Há um ano, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, dizia que o número de testes acompanhava a curva epidemiológica em Portugal.

Porém, tal não se verifica neste momento, segundo o Our World In Data, assistindo-se ao que parece ser um descontrolo no número de testes face à situação epidemiológica e à narrativa veiculada pelos meios de comunicação social sistémicos.

Uma das razões para este descontrolo poderá ser a testagem massiva de baixa prevalência, com rastreio de contactos positivos sem sintomas (gerando falsos positivos, como já alertou a Organização Mundial da Saúde), impulsionada pelo mediatismo gerado pelos recentes ajuntamentos em eventos desportivos.

Tais ajuntamentos acabaram por não se traduzir numa taxa de ocupação dos hospitais significativa em proporção à da época gripal, aquando do confinamento mais rigoroso, marcada também por um ritmo de vacinação mais lento (aproximadamente metade do ritmo atual).

Mesmo relativamente ao ano passado, no mesmo período, temos agora muito menos hospitalizações (448 para 267) e internados em UCI (60 para 52) – dados de dia 6-6-2021.

Há um ano, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, dizia que o número de testes acompanhava a curva epidemiológica em Portugal. Porém, tal não se verifica neste momento.

* Via Wikimedia Commons

O problema é que na Câmara Municipal de Lisboa (CML) está tudo por fazer.

Se a CML estivesse sujeita às mesmas coimas que são impostas às instituições privadas em matéria de protecção de dados, nunca poderia ter acontecido o episódio da partilha de informação com as autoridades russas.

Se o Presidente da Câmara estivesse ocupado a fazer o que realmente lhe compete, que é acima de tudo responder e despachar os processos e as queixas dos munícipes, não teria tempo para andar a entregar bilhas de gás ao domicílio, fazer e desfazer ciclovias ou dar a cara pela ilegalização do Chega.

A diferença é que quando se trata de passar a coima às instituições privadas a coima vai por si própria bater à porta dessas instituições, ao passo que no caso da Câmara e supostamente dos organismos do Estado em geral, para a coima lhes ir bater à porta têm de ser os próprios lesados a interpor processo autónomo. E então há que começar por procurar qual será o organismo (também ele do Estado) ao qual se poderá endereçar a tal queixa, o que no caso por exemplo das Câmaras Municipais não é tarefa fácil, uma vez que o “regulamento” que predomina é que, sendo instituições eleitas, o mecanismo mais indicado para o lesado resolver o seu problema é a próxima eleição.

É aí que reside a impunidade do poder autárquico, que não pode de maneira nenhuma ser relegada para um pedido de desculpas circunstancial.

Tendo o problema da embaixada russa adquirido dimensão internacional, os governantes procuram agora atirar a bola para o Parlamento Europeu. É um esforço para perpetuar a impunidade que pretendem defender a todo o custo. O objectivo é deixar ao presidente mais tempo para actividades eleitoralistas à custa da resolução dos problemas dependentes da sua própria competência.


Carlos Vicente

* O autor usa a norma ortográfica anterior.

Se o presidente da Câmara estivesse ocupado a fazer o que realmente lhe compete, que é acima de tudo responder e despachar os processos e as queixas dos munícipes, não teria tempo para andar a entregar bilhas de gás ao domicílio, fazer e desfazer ciclovias

A criptomoeda Bitcoin tem andado ao sabor das posições contraditórias de Elon Musk, o magnata à frente da Tesla e de outras empresas futuristas.

“Quando houver confirmação de uso razoável de energia limpa (~50%) por mineradores com tendência futura positiva, a Tesla voltará a permitir transações de Bitcoin”, disse Elon Musk num tweet de 13-6-2021, em resposta à Cointelegraph, média digital especializado em notícias de criptomoedas.

Depois de ter impulsionado a criptomoeda em abril, dizendo que a Tesla o aceitaria, voltou atrás menos de um mês depois, afirmando que, devido às preocupações com o consumo de energia que a mineração da moeda exige (contribuindo para as “alterações climáticas”), já não ia aceitar o Bitcoin.

