SNS: Sangue Novo na Saúde

O primeiro-ministro António Costa, após a demissão da ministra da saúde Marta Temido, nomeou, sem pressa, o colega de partido de longa data, Manuel Pizarro, para a substituir.

Pizarro, que cumpria o mandato de eurodeputado a ganhar o dobro de um ministro português, deixou o Parlamento Europeu para liderar o Ministério da Saúde. Foi Secretário de Estado da Saúde nos dois governos de José Sócrates (XVII e XVIII), o mesmo primeiro-ministro que, depois de ter deixado o Governo, foi acolhido pela empresa de Paulo Lalanda Castro, vendo-se depois envolvido no escândalo dos negócios do sangue daquela empresa, representante do grupo farmacêutico suíço Octapharma. Um escândalo que envolveu também o Hospital de S. João, no Porto.

Coincidentemente ou não, o novo ministro da saúde resolveu convidar para Diretor Executivo (CEO) do SNS – um cargo que ainda não existia e que foi criado pelo novo estatuto do SNS –, o médico Fernando Araújo, atual Presidente do Conselho de Administração do Hospital de S. João, no Porto, que já tinha sido Secretário de Estado no governo anterior de António Costa e que tem um vasto currículo em cargos de direção no setor.

Em 16-9-2022, a CNN Portugal fez um artigo de “promoção” do futuro CEO do SNS, Fernando Araújo. Ao mesmo tempo que se retira ao ministro a responsabilidade pelos falhanços do SNS, valoriza-se o nomeado para o novo cargo.

Fica, assim, imunizado o ministro e o governo dos fracassos, usando a solução Graça Freitas, alienando a culpa do Governo para um funcionário.

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  • Se não erro quem esteve no caso do sangue no H S. João foi um antigo Presidente do Conselho de administração do S. João, vinha de Director do Serviço de Imuno-hemoterapia do mesmo Hospital, depois foi para Presidente da ARSLVT, viveu num prédio que dá para o Marquês de um ex PM que não digo o nome, mas que esteve a estudar Filosofia em Paris.

    • É curioso como tudo gira em torno do sangue, não é?

  • Curioso é também como círculo, entenda-se de que âmbito, se fecha. O Porto é uma cidade de excelência, já muitos ilustres portistas sofrem de um defeito que chega a ser doença, são como a Rússia, sofrem de complexo de inferioridade, como bem os descrevia Dostoiévski.

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