Sete “teorias da conspiração” admitidas em 2020 e 2021

Quase todas as semanas somos informados da existência de novas teorias da conspiração, porém, os últimos dois anos provaram-nos que nem sempre são impossíveis de se tornarem realidade.

A expressão “teoria da conspiração” ganhou popularidade por ocasião do assassinato de John F. Kennedy, quando alguns começaram a falar da possibilidade de ter havido uma conspiração da CIA para tirar a vida ao então presidente dos EUA.

Desde então, muitas polémicas de alcance mundial se sucederam trazendo consigo inúmeras explicações – umas mais simplistas, outras mais elaboradas –, para acidentes, acontecimentos estranhos ou escândalos obscuros.

A adjetivação de “teórico da conspiração” também passou a ser usada (pejorativamente) para carimbar qualquer pessoa que coloque hipóteses absurdas ou não comprovadas, como a Terra plana ou a existência de extraterrestres.

A equiparação de qualquer um que questione a narrativa oficializada a um “chalupa” tem o efeito de dissuadir a investigação em torno de determinado facto controverso ou por explicar.

Posto isto, selecionei sete “teorias da conspiração” que se tornaram realidade nos últimos dois anos.


1. Pandemia

Antes da pandemia da COVID-19, também a pandemia da Gripe A (H1N1) originou uma polémica sobre corrupção entre a Organização Mundial da Saúde (OMS) e multinacionais farmacêuticas – responsáveis pelo fabrico de novas vacinas – ao originar “pânico injustificado sobre riscos de saúde“. Tal como agora, os primeiros cenários de mortalidade foram apocalípticos, tendo acabado por apresentar uma letalidade bem inferior à inicialmente especulada. Na sequência da alegada “fraude”, a organização de direitos humanos Conselho da Europa emitiu uma resolução onde ‘puxava as orelhas’ à OMS, pedindo “mais transparência”.

Rapidamente começaram a surgir as ditas teorias, existindo inclusive vídeos que especulavam as vantagens de ser criada uma pandemia propositadamente, como a centralização de dinheiro e poder em certas elites.

Mais recentemente, uma cidadã americana intuia, em setembro de 2019: “A próxima pandemia está já ao virar da esquina”.

Certo é que a pandemia tomou conta das nossas vidas e, passados dois anos, continua a ser objeto de muitas perguntas sem resposta, desde o ruído estatístico de mortes atribuídas à COVID-19, passando pela alegada cientificidade das medidas adotadas, até aos lucros sem precedentes da parte das Grandes Farmacêuticas e Tecnológicas.


2. “São só duas semanas até achatar a curva”

Um achatar de curva que se tornou interminável, pela imposição de sucessivos estados de emergência e confinamentos, com perda progressiva de direitos, liberdades e garantias. O tempo acabou por dar razão aos “chalupas”, que garantiam que tais exceções se prolongariam e viciariam os governos em demasia, abrindo gravíssimos precedentes um pouco por todo o mundo ocidental, habituados que ficaram à obediência das populações.


3. Great Reset & Build Back Better: “Em 2030 não possuirás nada e serás feliz”

A teoria de que haveria a necessidade, mais tarde ou mais cedo, de fazer um reset ao sistema financeiro que beneficiaria as elites capitalistas e banqueiro-financistas, foi oficialmente reconhecida em junho de 2020. O Fórum Económico Mundial admitiu, em destaque no seu site, que a pandemia é, afinal, uma “grande oportunidade”. Uma proposta do Conselho Global do Futuro já tinha previsto, em 2016, que o cidadão comum não será proprietário de nenhum bem em 2030, e será feliz com isso.

Hoje assistimos a um aumento notável do endividamento das nações e das famílias, e o surgimento de negócios com base em empréstimos e leasings: muita gente considera já não valer a pena ser proprietário de um carro ou de uma casa, optando pelo pagamento mensal de alugueres a grandes empresas.


