Raízes do negacionismo Covid

Condenar e combater o negacionismo sem o perceber, é um exercício de poder que só pode exacerbá-lo. Senão, vejamos:

O cidadão que se atreve a pôr em causa as verdades oficiais é censurado, ostracizado e menosprezado pelos media dominantes (a mando dos governos que os controlam) e pelas redes sociais, conluiadas com organizações internacionais. Naturalmente que o cidadão discordante julga estar a incomodar alguém que quer esconder algo, e pode levá-lo também a pensar que existem propósitos inconfessáveis por detrás das verdades oficiais sobre a Covid.

É fácil identificar diversos projetos apoiados a nível internacional e que orientam a atuação dos governos, justificando o zelo no controlo das ideias e opiniões contrárias às suposições que suportam aqueles projetos, e desmistificando a bondade dos mesmos. Os fins a alcançar por esses projetos justificam a censura, a ostracização e o menosprezo do cidadão que ousa ter uma opinião que põe em causa a bondade e a necessidade dos mesmos.

As organizações internacionais como a ONU, o Banco Mundial, a OMS, etc., caíram na tentação de exercer poder dissimulado sobre o mundo, poder esse legitimado por um certo prestígio mas contestável na medida em que colide com as leis dos países, nomeadamente com as respetivas leis fundamentais. A liberdade de expressão, por exemplo, está consagrada na Constituição da República Portuguesa no seu art.º 37º. Logo por aqui, a censura nos media e nas redes sociais é ilegal em Portugal, apesar de ser apoiada pelas organizações internacionais e praticada nos media, redes sociais, sites de vídeos e outros, com o beneplácito do nosso governo.

É um facto que o lóbi climático conseguiu transformar uma teoria com mais de um século (aquecimento global provocado por efeito de estufa) em verdade científica inquestionável e uma das principais preocupações da ONU. Na suposição de que o principal responsável pelo aquecimento global é o excesso de emissões de CO2 por parte do homem, a política global está apostada em reduzir as emissões até se atingir aquilo a que se chama hoje de neutralidade carbónica, isto é, emitir tanto CO2 quanto aquele que se captura.

O objetivo de reduzir as emissões de CO2 está hoje acima de todos (mesmo o da eliminação da fome e miséria no mundo) e justifica tudo. Mas é um objetivo extremamente ambicioso, contrariado pelo aumento da população mundial que, nos últimos cem anos, cresceu sete vezes. Além disso, outros objetivos globais corroboram e reforçam a necessidade do primeiro.

O crescimento da população tornou-se, assim, o segundo maior “problema” global que preocupa as cúpulas mundiais, dando origem a um objetivo ainda mais ambicioso que é o da contenção ou mesmo redução da população global. É também factual que existem propósitos de implementar estratégias para conter o crescimento demográfico o que, supostamente, resolverá os problemas da fome, da miséria e… do aquecimento global antropogénico.

A contenção do aumento populacional e a sua redução (se possível) é, pois, um dos principais objetivos para conseguir a almejada neutralidade carbónica que vai manter a temperatura global da Terra abaixo de um certo valor crítico, que poderá desencadear enormes catástrofes que alegadamente se pretende evitar. A par da contenção e/ou redução da população, o abandono gradual dos combustíveis fósseis com a chamada transição energética e climática contribuirá para se atingir a neutralidade carbónica.

Nenhum destes propósitos globais é secreto, eles são do conhecimento de qualquer cidadão bem documentado e informam as estratégias governamentais de vários governos, incluindo o português. Exemplo disso é o destino das verbas da UE, que deviam servir para ajudar as empresas e pessoas afetadas pela pandemia mas vão ser usadas para acelerar a transição climática e energética. Razão tem a Greta Thunberg em misturar a crise pandémica com a crise climática!

O objetivo de controle da população mundial apresenta outra “vantagem” que pode estar na origem da sua “necessidade urgente” e que utiliza a falácia do aquecimento global como desculpa.

De facto, se a população mundial não aumentar, e sabe-se que esse aumento se dá nas regiões mais pobres do globo, a pressão que ela exerce sobre o mundo civilizado através das migrações, será menor. A manutenção do estilo de vida civilizado estaria em risco com a invasão dos novos “bárbaros”. Este argumento pode iludir todos quantos sentem o aumento da população como uma ameaça iminente.

Mas qualquer que seja a verdadeira necessidade do controlo demográfico, existe, de facto, esse propósito do controlo da população e há estratégias em curso para conter ou reduzir a população mundial.

É neste quadro que surge a pandemia, cuja consequência mais grave se relaciona com as mortes, mas mortes que, na perspectiva da contenção/redução da população, são uma ajuda. Também as consequências económicas da pandemia podem contribuir para a redução da natalidade e, consequentemente, serem um fator de contenção/redução da população mundial.

Sendo certo que existe uma intenção de cúpula de conter o aumento da população mundial, é legítimo que alguns receiem que possa estar a haver um aproveitamento da pandemia para alcançar esse objetivo. Mas isso seria macabro demais, pensarão os que não creem que organizações respeitáveis possam estar a aproveitar-se desta pandemia para atingir um objetivo tão vil como o da redução da população. Haverá outros que, tendo conhecimento de coisas macabras que de facto aconteceram no mundo, como os genocídios nazis e comunistas, não descartam à priori essa possibilidade. E, talvez por isso, imaginam que haja um complô envolvendo personalidades prestigiosas (Thedros, Bill Gates, Soros e outros) para levar avante uma nova política de extermínio moderna.

