, gostamos que eles respeitem nossas regras e tradições. Farei o mesmo no Catar.”

Só os globalistas é que não querem que outros respeitem o modo de vida característico do seu país. Para esses, podiam ter nascido em Nova Iorque, Paris, Londres, Lisboa ou Pequim, pois seria irrelevante. Contrariamente, relevante só o capital que por eles circula. São como a arquitetura moderna, ou seja, pedaços de betão e vidro que não são característicos do povo e terra em que se situam. Os globalistas não têm pátria, apenas interesses e agendas.

Esquecendo-os por um momento, reparem na evolução do contexto político num espaço de poucos anos. Os mesmos progressistas que transpiravam multiculturalismo por todos os poros da sua pele, uma vez que tínhamos obrigatoriamente de respeitar o Islão, são os mesmos que o estão a criticar, devidos às regras impostas aos turistas, sendo que não são obrigados a visitar o Catar.

Em 2014, 2015 e por aí em diante, isto tinha um nome: islamofobia, como muito gostavam de repetir. Hoje, chama-se progressismo, pois já entenderam que o Islão se opõe ao progresso cultural, exceto quando são forçados pela NATO (de vez em quando), uma vez que “precisamos” de exportar a democracia liberal para esses povos, de tão “retrógrados” que são.

Esta mudança de postura para com o Islão é perfeitamente natural. Os progressistas tendem a apoiar a globalização, onde as políticas identitárias desempenham um importante papel sobre como utilizar grupos de pessoas em torno de certos objetivos, que não os superiores interesses desse mesmo grupo. Naturalmente o Islão, os LGBT, e todos os restantes grupos, são como lenços de papel para as elites progressistas: inevitavelmente serão descartados quando a sua utilidade expirar.


Francisco Pereira Araújo

Nota: o Inconveniente assume a grafia portuguesa Catar.

Naturalmente o Islão, os LGBT, e todos os restantes grupos, são como lenços de papel para as elites progressistas: inevitavelmente serão descartados quando a sua utilidade expirar.

Os pais que alertam os seus filhos sobre as ditas “terapias de transição” e tentam protegê-los de decisões para as quais não têm maturidade são transfóbicos?

A jornalista americana Abigail Shrier, que se define como feminista e progressista, converteu-se numa das vozes mais críticas do activismo trans, ao denunciar que os activistas se estão a aproveitar das adolescentes mais vulneráveis, em plena puberdade, vendendo-lhes uma mentira e atraindo-as para tratamentos de “mudança de sexo”, que provocam danos irreversíveis.

Em 2017, depois de escrever um artigo sobre os pronomes “neutros”, impostos pela ideologia de género, o e-mail da jornalista foi inundado com centenas de e-mails de pais preocupados com as atitudes das suas filhas adolescentes, que, sem nunca terem demonstrado qualquer desconforto com o seu corpo, “saíam do armário” como transgénero. Shrier decidiu investigar o assunto e deparou-se com uma espécie de epidemia que alastrava por todo o país e afectava cada vez mais meninas adolescentes, que iniciavam a dita “transição de género”. Todas tinham um padrão em comum: nunca, ao longo da infância, haviam expressado qualquer desconforto com o seu corpo feminino e todas começaram a entrar no mundo trans acompanhadas por outras adolescentes. Desta investigação, resultou o livro Um Dano Irreversível (2020), considerado pelo The Economist como um dos melhores livros desse ano.

Ao ler o livro, somos alertados para a disforia de género de início rápido, um contágio social que arrasta adolescentes que sofrem de problemas mentais como mal-estar, ansiedade, depressão, a procurar as razões para a sua angústia na internet. Ali, nas redes sociais (e também na Escola), influencers activistas – que estão no processo de transição ou já a o completaram – dizem-lhes que, se se sentem assim, é porque não são realmente mulheres, mas sim homens presos num corpo feminino, e que há uma solução milagrosa para elas: podem ser um rapaz, se assim o desejarem.

A ideia atrai-as, porque, em plena puberdade (numa das fases mais traumáticas, a seguir ao nascimento), lhes é dito: «Podes escapar desse corpo em mudança, do qual não gostas, que te está a dar tantos problemas e a causar tanto desconforto» e compram uma mentira, pois esconderam-lhes que os tratamentos hormonais e as cirurgias de “mudança de sexo”, na maior parte dos casos, produzem danos irreversíveis, como esterilidade e disfunções sexuais irreparáveis, numa idade em que o cérebro não está suficientemente desenvolvido para tomar decisões que alterarão toda a sua vida.