4. Origem laboratorial do SARS-CoV-2

A hipótese da origem laboratorial do coronavírus foi durante mais de um ano rebatida como uma conspiração americana, um ataque à China, uma demonstração de xenofobia. Ninguém podia acreditar que a existência de um laboratório de virologia na cidade epicentro da pandemia era prova suficiente para declarar a sua causa, e os especialistas insistiam na hipótese do surgimento natural através de um processo denominado por “zoonose” (transmissão de vírus entre espécies diferentes).

Até maio de 2021, dizer “vírus chinês” era considerado conspiracionismo. A verdade é que a hipótese “absurda” e “demasiado óbvia”, inicialmente formulada pela Administração Trump, acabou por ser confirmada, já sob a alçada de Biden, como a mais provável para o surgimento do vírus.


5. COV(ID): Certificado de vacinação e identificação

Antes do certificado de vacinação ser introduzido na União Europeia como passaporte, foi ele mesmo objeto de várias teorias conspirativas. Já muitos diziam, nas catacumbas das redes sociais, que mais tarde ou mais cedo surgiria a necessidade de distinguir quem está vacinado contra a COVID-19 de quem não está, introduzindo “certificados” e criando um apartheid de exclusão da sociedade de quem resiste às inoculações.

A própria sigla COVID foi alvo de especulações, como a teoria que dizia que a sigla significava Certificate Of Vaccination IDentification (Certificado de Vacinação e Identificação) em vez de CoronaVÍrus Disease (Doença de Coronavírus).

A discussão oficial do significado da sigla era irrelevante diante da questão do “certificado”, pois passou o tempo e, mais uma vez, os “negacionistas” e os “cépticos” eram os ingénuos que preferem sempre aguardar por discursos oficiais do que pôr a cabeça a funcionar.


6. Vacinação periódica

A mais recente teoria da conspiração a ser cumprida. Apesar da “vacinação completa” ser inicialmente referente à toma de uma ou duas doses das vacinas, o presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa falou pela primeira vez na necessidade de vacinação periódica em 12-6-2021, sendo que essa possibilidade já tinha sido anunciada em abril, quando saíram os primeiros estudos da imunidade da Pfizer, apontando para uma periodicidade anual, como a da gripe.

A 27-8-2021, Biden admitiu considerar uma periodicidade de 5 em 5 meses, e recentemente o Reino Unido colocou a periodicidade em 3 meses. O CEO da Pfizer já admitiu, entretanto, que poderá ser necessário um segundo reforço (quarta dose), por causa da nova variante Ómicron, e Bruxelas anunciou a caducidade dos certificados apenas “9 meses após a última dose”, chantageando as populações a tomar o reforço e estendendo todo o sistema às crianças de 5 anos.

O governo português, por seu lado, acaba de instituir um autêntico sistema de castas, que distingue cidadãos pela quantidade de doses de uma vacina supostamente facultativa.


7. Censura

Também a censura está de volta à ordem do dia.

Depois do escândalo da censura prévia do programa Sexta às 9, ainda em 2019, em plena campanha eleitoral, da saída da Ana Leal da TVI em 3-7-2021, acusando pressão do primeiro-ministro António Costa e do Diretor de Informação, da aprovação da Carta Digital dos Direitos Humanos na Era Digital, vulgo Lei da Censura – que obrigou Marcelo a fazer um pedido de fiscalização sucessiva de um dos artigos da lei –, dos fact-checkers em parceria com o Facebook (que podem reduzir o alcance de publicações de média alternativos até 80%), também o jornal Público justificou recentemente a “despublicação” da opinião do anestesiologista Pedro Girão, desfavorável à vacinação universal de jovens, fundamentando-se no “relativo consenso científico” em torno do tema.

A polémica já mereceu a publicação de um “Manifesto em defesa da liberdade de expressão“, assinado por quase 2.000 pessoas, entre elas personalidades como Paulo Morais, António Garcia Pereira e Fernando Nobre.


Maciel Rodrigues

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