Agora, nova viravolta que fez a cotação do Bitcoin ultrapassar os 40.000 dólares e, quiçá, trouxe muitos lucros a quem a comprou em baixa.

Recorde-se que, em 2018, Musk foi multado, juntamente com a Tesla, em 20 milhões de dólares cada, devido a um tuíte especulativo e enganoso.

A criptomoeda Bitcoin tem andado ao sabor das posições contraditórias de Elon Musk, o magnata à frente da Tesla e de outras empresas futuristas.

A língua é o coração e um dos fundamentos da identidade duma nação e deveria ser considerada por todos um bem comum, a ser preservado e defendido. Ela encerra o currículo histórico dum país e constitui um gigantesco património de storytelling da sua cultura.

Pensar não é um simples resultado mecânico da actividade cerebral; o pensamento está ligado, intimamente, à estrutura da língua em que nasce e se forma. Com a sua especificidade, ela dá-lhe cor e significado.

Há uma peculiaridade na língua portuguesa, tão rica de vocábulos, provérbios, expressões idiomáticas, que merece uma pausa de reflexão. Refiro-me à curiosa repetição de certas palavras no diálogo entre as pessoas. Exemplificando:

– Aquele fulano é tão maçador, não é? É, é.

– Desculpe, está na bicha? Estou, estou.

A estas respostas “É, é…. Estou, estou…” poderíamos acrescentar outras tantas do tipo “Sim, sim… Não, não…”, “Vou, vou…” de uso comum, que pululam diariamente nas nossas conversas.

A priori, é de excluir a hipótese, surreal e extravagante, de que a reiteração das palavras se verifique porque quem responde é gago e quem pergunta é surdo.

E então do que se trata? É, por acaso, uma forma de ganhar tempo para reflectir no que se vai dizer a seguir? Ou é uma espécie de eco intrínseco da língua portuguesa que nos faz sentir mais seguros e mais ouvidos? Provavelmente, é apenas um modo simpático e sui generis, de reforçar a ideia, que ganha expressividade graças à repetição.

A explicação, se é que existe, permanece um mistério insondável e é, no fundo, irrelevante.

É também facto conhecido que Portugal é o país dos “ais”; proliferam os Ai Jesus!, Ai meu Deus! Ai credo!…, só para citar alguns modos de dizer muito antigos. Por si só, este facto não é bom nem mau, porém, se mudarmos de perspectiva, pode assumir um significado muito diferente.

Pena foi que estas características da língua nunca tenham sido aproveitadas comercialmente, na óptica de que é preciso utilizar e optimizar os recursos disponíveis, muito do agrado dos especialistas. Entrando na esfera da imaginação, pé ante pé, para não despertar preconceitos ou chocar sensibilidades, e usando irónica e livremente a licença fantástica, seria possível hipotizar que os portugueses saíssem da confort zone vitimista e fatalista, para desfrutar da sinergia do binómio – repetição e recurso sonoro “Ai isto, Ai aquilo…”, com qualquer ideia inovadora.

Por exemplo, contactar uma conhecida multinacional americana com o fim de obter royalties pelo uso, no território nacional, de duas famosas marcas com manifesta assonância com as expressões lusitanas pré-existentes, Ai pede, pede e Ai pode, pode!

É óbvio que as negociações deveriam ser feitas, em nome de todos, por alguém encarregado de representar oficialmente a nação, pessoa competente na matéria e conhecedora do marketing criativo e agressivo. Sendo a questão delicada, a atitude prevalente deveria ser a discrição e uma indiscutível habilidade de negociação; tratar-se-ia de reivindicar algo relativo a uma situação de mercado já consolidada, recuperando o tempo perdido. Indispensável ter em conta também os conselhos de um bom advogado, com comprovada experiência em marcas e patentes. Last but not least, tudo a ser feito, absolutamente, sem qualquer interesse pessoal além do proveito da comunidade. Este último aspecto, desmistificador dum paradoxo, seria a confirmação de que (cito de cor) podem perfeitamente existir políticos honestos, assim como existem oradores gagos e cabeleireiros calvos.