Muitas dessas adolescentes, que já estão a ser medicadas para a ansiedade e/ou depressão, quando ouvem as palavras «és transgénero», param o tratamento e acreditam que a “transição” é a solução. Qualquer tentativa, dos pais ou dos profissionais de saúde, de procurar outra opinião especializada é imediatamente rotulada como “transfóbica”.

Os pais estão assustadíssimos, não confiam nos seus próprios critérios, pois são convencidos – pelo activismo trans e pelas próprias adolescentes (que já decoraram todo um discurso e o repetem ad nauseam) – que, se disserem algo contrário ao “auto-influenciado diagnóstico trans”, são transfóbicos. Os que se atrevem a tentar travar o bloqueamento da puberdade e o tratamento hormonal do sexo cruzado das suas filhas menores são ameaçados com a perda do seu emprego e custódia das filhas. Às recém-convertidas à moda trans resta o Estado e as associações lgbtetc, que as protegem dos próprios pais e de profissionais de saúde não-afirmativos, agora rotulados como “tóxicos” e “transfóbicos”. Mas quem é que as protege delas próprias e do arrependimento tardio?

Um pouco por todo o mundo, o número de meninas arrependidas, que querem voltar ao seu sexo biológico, não pára de aumentar. Abigail Shrier afirma receber centenas de mensagens de adolescentes que querem voltar atrás e já não podem. No Reddit (fórum da internet muito popular entre os adolescentes e jovens), há a secção “detrans” (com mais de 37.000 membros), onde há muitos jovens a explicar como e porque é que se arrependeram da sua transição. O grande problema é que muitas das intervenções requeridas no processo de transição são irreversíveis. Acresce que, se uma jovem se quer encher de testosterona, para parecer mais masculina, basta acionar o seu seguro e os seus gastos serão mínimos (cá, é financiado pelo SNS, ou seja, pelos nossos impostos), mas, se ela se arrepender e quiser reverter o tratamento, terá de pagar do seu bolso (cá também é assim).

E, pergunta o leitor, como é que chegámos a este ponto? Como é possível que o número de crianças confusas quanto à sua própria identidade e a quererem “mudar de sexo” não páre de aumentar?

Creio que chegámos a este ponto devido à influência das políticas identitárias e dos influencers dos filmes e das séries, mas também, e em primeiro lugar, devido ao facto de a grande maioria ter delegado a educação dos seus filhos a terceiros e os ter abandonado nas redes sociais. Hoje, por dá cá aquela palha, ou talvez por priorizarmos as coisas materiais e não termos tempo para educar, brincar, conversar e passar tempo com os nossos filhos, os psicólogos surgem como “a solução”, quando já não conseguimos chegar a eles. O problema é que a maior parte dos psicólogos é coagida a ser “afirmativo do género”, rápidos a aceitar o auto-diagnóstico dos miúdos e a encaminhá-los para bolqueadores da puberdade e, mais tarde, para duplas mastectomias e amputação do pénis (embora a faloplastia seja raríssima) e, claro, a conselharem os jovens a cortar quaisquer vínculos com a família “tóxica” e “transfóbica”.

Quando é que prescindimos do senso comum e passámos a creditar que pessoas estranhas influenciariam melhor os nossos filhos do que nós e os avós? Quando é que nos convenceram de que não podemos confiar em nós mesmos e nos nossos pais (que nos educaram) para educar os nossos filhos? Como chegámos ao ponto de acreditar que um estranho, professor ou psicólogo, conhece melhor os nossos filhos, e o que é melhor para eles, do que nós?

Perante a demissão dos pais das suas responsabilidades, não é de estranhar que o Estado tenha vindo, paulatinamente, a substituir os pais na educação dos seus filhos e a introduzir associações lgbtetc nas escolas, para dar uma educação lgbt às crianças. Muitos pais, infelizmente, acreditaram na narrativa que afirmava que só seria possível prevenir o bullying contra “crianças homossexuais” se se criassem clubes lgbtetc para eles e se as associações de defesa dessas “crianças gays” montassem esses clubes. Então, as associações lgbt+ – às quais o Estado português concedeu o estatuto de utilidade pública – entraram nas escolas, começaram a dar palestras na escola primária (e em todos os ciclos do ensino obrigatório, isto é, até ao 12.º ano) sobre o que significa ser gay, lésbica, trans, bi, pan, agénero, não-binário, etc., com especial ênfase no T, de trans, e, crianças, que mal sabem ler e escrever, passaram a ter de saber de cor todo o catálogo de “orientações sexuais” e a ter de se identificar com uma das letras do abecedário colorido, pois  não há nenhuma associação que proteja as crianças que não se identifique com uma dessas letras, do bullying.

