Covid: Governo sacode a água do capote

Não há culpados, mas sim uma doença que levou às medidas de confinamento geral em janeiro, disse a ministra da Saúde, Marta Temido, segundo a agência Lusa, em notícia de 25-02-2021. Mas avisou que “há muito caminho para fazer”.

“Não há culpados, há uma doença. Somos todos portugueses”, disse Marta Temido no final do debate na Assembleia da República sobre o relatório do estado de emergência entre 16 e 30 de janeiro. Foi neste período que foram registados o maior número de casos de COVID-19, óbitos e internamentos nos hospitais.

O encerramento das escolas a 22-01-2021 foi culpa da nova variante do Reino Unido e das “medidas tradicionais não serem suficientes para responder à transmissão da infeção”.

Também afirma a ministra que “esta tendência foi invertida e é isso que vale a pena sublinhar”, frisando que janeiro foi o mês com mais testes realizados desde o início da pandemia.

A deputada do PSD, Sofia Matos, referiu que Portugal é o pais da União Europeia que menos testes está a realizar, ao que Marta Temido respondeu: “Portugal é o sexto país da UE em número de testes realizados por milhão de habitantes e há pessoas que devem estar a ler números errados”.

“Estamos hoje melhor do que aquilo que estávamos, mas não estamos ainda no sítio onde queríamos estar”, lembrando que foi a 2-8-2020 que Portugal registou o número mais baixo de novos casos e zero óbitos desde o início da pandemia.

A concluir, disse que “é neste caminho que não vamos faltar aos portugueses, não com soluções fáceis, porque elas não existem. Não é quebrar patentes que garante a capacidade produtiva para vacinas, não é dizer que não planeamos que resolve aquilo que falta fazer. O que falta fazer faz-se com trabalho, estudo, dedicação e sobretudo com argumentos verdadeiros”.

Não podemos deixar de recordar que em setembro passado, António Costa já responsabilizava os portugueses pelo descontrolo da pandemia, caso não alterassem comportamentos. Nessa altura, temia-se que os casos positivos diários de SARS-CoV-2 atingissem os mil por dia. Chegados a janeiro de 2021, foram atingidos dez mil casos diários. A maioria das mortes situa-se na população idosa residente em lares, o que nos remete para a declaração de The Great Barrington que nunca foi alvo da atenção do governo e que podia ter salvado vidas.

O que se observa, e lê, é que a maioria da população interiorizou esse sentimento de culpa que os responsáveis políticos fazem questão de assinalar. E a comunicação social “comprada”, com as suas reportagens a incidir neste ou naquele mau comportamento dos cidadãos punidos com multas, não visa desmistificar essa culpa, pelo contrário ainda a torna maior.

A boa gestão de uma pandemia consegue-se com a adesão consciente dos cidadãos, orientados de forma percetível e razoável, e não com um governo a correr atrás dos danos.

Mas já podemos agora dormir mais descansados porque a ministra da Saúde veio agora dizer que “não há culpados, mas sim uma doença”.

Haver ou não culpados não fará desaparecer nem a doença nem irá trazer consolo a todos os que perderam empregos, negócios, contraíram mais dívidas e vão pagar mais pelos empréstimos que beneficiaram das moratórias.


Henrique Sousa
Sub-Diretor do Inconveniente

*A imagem deste artigo foi editada.

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