Melhor, se fora do acordo ficassem os países lusófonos. Se desejassem reclamar direitos, deveriam fazê-lo em autonomia. Evitar-se-ia, assim, que alguém nos acusasse de neo-imperialismo ou avidez e de querer ficar com “o quinto”. Isto também por uma questão de princípio: que seja cada um a governar-se a si mesmo, assumindo as consequências das suas acções. Porque é fácil cair na tentação de justificar todas as carências de hoje, com factos e razões de ontem. Como se, no intervalo entre passado e presente, os países tivessem ficado despovoados e o barco sem leme.

A concretização do negócio traria com certeza benefício para o erário público, sempre tão aflito com o débito. O sucesso conquistaria o coração dos cépticos, que vivem embrulhados em véus de dúvidas e melancolia, além de aumentar a fraca auto-estima da categoria dos inveterados “Oxalás”, acostumados a entregar a sua sorte nas mãos da divina providência. Questionaria, igualmente, um mito ancestral: «A Península Ibérica é como uma costoleta e Portugal ficou com o osso.»


Maria J. Mendes

* A autora usa a norma ortográfica anterior.

- Opinião - Há uma peculiaridade na língua portuguesa, tão rica de vocábulos, provérbios, expressões idiomáticas, que merece uma pausa de reflexão. Refiro-me à curiosa repetição de certas palavras no diálogo entre as pessoas.

Um artigo publicado em 24-5-2021 no The Desert Review, órgão de comunicação californiano, analisa dados recentes da Índia na utilização do antiparasitário ivermectina no combate à epidemia da Covid-19. A adoção do medicamento foi deixada ao critério de cada estado indiano que segue, ou não, as recomendações da OMS e/ou do governo central indiano.

Trata-se portanto de uma oportunidade ímpar para estudar a eficácia de um medicamento barato que tem sido alvo de bastante controvérsia. Uns equiparam a ivermectina à “nova hidroxicloroquina” e outros, como no artigo referido acima, consideram-na a “nova penicilina”.

A ivermectina foi adotada há semanas em 5 estados da Índia, a saber: Deli, Uttar Pradesh, Goa, Uttarakhand e Karnataka, mas em datas diferidas. Estes estados obtiveram os resultados mencionados a seguir (entre 20-4-2021 e 22-5-2021), no que respeita à redução do número de casos:

Deli – 92%; Uttar Pradesh – 84%; Goa – 61%; Uttarakhand – 69%; Karnataka – 38%

Deli e Uttar Pradesh seguiram as orientações do Instituto de Ciências Médicas da Índia (AIIMS) publicada em 20-4-2021, que previa uma dosagem de 0,2 mg por kg de ivermectina por peso corporal, durante três dias. Goa adotou uma política de prevenção massiva com ivermectina para toda a população adulta com mais de 18 anos, na dose de 12 mg por dia durante cinco dias.

Enquanto isso, Tamil Nadu anunciou em 14-5-2021 a proibição da ivermectina a favor do politicamente correto remdesivir. Como resultado, os casos em Tamil Nadu aumentaram no mesmo período: 10.986 para 35.873, mais do que o triplo. Este estado decretou o bloqueio há várias semanas e o número de casos não para de subir, o bloqueio não funcionou. Logo, o argumento de que foram os bloqueios que fizeram baixar os casos nos 5 estados que adoptaram a ivermectina não é corroborado pelos resultados de Tamil Nadu.

Outro argumento contra a ivermectina é de que a epidemia avançou de Deli para áreas rurais, mas também Karnataka é um estado rural e há, neste estado, uma redução de casos com a utilização de ivermectina. Uttarakhand é ainda mais rural e está localizada no Himalaia, próximo do Nepal. As infeções caíram 69% com a introdução da ivermectina.