Recentemente, em Espanha, aprovou-se a “Ley Trans” que, entre ouras coisas, proíbe qualquer tipo de terapia que não seja afirmativa (ou seja: que não envie adolescentes para a “mudança de sexo”), mesmo que o paciente a solicite.

Cá, a lei está prestes a ser proposta e, claro, tal como aconteceu com a lei 332/XV, que introduziu a ideologia de género nas casas de banho das escolas, aprovada pela maioria que a vai propor.

Seguiremos os passos de outros países, nos quais apenas activistas trans atendem os menores que dizem sofrer de disforia de género?

Actualmente, qualquer psiquiatra ou psicólogo que sugira a possibilidade de haver outros problemas, além do auto-diagnóstico do menor, será ameaçado, acusado, cancelado e terá de se defender na respectiva Ordem para não perder a licença para exercer a sua profissão. É isto que queremos? Que sejam os políticos e as associações lgbt+ a determinar diagnósticos médicos?

Em algum momento da vida teremos de decidir se fazemos algo para mudar o que está mal ou se continuamos calados como escravos aos quais dizem o que devem dizer e como devem pensar. Eu, com a graça de Deus, continuarei a lutar pela liberdade de defender as minhas netas de adultos perversos, que nos impõem uma ideologia destrutiva.


Maria Helena Costa

* A autora escreve segundo a anterior norma ortográfica.

Os pais que alertam os seus filhos sobre as ditas “terapias de transição” e tentam protegê-los de decisões para as quais não têm maturidade são transfóbicos?

O Relatório Técnico de Fiscalização do Sistema Eletrónico de Votação produzido pelas Forças Armadas brasileiras, em 9-11-2022, relativo às eleições do Presidente, do Congresso, Senado e Governo dos Estados, de 3 e 30-10-2022, faz diversas críticas ao sistema eletrónico de votação, que a seguir explicamos:

  • Foi dado a analisar aos peritos informáticos militares um sistema complexo (mais de 17 milhões de linhas de código), mas o Supremo Tribunal brasileiro consentiu-lhes apenas o uso de papel e caneta!…
  • Há sistemas de controlo de versões que permitem estudar a evolução do código, e comparar versões sucessivas. Porém, não foi possível consultar estes sistemas, pelo que “não há a certeza que o código presente nas urnas” fosse “exatamente o que foi verificado”. É como fazer um teste anti-doping a um atleta, sem verificar se o sangue analisado é mesmo o dele e no dia da prova;
  • O software contém outras peças, módulos feitos por terceiros. Como também não se puderam analisar, há ali caixas negras que pertencem ao sistema, mas que não estão à vista. É como se a polícia, por suspeita de atividade criminosa, entrasse num edifício e os responsáveis lhes dissessem: “podem ver tudo menos aquelas salas ali…”;
  • O Supremo Tribunal só permitiu aos peritos militares, ver o texto dos programas, mas sem os executar e sem os analisar em execução. Essa restrição é semelhante à verificar se um carro respeita os limites de emissões de carbono pelo escape, mas sem deixar o fiscal ligar o motor…

Um especialista em sistemas informáticos contactado pelo Inconveniente alertou para o facto de este problema em software ser particularmente crítico: “Nenhuma empresa completa software sem fazer testes intensivos em utilização. Ninguém acha que se garante a correção do software lendo linhas de código.”

O mesmo especialista adiantou qual seria o processo adequado de fiscalização: “Primeiro, detetam-se as incongruências ou defeitos em execução; depois, explora-se, como um detetive, repetindo muitas vezes a execução com pequenas variações até perceber-se melhor onde poderá estar o problema; e só então se entra de novo no código, que é vasto e complexo, para tentar corrigir.

Também seria necessário um método análogo para comprovar a validade do hardware e software de contagem de votos.” – acrescentou.

