Sínodos e “assassínodos”, relatórios e “relotários”

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A desculpa do “Relatório de Portugal” do Sínodo 2021/23 ser antes o resultado de uma auscultação, ao invés de uma legitimação, como se tem ouvido a propósito da “Carta Aberta sobre o ‘Relatório de Portugal ao Sínodo 2021-2023′“, é deveras falaciosa.

Desde logo, porque os autores do relatório tiveram de fazer uma selecção prévia aos registos obtidos em cada diocese, o que por sua vez pressupõe uma análise crítica.

Daí que, se por um lado nestes registos figuravam as mais variadas absurdidades, autênticos atentados à Fé cristã, imposições de caprichos ideológicos e exibições de ignorância do que seja a vivência da fé católica em Portugal, por outro não há dúvidas que foi uma decisão dos autores do relatório considerá-los e enunciá-los como críticas legítimas.

Por certo, se houvesse muita gente a achar que a Igreja precisa de adorar o Diabo, isso também deveria ser, segundo as sumidades redactoras desta peça de tragicomédia, discutido respeitosamente.

Facto é que a iniciativa de apontar mudanças pertence, à partida e por razões óbvias, aos infiltrados e traidores (quais Judas Iscariotes), pelo que a existência de critérios selectivos em qualquer auscultação institucional (mesmo num Concílio) que evitem tal viés de favorecimento dos inimigos, deveria ser um ponto de honra e um dado adquirido.

Mas não é: a opinião de quem quer a “democratização da Igreja” (um paradoxo bacoco, já que a Igreja é hierárquica na sua fundação) é colocada no mesmo patamar de legitimidade que a opinião de quem pudesse querer uma Igreja que fosse um contra-poder efectivo, descolada do regime socialista, abortista e corrupto; a opinião de quem quer discutir a “expressão de género” (uma teoria neomarxista sem pés nem cabeça) lado-a-lado com a opinião de quem pudesse, sei lá, querer acabar com o tabu do encobrimento de abusadores sexuais, prevaricadores e sodomitas nos seminários? E assim por diante…

Assim, antes de tudo, torna-se imperativo definir o conceito de «crítica católica» e daí desenvolver filtros de aceitação, pois de outro modo mais vale esquecer o Sínodo e começar a dar catequese a sério, especialmente aos autores deste pseudo-relatório – a derradeira síntese.

Tudo isto é ultrajante e francamente inacreditável. É como se Cristo mandasse calar um demónio durante este Sínodo, como na sinagoga de Cafarnaum, e os seus discípulos retorquissem: “Mas ele também tem direito a ter opinião, temos de respeitar”…


Maciel Rodrigues

* O autor escreve segundo a anterior norma ortográfica.

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Latest comments

  • Muito bem!

    • É um bom artigo, está muito bem escrito.
      A Igreja em Portugal perdeu o Norte, a sua Fém em Cristo há mais de 40 anos, tendo-se deixado infiltrar por servos de Satanás, trazidos pelas funestas liberdades de Abril, crimes mil!
      Desde que um punhado de militares, que como traidores cuspiram no Juramento de Bandeira e cometeram um golpe de Estado, os servos de satanás invadiram livremente Portugal e muita coisa mudou… e continua1
      Começaram por trair e abandonar os povos do Ultramar com as tragédias conhecidas, como mais de 4 milhões de mortos e mais de 12 milhões de pobres, frutos das guerras civis, das roubalheiras baptizadas de nacionalizações e consequente destruição do tecido empresarial nacional.
      No sentido de poderem vir a dominar Portugal, infiltraram-se no seu pilar Moral e Social, a Igreja!
      A falta de fé, nota-se no facto da maioria dos padres andar mascarado, de camuflado à civil. Desta forma, não se distingue da anónima multidão, como deveria!

  • O relatório da CEP resume em duas páginas o pontificado de Francisco, e boa parte da cúria romana e dioceses do ocidente.
    Os signatários da carta estiveram em coma profundo nos últimos 8 anos, e agora de repente acordaram para a denúncia?
    Ou é mais fácil ser forte com quem é fraco?

  • Considero que tem a ver com a chamada teologia da libertação de que Francisco é um dos seguidores.
    Não gosto de hipócritas e a hipocrisia e a infiltração da Igreja Católica existe
    É socialista não pode ser católico por ser marxista, a Igreja está em guerra, contra os hipócritas seguidores do hipócrita Lutero.
    Já foram desmascarados, os jornalistas cães de trela de jornais pertença de grupos económicos de “empresários” que vivem com o dinheiro que deveria ser utilizado no país e para o bem público, assim temos censura a que chamam de informação.
    Há que expulsar os vendilhões do templo.
    Há gente com a qual não se deve tão pouco dialogar, deve-se deixar o cão ladrar, espumar de raiva, ficará confuso e morrerá de raiva.

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