Mais um argumento contra a ivermectina é tentar ligá-la à hidroxicloroquina que foi alvo de chacota nos media, pese embora não estar ainda posta de parte a sua utilização, tida como benéfica nos estágios iniciais da doença – como defende por exemplo o Dr. George Fareed. A associação da ivermectina à hidroxicloroquina foi, essencialmente, uma tentativa de a descredibilizar.

Fareed e o seu associado, Brian Tyson, trataram cerca de 6 mil pacientes com quase 100% de sucesso usando uma combinação de hidroxicloroquina, ivermectina, fluvoxamina e vários suplementos, incluindo zinco e vitamina D. Infelizmente, nada disto chegou ao conhecimento público devido à censura exercida nos media e não se ouviu falar dos mais de 200 estudos que refletem a eficácia da hidroxicloroquina contra a Covid-19.

Segundo Fareed, a hidroxicloroquina tem uma conotação negativa imerecida devido à associação com Trump, que é usada para denegrir outras drogas reaproveitadas que salvam vidas, como a ivermectina. Por exemplo, num artigo recente da Forbes, o jornalista Ray usa o título, “Is Ivermectin the New Hydroxychloroquine?“.

Ray não apresenta, ainda segundo Fareed, um único argumento substantivo contra a ivermectina; em vez disso, ele tenta difamar, rebaixar ou degradar repetindo acusações infundadas. Cita, por exemplo, a recomendação da Merck contra o medicamento que ela própria produziu como evidência de ineficácia, enquanto a Merck não refere nenhuma evidência para apoiar a sua alegação. Além disso, cita ainda a recomendação da FDA (Food and Drug Administration) contra a ivermectina, mas a própria FDA admite que não fez a revisão dos dados nos quais baseou essa conclusão.

Como se sabe, a Merck estava envolvida no desenvolvimento de um medicamento concorrente e tinha 356 milhões de motivos para atirar a sua própria ivermectina barata e não lucrativa para debaixo do tapete. Além disso havia um conflito de interesses financeiros entre os EUA e a Merck.

A história da ivermectina é mais parecida com a da penicilina. A penicilina salvou quase 200 milhões de vidas. Além disso, três homens receberam o Prémio Nobel em 1945 pela sua descoberta.

A descoberta da ivermectina mereceu o Prémio Nobel de Medicina de 2015, e ela provou ser uma droga que salva vidas em doenças parasitárias, especialmente em África. Nas últimas quatro décadas, a ivermectina salvou milhões de doentes de parasitas como estrongiloidíase e oncocercose ou cegueira dos rios.

Também salvou dezenas de milhares de doentes de Covid-19 na Índia nos poucos locais que o utilizam. Reduziu os casos do México, Eslováquia, Zimbabué e República Checa.

Continuo mais convencido do que nunca, diz Fareed, que um título mais adequado para o artigo da Forbes seria, “Será a ivermectina a nova penicilina?”

De certo modo, é estranho que medicamentos como o remdesivir, a dexametasona e outros não tenham sido contra-indicados pela OMS (e demais autoridades medicamentosas e sanitárias do mundo que a seguem), mas que todo e qualquer outro medicamento seguro e eficaz, de uso corrente e massivo, tenha sido prontamente desaconselhado, incluindo a aspirina da Bayer.

A descoberta da ivermectina mereceu o Prémio Nobel de Medicina de 2015, e ela provou ser uma droga que salva vidas em doenças parasitárias, especialmente em África. Nas últimas quatro décadas, a ivermectina salvou milhões de doentes de parasitas como estrongiloidíase e oncocercose ou cegueira

O Inconveniente apurou que o presidente Fernando Medina não terá pertencido à Juventude Comunista antes de entrar no Partido Socialista. Filho dos importantes dirigentes do PCP, Edgar Correia (membro da Comissão Política) e Helena Medina (controleira do setor intelectual), que só se afastaram do partido em 2002, Fernando tinha o comunismo entranhado parentalmente.