Um comentário final: não há, nem nunca haverá, sistemas eleitorais informatizados que sejam fiáveis. Não é questão de fiscalização — embora uma fiscalização mais profunda pudesse eventualmente ter a sorte de apanhar alguma aldrabice. Mas mais valia não tentar essa sorte e manter os sistemas manuais.

O Relatório Técnico de Fiscalização do Sistema Eletrónico de Votação produzido pelas Forças Armadas brasileiras, em 9-11-2022, relativo às eleições presidenciais, para o Congresso e Senado, e Governo dos Estados, de 3 e 30-10-2022, faz diversas críticas ao sistema eletrónico.

As forças ucranianas chegaram ao centro de Kherson no fim da passada semana, depois de terem obrigado as melhores unidades russas a retirarem-se da única capital regional que haviam capturado à má-fé.

Uma cidade que, sublinhe-se, “é território russo”, como reivindica o Kremlin.

Não retiraram porque quiseram, mas porque a isso foram obrigadas pela realidade no terreno.

Ali estavam reunidas unidades como a 7ª, 76ª e 98ª divisões aerotransportadas e a 11ª brigada aerotransportada independente. Eram 24 batalhões de infantaria, 7 divisões de artilharia e 8 batalhões da “Rosgvardiya”.

Todo este potencial não estava ali por acaso e não saiu dali por acaso.

A ideia seria atrair o ataque ucraniano para posições bem defendidas e exaurir o seu ímpeto, uma espécie de armadilha de atricção.

Os ucranianos não morderam o isco e em vez disso chegaram os HIMARS à frente para atacar com extrema precisão alvos remuneradores, como vias de comunicação, centros de comando, hubs logísticos, concentrações de tropas, etc.

Incapazes de reabastecer as tropas nas trincheiras, incapazes de atrair o ataque frontal ucraniano, e sujeitos ao fogo inclemente da artilharia, o plano saiu pela culatra aos russos e foram eles que caíram na armadilha da atricção.

A retirada foi o plano de recurso, para evitar o desastre total, e isto tem de ser dito porque andam por aí corifeus do Kremlin, incluindo certos generais “da paz”, a declamar, perfeitamente conscientes da mentira que tentam propagar, que os russos saíram de Kherson como um “gesto de boa vontade”.

Que fazer após a reconquista de Kherson?

Em termos puramente militares e pressupondo que as forças ucranianas estão em condições materiais e psicológicas de prosseguir, o que devem fazer é de meridiana clareza: manter o ímpeto e a iniciativa e atacar as posições russas, para destruir as forças russas e reconquistar território. A ofensiva, como operação militar, tem como um dos princípios fundamentais a conservação da iniciativa que é, na realidade, a única grande vantagem de quem ataca. Perder a iniciativa é perigoso. E para manter a iniciativa, os ucranianos não podem descansar à sombra da bananeira. Têm de reconhecer as oportunidades, analisar modalidades de acção e actuar rapidamente e com ímpeto.

Sem ímpeto, o defensor pode recuperar, e agir para deter a ofensiva, retirando a iniciativa ao atacante.

A racionalidade destes conceitos pode entender-se facilmente na metáfora de uma luta de rua.

Se acabo de vibrar um golpe no meu adversário, que o fez cambalear, o que tenho de fazer é aproveitar para lhe dar mais e tentar acabar com ele. O que não devo fazer, em nenhuma circunstância, é dar-lhe tempo e espaço para recuperar do golpe e reaver as condições para me golpear a mim, sobretudo se for maior que eu.

Ora, uma vez que parece ter a garantia inabalável do apoio americano, a Ucrânia está em condições de explorar o sucesso em vez de fazer aquilo que neste momento convém aos russos: consolidar posições e congelar-se numa linha da frente que permita ganhar tempo para lamber as feridas e preparar-se para voltar ao combate.

Se a Ucrânia mantiver a iniciativa e o ímpeto, pode impor aos russos onde e quando acontecerá o próximo golpe, porque no momento em que os ucranianos logram esta vitória estratégica e simbólica, há combates ferozes a ocorrer mais a norte, ao longo dos mais de 1.000 km de frente.  

O Inverno não vai parar a guerra. Talvez a limite de alguma maneira, aqui e ali, mas tal como vejo as coisas, os ucranianos parecem estar mais bem preparados para as condições meteorológicas do que os russos.