Já o desprezo pelo povo, e o nojo a qualquer evento que o envolva, deve vir da origem aristocrata, cujos costados exibe na Wikipédia.

Portuense nado e criado – até o curso fez na local FEP -, parece deslocado na cidade a que preside.

A comunicação da câmara do nome, morada, telefone e email, dos organizadores de protestos políticos, às embaixadas de países ditadoriais, em frente das quais decorrem manifestações, não parece um acaso.

- IИVESTIGAÇÃO - O Inconveniente apurou que o presidente Fernando Medina não terá pertencido à Juventude Comunista antes de entrar no Partido Socialista. Filho dos importantes dirigentes do PCP, Edgar Correia (membro da Comissão Política) e Helena Medina (controleira do setor intelectual), que só se

Quando se fala em clarificação ideológica do Chega, isto não significa dizer que é preciso alterar o que o partido defende desde a sua origem quando apresentou o Manifesto Político Fundador e o seu Programa Político. O que se pretende é deixar mais evidentes e bem interpretados os temas ali apresentados.

São vários os militantes que aderiram ao Chega por se identificarem com a ideologia, os valores e os princípios, defendidos pelo partido ou, conforme foi dito numa certa moção, por estarem em consonância com “as linhas mestras do partido”. Muitos, e porque não dizer os “antigos militantes”, foram aqueles que abraçaram este projeto pelas “causas” e não pelos “lugares”, nem pelas “agendas pessoais” ou até mesmo pelas “pessoas” que lideram o partido. Entendemos, portanto, que, se estas “pessoas”, ou seja, os seus dirigentes, defendem as mesmas “causas” que defendemos, nós não apenas defendemos as causas, mas também defenderemos intransigentemente a liderança. 

É comum ouvir nas conversas informais, nos grupos e nas redes sociais, o termo “os originais”, que significa aqueles que ingressaram no Chega nas suas localidades, abraçaram esta causa, lutaram e, contra tudo e todos, doaram-se ao partido desde o princípio. Mas, infelizmente, o que ocorre hoje é que os chamados “originais”, também conhecidos como “os Chega do Chega” estão a afastar-se cada vez mais do partido. Ou ainda, estão a ser afastados, pelo próprio partido, pelas divergências saudáveis e democráticas que estes impõem. 

A crer nas últimas sondagens, o Chega, de 2020 a 2021, estagnou nos 8% de intenções de voto. Então, como explicar que a nível de militância, no mesmo período de tempo, as inscrições tenham alegadamente aumentado? Será que realmente cresceu? Será que se mantém estável? Ou, será que para cada um que entra há sempre um “Chega-original” que sai? O que é que desaponta quem sai? Será a falta de democracia interna? Ou será a colisão entre o manifesto do Chega e as agendas próprias de cada novo dirigente?

Um exemplo claro disto, pôde ser visto nos dois últimos congressos – nos anos de 2020 em Évora e 2021 em Coimbra – em que diversas moções, que estavam em completa sintonia com o que o partido defende, tiveram votos contra, e isto deu-se não pelas causas apresentadas, mas sim pelas pessoas que as apresentaram. Foi o caso da Distrital de Braga, que em dois anos consecutivos votou contra as moções sobre o tema Educação, cujos títulos foram “Para uma participação ativa dos pais na educação escolar dos seus filhos” e “Escola despolitizada”. 

Afinal, o que leva a Distrital de Braga a votar contra o que o partido defende?

Questiono: se as ideias apresentadas estão em plena concordância com o programa político do partido, qual é a motivação para votar contra moções que reforçam e clarificam a ideologia do Chega? Quem são os militantes, que não partilham dos ideais democráticos do Chega, e trabalham não para o partido, mas sim para as suas agendas pessoais? Será que o Chega está contra o próprio Chega? Ou será que se perdeu algo do “copo original” e, na quebra desse copo (crescimento/caos), a “matéria não foi toda recolhida”?  

Esperamos ter a “matéria” completa e recuperada, pois os militantes que entraram no partido, não com o propósito de dividir e sim de unir – em torno dos ideais de uma verdadeira Direita que o Chega defende – serão sempre devotos a uma ideologia política (aquela que foi apresentada pelo partido na sua origem) e não a uma pessoa. Não somos “seguidistas cegos”!


Cibelli Almeida
Militante n.º 501

- Opinião - Questiono: se as ideias apresentadas estão em plena concordância com o programa político do partido, qual é a motivação para votar contra moções que reforçam e clarificam a ideologia do Chega? Quem são os militantes, que não partilham dos ideais democráticos do

Karl Raimund Popper foi um filósofo e professor austro-britânico, nascido em 1902 e falecido em 1994. Ficou mais conhecido pela sua filosofia sobre a ciência. Segundo ele, uma teoria nas ciências empíricas tem que ser falsificável, ou seja, tem que poder ser posta à prova por experiências realizáveis que possam eventualmente concluir que é falsa.

Uma experiência só pode demonstrar a falsidade de uma teoria, mas nunca consegue provar que é verdadeira. A probabilidade de uma teoria ser verdadeira aumenta com o número de experiências que não a invalidam. Isto significa que uma teoria, mesmo que seja falsificável, é e continuará sempre a ser uma teoria e a sua aceitação é sempre provisória, até que alguma experiência venha eventualmente provar que é falsa.

Podemos criar uma teoria qualquer que explique os factos mas se ela não for falsificável através de experiências que possam ser realizadas, essas teorias não devem ser consideradas científicas. São meras hipóteses sem estatuto de teoria plausível.

Um exemplo de uma teoria não falsificável e portanto não científica, é a teoria do aquecimento global antropogénico. Não existe qualquer experiência que possa pô-la à prova. A teoria afirma que o excesso de GEE (gases de efeito de estufa) produzido pelo Homem provoca o aquecimento da Terra. Consegue-se imaginar alguma experiência realizável que possa demolir a teoria? Não se conhece, e os promotores dessa “teoria” não dão quaisquer pistas sobre como pô-la à prova.

Por mais indícios que possam ser invocados que levem a supor que os GEE de origem humana causam o aquecimento global, não se pode falsificar a teoria e ela não tem cabimento nas ciências.

Ou seja, a “teoria” do aquecimento global é uma das muitas hipóteses que se pode considerar para explicar um aquecimento da Terra mas que só ascenderá a teoria científica quando houver pistas sobre experiências realizáveis que a possam desmentir. Até lá, não passa de uma hipótese. Nem os indícios a favor a tornam uma teoria científica. Ela só adquire estatuto de teoria científica quando se puder fazer experiências que possam concluir a sua falsidade.

Como é, por isso, possível que uma “teoria” não falsificável seja aceite entre “cientistas”? Que os lóbis e os políticos a abracem, percebe-se! Mas não se percebe que haja “cientistas” que a levem a sério e sejam financiados para trabalhar numa das muitas hipóteses que podem explicar o aquecimento da Terra. Além disso, e apesar de, segundo Popper, não haver teorias 100% verdadeiras, esta é tratada como sendo verdade absoluta e desencadeia toda uma série de ações urgentes e drásticas que vão custar biliões e biliões de fundos dos países cujos governantes ignorantes assim o querem.