As trincheiras abandonadas pelos russos, em Kherson, deixam a nu as condições deploráveis que as melhores forças russas tiveram de enfrentar antes da retirada. Trincheiras estreitas, lamacentas, expostas à chuva, ao frio, ao vento e aos fogos precisos da artilharia ucraniana.

A iniciativa ucraniana pode ser, por exemplo, na região de Bakhmut onde a Rússia, apoiando-se nas formações do Grupo Wagner, vem tentando romper há meses, usando sempre as mesmas tácticas estafadas de barragens massivas de artilharia e posteriores tentativas, limitadas e custosas de infantaria.

Pode ser na zona de Zaporigia, num avanço para sul em direcção ao Mar de Azov, movimento que, se bem-sucedido, quebraria a continuidade territorial do território ocupado pela Rússia e, se conjugado com a destruição efectiva da Ponte de Kersh, isolaria totalmente a Crimeia. Os russos estarão entrincheirados e a reforçar as defesas, mas o terreno é aberto e chegar a Mariopol, Melitopol e Berdiansk, seria uma esmagadora vitória que provavelmente vergaria a Rússia às realidades do terreno e a confrontaria com as limitações do que pensava ser o seu poder.

Pode ser em mais sítios, mas, a avaliar pelo histórico de competência da liderança militar ucraniana, o que quer que venha a acontecer será cuidadosa e discretamente planeado, e bem executado.

Neste momento não faz sentido para a Ucrânia tentar a difícil travessia do Dniepre para perseguir as forças russas a sul de Kherson. Apenas chegar à frente a artilharia de longo alcance para atacar as forças que defendem os eixos de aproximação à Crimeia e apoiar a eventual ofensiva sobre o Mar de Azov.

Será a hora de negociar, como “exigem” sempre os apoiantes da Rússia quando as coisas não estão a correr bem?

De notar que as “negociações” que esta gente sugere passam sempre pela aceitação da derrota da Ucrânia e a cedência às aspirações do invasor, ou seja, a Ucrânia cederia o seu território e parte da sua soberania.

Como é evidente, nada disto interessa à Ucrânia.

Nem ao Ocidente, de que fazemos parte e de que também fazem parte os corifeus do Sr Putin.

Um cessar-fogo temporário?

Bem, a “palavra de honra” da Rússia não tem hoje qualquer credibilidade, e um acordo desse tipo seria apenas tinta no papel. O que provavelmente aconteceria é que a Rússia iria aproveitar para ganhar tempo, recuperar o equilíbrio, lamber as feridas e preparar o golpe seguinte.

Nas presentes condições, nenhuma negociação fará a Rússia abdicar dos seus objetivos nesta guerra que desencadeou. Apenas a força do inimigo e o choque com más realidades no terreno, poderão obrigar a Rússia a recuar. É o clássico caso em que, se queres a paz, tens de fazer a guerra.

Se a Ucrânia estivesse na situação de derrota iminente, negociar podia ser o menor dos males, mas não é claramente o caso, pelo que, tendo garantido o apoio ocidental, faz todo o sentido que use a sua iniciativa e o seu poder militar para obrigar a Rússia a fazer no resto do território aquilo que foi obrigada a fazer em Kherson e já tinha feito em Kiev e Kharkhiv: retirar ou fugir!

Zelensky foi claro quando ontem, em Kherson, disse que a Ucrânia estava preparada para fazer a paz, mas apenas quando tivesse recuperado todo o território invadido e ocupado. Neste momento está em condições de dizer isso, porque tem um Exército incomparavelmente melhor do que aquele que tinha em 24 e Fevereiro de 2022.

Compete pois à Ucrânia, e não ao PCP ou aos “especialistas” putinófilos, decidir os termos que são aceitáveis, e convém ao Ocidente apoiar essa decisão, na certeza de que não se pode subestimar a Rússia, mas também não se deve sobrestimar. E sabendo que uma Rússia que consiga ganhos territoriais como resultado de uma clássica invasão imperialista, não irá parar até sofrer uma derrota inapelável no campo de batalha.

É do nosso interesse que não venhamos nós a ser obrigados a travar esse combate e isso passa por, no presente, apoiar a Ucrânia com tudo e mais um par de botas.


José do Carmo

*O autor escreve segundo a anterior norma ortográfica.

Em termos puramente militares e pressupondo que as forças ucranianas estão em condições materiais e psicológicas de prosseguir, o que devem fazer é de meridiana clareza: manter o ímpeto e a iniciativa e atacar as posições russas, para destruir as forças russas e reconquistar território.