Henrique Sousa
Editor para Energia e Ambiente do Inconveniente

- Opinião - Um exemplo de uma teoria não falsificável e portanto não científica, é a teoria do aquecimento global antropogénico. Não existe qualquer experiência que possa pô-la à prova. A teoria afirma que o excesso de GEE (gases de efeito de estufa) produzido pelo

* imagem editada

A propósito do fornecimento, pela câmara dirigida por Fernando Medina, à embaixada russa e ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, dos nomes, moradas, telefones e mails, de três manifestantes anti-Putin (dois deles de nacionalidade russa e portuguesa) de um protesto realizado em 23-1-2021, em frente à embaixada da Federação Russa, em Lisboa, que o Expresso e o Observador, de 9-6-2021, noticiaram. Tal facto é muito grave, tendo em conta a forma soviética como o governo russo e os seus serviços secretos FSB tratam os opositores.

Fernando Medina é filho de Edgar Correia e de Helena Medina, que tiveram papel de grande relevo no Partido Comunista Português, de linha soviética estalinista. O pai, Edgar Correia foi um histórico dirigente comunista, partido no qual militou durante 37 anos, e pertenceu à Comissão Política do Comité Central, e abandonou em 2002. A mãe, Helena Medina, era funcionária do partido, controleira do setor intelectual e também membro do Comité Central.

Na sua página da Wikipédia, onde se destaca a sua ascendência de condes e viscondes, não aparece qualquer referência à militância dos pais. Aí se diz que Medina, nascido em 1973, no Porto, se aproximou do Partido Socialista, nos Estados Gerais que Guterres lançou. E ainda que seja descrita a sua participação no associativismo académico, nenhuma referência partidária é feita. Fica, então, a pergunta: Fernando Medina militou no Partido Comunista entre os 18 e os 22 anos de idade?

É que um indivíduo pode sair do estalinismo, mas o estalinismo nunca sai do indivíduo…

Fernando Medina é filho de Edgar Correia e de Helena Medina, que tiveram papel de grande relevo no Partido Comunista Português, de linha soviética estalinista. O pai, Edgar Correia foi um histórico dirigente comunista, partido no qual militou durante 37 anos, e pertenceu à Comissão

A verificação de factos existe desde o começo do jornalismo. Percebe-se que um órgão de comunicação tenha a preocupação de não espalhar mentiras e boatos para não perder credibilidade e, por consequência, deixar de ter leitores que são os que o sustentam. Isso é tarefa interna do órgão de comunicação que, quando dá uma notícia, deve certificar-se da sua correção.

Com o advento da Internet, meio onde qualquer um pode dizer o que entender, surgiu a preocupação com a desinformação que daí pode resultar. Deste modo, e principalmente desde a primeira década deste século, começaram a aparecer jornalistas e agências especializados na verificação de notícias e postagens cujo conteúdo levanta dúvidas.

A verificação de factos (fact-checking) é um jornalismo de segunda, que vive à custa do outro jornalismo e de postagens na Internet. Mas, pelo que se vê, deve ser rendível porque há cada vez mais verificadores de factos, pagos pelas redes, pelos meios televisivos e, quiçá, pelos governos e mesmo por organizações ou pessoas poderosas.

Entre os assuntos mais verificados, aparecem com frequência os que envolvem políticos. Por exemplo, alguém refere que o político X proferiu uma afirmação chocante e outras pessoas começam a partilhar esse facto e ele acaba por se tornar viral. Os fact-checkers entram logo em campo e vão à procura das fontes. Por vezes encontram-nas e conseguem classificar a afirmação de acordo com um leque de opções que vão do verdadeiro ao falso, passando por parcialmente verdade, descontextualizado, parcialmente falso, enganoso, etc., recorrendo amiúde a opiniões de “especialistas”.

Há ainda assuntos de interesse histórico como uma opinião, fundamentada ou não, sobre o que poderá ter acontecido em relação a certo facto histórico em alternativa à versão oficial que sobre ele exista. Nestes casos a referida opinião é chamada uma teoria da conspiração, como por exemplo defender que não houve Holocausto, que o homem não foi à Lua, que Jesus Cristo não existiu, etc. Os fact-checkers não se preocupam muito com estas opiniões porque não constituem um verdadeiro perigo para alguém em especial, acredite quem quiser…

Também há outras opiniões que podem ir da teoria da Terra plana à ovniologia, passando pela astrologia, magia negra, etc.. Também isto não preocupa os fact-checkers, até porque o jornalismo considerado sério serve-se por vezes delas para atrair gente que nelas acredita, ou quer acreditar, e os curiosos. Ler um horóscopo não faz mal, se for bom dá-nos alento, se for mau dizemos que é treta e pronto. Se um jornal noticiar acerca do aparecimento de um ovni, vende mais, apesar da notícia poder não corresponder à verdade. Os anúncios de astrólogos que prometem tudo curar, de males de amor a cancro, são bem-vindos nos meios de comunicação e não merecem atenção dos fact-checkers.

Poderia ainda dar-se vários outros exemplos de factos sobre os quais nenhum fact-checker se interessa e que podem ser patranha como a publicidade de suplementos alimentares, mágicos aparelhos de audição, planos de saúde com cobertura empolada, etc. Mas sendo fontes de rendimento para os órgãos de informação, como podem eles desmenti-los?…

Porém, certos líderes mundiais, principalmente se forem de direita, são alvo de fact-checking por pares. Por vezes nem é necessário a intervenção de agências verificadoras porque, no mundo esquerdino e politicamente correto em que vivemos, certas afirmações desses líderes são alvo de chacota, que, por si só, substitui o fact-checking. Foi o que se passou com o ex-presidente americano Trump em relação às acusações que fez à China sobre a origem do coronavírus e à defesa da hidroxicloroquina para tratar a doença. A maior chacota feita a Trump foi quando ele perguntou a um colaborador se não haveria um desinfetante que pudesse ajudar a combater a doença. Nas redes sociais, o desinfetante referido por Trump passou a ser produto de limpeza, lixívia, etc.

Outro líder alvo de fact-checking do tipo chacota nas redes é Bolsonaro, ele também defensor da hidroxicloroquina ou de que a doença não passa de um resfriado, o que é verdade para 98% dos infetados.

Mas há assuntos que nunca escapam aos fact-checkers e esses são os relacionados com as posições oficiais da ONU ou da OMS (que a maioria dos governos segue), principalmente as relativas à pandemia: aqui os fact-checkers das redes e sites de multimedia mostram-se zelosos em extremo a censurar tudo o que não está conforme às recomendações oficiais. A simples menção de algumas palavras como vacina, covid ou a referência a medicamentos não reconhecidos pela OMS, dá logo origem a alertas que acompanham a postagem. Algumas vezes chegam a apagar as postagens, entrevistas ou vídeos inconvenientes e bloquear os seus autores, sejam eles Trump ou um prémio Nobel.

Justifica-se o fact-checking pandémico pelo receio da “desinformação”? Isto quando os governos recorrem a estados de emergência, de contingência, calamidade, bloqueios, adotam medidas musculadas e prendem ou aplicam coimas aos que não cumprem as regras?… Até mesmo o recolher obrigatório foi imposto como se estivéssemos em estado de sítio…

A censura só é exercida por quem tem uma “verdade” que quer proteger como é o caso dos países com governos comunistas e totalitários.

A desinformação combate-se com informação útil e honesta, sem necessidade de censura. Porém, o Estado paternalista, e os diretórios das redes sociais, não reconhecem aos cidadãos a capacidade de julgar o que está certo ou errado. Estaremos já perante um poder mundial autoritário, cuja verdade é única e inquestionável?…

Reivindiquemos por isso o direito à “desinformação”. Porque já não se sabe exatamente separá-la da “informação”. Os fact-checkers não têm autoridade para estabelecer o que está certo ou errado. Mesmo que recorram a especialistas. Os especialistas nem sempre estão certos, nem seguros, como se pôde já sobejamente constatar nesta pandemia.


Henrique Sousa

Reivindiquemos, por isso, o direito à “desinformação”.