Em artigo publicado em outubro de 2021, defendi que a introdução das “eólicas” no sistema produtor encarece a energia elétrica das centrais térmicas, escorraçando-as mesmo, como foi o caso do carvão em Portugal.

No presente artigo, decidi provar, com números e cálculos, o efeito da introdução da energia eólica numa rede simplificada.

Comecemos por considerar a situação anterior à introdução da energia eólica, em que uma central térmica abastece os consumidores com uma utilização de 60 % (determinada pelo consumo), com um custo de produção (C) de 0,153 €/kWh.

Este é um valor assumido com 0,050 €/kWh referente ao custo do combustível e lubrificantes (C1) somado a 0,103 €/kWh dos custos fixos (C2): amortização, manutenção, salários, etc.

Este último custo depende das horas de funcionamento da central. É o custo fixo por ano da potência unitária instalada (avaliado em 540 €/kW/ano) a dividir pela utilização em horas anuais de funcionamento, neste caso 5256 horas (60 % de 8760 horas) à potência nominal. O custo total C é a soma de C1 com C2.

A dada altura, constata-se que o custo da energia eólica pode competir com o custo da central térmica porque é da mesma ordem de grandeza, por exemplo 0,154 €/kWh, que resulta apenas dos encargos de potência avaliados em 270 €/kW/ano com uma utilização de 20 % determinada pela disponibilidade do vento (equivalente a 1752 horas/ano à potência nominal).

Mas ao introduzir a produção eólica na rede, a utilização da térmica vai, necessariamente, ser menor, passando a funcionar menos horas por ano e fazendo aumentar fator de custo C2 (encargo de potência) da central térmica.

Supondo que a utilização da térmica diminui para 40 %, isto é, 3504 horas/ano, C2 passa a ser 0,154 €/kWh e o custo total da térmica será de 0,204 €/kWh, a soma de C2 com C1 (que permanece constante).

Se a produção eólica for 50% do total, o custo do sistema misto (térmica mais eólica) passa de 0,153 €/kWh (valor antes da instalação da eólica) para 0,179 €/kWh, isto é, mais 17,3%.

O quadro seguinte resume a comparação efetuada:


Custo do kWh em €
Térmica a 60 % (só)0,153
Térmica a 40 % (c/ eólica)0,204
Mix 50 %eólico+50 %térmico0,179 (+17,3 %)

Conclusão

A introdução da energia eólica numa rede só faz sentido em duas situações:

1. A potência eólica instalada ser muito pequena para não afetar significativamente a utilização da térmica na hipótese de custos semelhantes de produção;

2. Se a potência eólica provocar redução significativa da utilização da térmica, o custo da produção eólica deve ser de tal forma baixo que o custo do sistema misto não sofra alteração, apesar do aumento de custo da térmica.

O ponto 2 põe a nu a menor qualidade das energias intermitentes no que respeita à satisfação dos consumos, devendo por isso custar menos, sobretudo quando a potência instalada é exagerada, que é a situação atual em Portugal.


Henrique Sousa

Editor para Energia e Ambiente do Inconveniente

No presente artigo, decidi provar, com números e cálculos, o efeito da introdução da energia eólica numa rede simplificada.

Os jovens foram levados a acreditar no discurso oficial sobre as alterações climáticas causadas pelo Homem, pela necessidade de salvar o planeta do aquecimento global causado pelos gases de efeito de estufa, principalmente pelo CO2 resultante da queima de combustíveis fósseis.

Estes jovens foram doutrinados nas escolas, onde o tema das alterações climáticas faz parte dos curricula e onde é explicado de uma forma demasiado simples e redutora para ser absorvido pelas mentes tenras, com a chancela de “teoria cientificamente comprovada” – quando não passa de uma mera hipótese com mais de um século e que nunca adquiriu sequer foros de teoria sólida.

É natural que a grande maioria dos jovens e até dos menos jovens esteja convencida que o discurso oficial vendido nas escolas e nos meios de comunicação dominantes – que a toda a hora atribuem as catástrofes às alterações climáticas –, corresponde à verdade absoluta e comprovada.

A verdade porém é que os governos, organizações ambientalistas e climáticas e a própria ONU apregoam a sete ventos que é preciso salvar o planeta dos estragos que estamos a provocar e fazem dos humanos os culpados de todas as desgraças que nos atingem. Nesta sua campanha contra o Homem, contam com a colaboração dos meios de comunicação dominantes, comentadores sem qualquer formação científica mas que debitam a cartilha, e também de académicos convertidos a esta religião porque lhes rende patrocínios dos poderes políticos nacionais e transnacionais.

A Ciência não pode nem deve estar subordinada à política mas, quando isso acontece, só serve de meio para justificar fins políticos que podem não ser assim tão altruístas e inofensivos – basta que nos lembremos da colaboração que certos cientistas deram a Hitler, alguns chegando mesmo a defender que o tamanho e a forma do cérebro humano justificava o racismo, a segregação e o genocídio de seres ditos inferiores.

Não sabemos até que ponto o climatismo está a ser usado para fins políticos, mas é legítimo pensar que poderá estar se confrontarmos os objetivos declarados pelas elites plutocratas mundiais com as ações climáticas que impedem o desenvolvimento dos países pobres e menos pobres. De facto, essas elites pretendem reduzir a população mundial com receio de que os recursos do planeta não cheguem para todos.

A ONU, sequestrada por estas elites, centra as suas ações no combate às alterações climáticas e relega para um plano muito secundário o combate à fome e a manutenção da paz no mundo. Combater as alterações climáticas é combater a utilização de combustíveis fósseis, apostar em energias verdes do vento e do sol – como se estas pudessem ser alternativa (o que não podem por serem intermitentes).

Os jovens precisam de causas, precisam de acreditar que podem ser úteis na caminhada para o seu futuro. E confiam naqueles que os educam, nos seus professores, nos governantes, nos meios de comunicação. As campanhas de proteção do ambiente como a reciclagem, a reutilização e a redução do lixo foram bem assimiladas pelas novas gerações desde há vários anos. As pessoas mais velhas até foram “educadas” pelos filhos, que traziam da escola esses ensinamentos, levando-os bastante a sério e incentivando os velhos a reciclar, não poluir, etc.

A educação ambiental alargou-se à proteção da natureza, das plantas e dos animais, aos impactos ambientais dos projetos (hoje não há projeto isento de estudo de “impacte” ambiental), ao combate aos alimentos transgénicos, ao vegetarianismo, veganismo, etc. Ao mesmo tempo, cresceram os casos de intolerância a produtos lácteos, ao glúten…

Tudo deveria ser o mais verde possível, verde é a cor da natureza saudável. Surge assim o anseio da transição para uma sociedade verde, sem poluição de qualquer espécie. É sabido que a queima de combustíveis fósseis liberta vários poluentes e a indústria de centrais térmicas a carvão e a gás, bem como a indústria automóvel, têm vindo a adaptar-se às exigências verdes, dotando os dispositivos de filtros que reduzem as poeiras e outros poluentes, libertando quase apenas o dióxido de carbono, o tão falado CO2.

Até aqui parece-nos que o percurso foi correto, foi possível reduzir a poluição da queima de fósseis, resultando dessa queima quase exclusivamente o CO2, não poluente e de cuja reciclagem cuidam as plantas. Porém, como o objetivo é acabar com a utilização de combustíveis fósseis, o CO2 tinha que ser “diabolizado”, e foi! Hoje em dia, o CO2 é considerado um gás poluente e as suas emissões são taxadas. Até parece que a fotossíntese desapareceu dos programas de ensino!

Numa recente troca de tuítes com um climatista e especialista em energia nos média, recebi a seguinte resposta:

E é neste clima de desinformação que os jovens exigem o fim da queima de combustíveis fósseis até 2030 e fazem greves climáticas à escola, impedindo os colegas de aprender conteúdos perigosos como a fotossíntese, a química orgânica (do carbono) e a evolução do clima na Terra, pelo menos nos últimos 500 mil anos, em que períodos glaciares de cerca de 100 mil anos são intercalados por períodos interglaciares de 10 a 15 mil anos.

Estamos no final de um desses períodos interglaciares quentes que dura desde há 14 mil anos (início da civilização) e que permitiu ao Homem sobreviver, evoluir e multiplicar-se. E não será por ação do Homem que deixará de haver um próximo período glaciar, que nos poderá atirar de novo para a pré-história se prescindirmos das reservas de energia que a natureza criou.


Henrique Sousa

Não será por ação do Homem que deixará de haver um próximo período glaciar, que nos poderá atirar de novo para a pré-história se prescindirmos das reservas de energia que a natureza criou.