Há quem se questione também, na mesma linha de desconfiança, sobre a bondade das medidas que estão a ser tomadas para combate da pandemia. Será que o confinamento resulta? Há países que não confinaram e estão iguais a outros que confinaram. Será que a única coisa a fazer é esperar pela vacina e nada mais pode ajudar a combater a pandemia? Por que se bloqueiam outras medidas farmacológicas e se aposta apenas nas vacinas, no distanciamento social, nos lockdowns e na destruição da economia?

O cidadão desconfiado (ou escaldado dos horrores do passado) é também levado a questionar-se sobre a bondade das vacinas. Para se atingir a tal imunidade de grupo, há que vacinar 70% ou mais da população mundial. E se essas vacinas, desenvolvidas tão rapidamente, se destinam afinal a reduzir a população? Estaremos a ser esterilizados, ou há efeitos a longo prazo ainda desconhecidos?

Claro que tudo pode não passar de imaginação fértil e desconfiada. Porém, quanto mais as autoridades se escudam na censura e no combate ao negacionismo, mais razão há para crer que há motivos inconfessáveis atrás desta pandemia.

Pelo contrário, se as autoridades mundiais retirassem o risco da população para o aquecimento global e as ações climáticas da sua agenda, bem como os planos de ação sobre a população mundial como solução de todos os males do mundo, seria um passo importante para acabar com a desconfiança reinante e o negacionismo Covid.

O negacionismo Covid não nasce do nada, está assente em raízes históricas recentes e profundas que não podem ser reduzidas a meras birras de alguns “terraplanistas” ou dos que acham que o Homem não foi à Lua ou que o 11 de Setembro foi um ato da CIA, opiniões que circulam livremente sem qualquer censura.


Henrique Sousa
Editor de Energia e Ambiente do Inconveniente

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Latest comments

  • É caso para se dizer que disparando-se negacionismos em todas as direcções dá margem de manobra para todas as universais trafulhices enquanto se proclama que não é possível enganar-se todo o mundo.

    Mais, se os nagacionistas não se manifestarem, há que dizer tudo e o seu contrário (tudo certezas científicas) até que eles se revelem.

    … como é a história dos espanhóis e das bruxas?

  • Artigo muito interessante.
    O negacionista em geral, defendendo que “Uma determinada realidade não existe – por exemplo shoah, covid-19 etc”, sente-se autorizado e justificado a viver e a comportar-se à margem dessa mesma realidade.
    Isto vale a nível individual e colectivo, aplica-se dentro das paredes domésticas e a governantes e governados dos vários países do mundo. Como a tomada de consciência e aceitação dum facto que nos choca, incomoda ou mete a nu a nossa incapacidade e/ou impotência, implica uma tomada de posição, o negacionista exime-se também da responsabilidade das suas acções.
    Vive como se a coisa em questão não lhe dissesse respeito, sentindo-se também legitimado a adoptar comportamentos contra toda e qualquer regra, lei ou solidariedade social.
    Um dito popular antigo diz de quem nega despudoradamente um facto, contra toda a evidência”: “É capaz de dizer que Deus é o diabo.”

  • “Uma determinada realidade não existe”

    Várias “realidades”:

    Crianças não usarem máscara é perigoso.

    Crianças não se devem tocar por ser perigoso.

    Máscaras são capazes de aplacar o vírus por mais que um par de minutos.

    Sempre se usaram máscaras para aplacar vírus.

    Um vírus, que é manipulado em laboratório com os manipuladores literalmente vestidos de escafandros vai ser aplacado, depois de libertado, com máscaras. As torres de incineração para onde é aspirada a atmosfera dos locais onde se manipulam vírus não são necessárias fora dos laboratórios, basta as máscaras.

    As pessoas devem manter-se voluntariamente presas em casa, sem abrir janelas porque o ar livre é perigoso.

    As pessoas devem andar de carro de máscara mas de janela aberta.

    As pessoas não se devem aproximar mas podem fazê-lo nos transportes públicos por haver uma acordo especial com o vírus.

    O SNS não estava de pantanas antes da peste se declarar e melhorou depois dela aparecer.

    A estatística oficial demonstra que a peste fez desaparecer todas as outras doenças. Descobriu-se uma vacina de aplicação universal mas ainda é segredo.

  • É mais reconfortante e fácil acreditar.
    Falsa sensação de segurança.
    Fácil governação/manipulação.

    É extremamente trabalhoso e doloroso tentar ser o mais independente possível.
    Dúvida é um estado permanente.
    Difícil governação/manipulação.

    Negacionista é um termo que se tornou tão abrangente e tão banal que não significa nada. Até se torna ridículo rotular alguém de negacionista. Quando falta argumentação, dispara-se de forma maliciosa, a acusação de negacionista. Tal como revisionista, agora vai-se alterando a história porque afinal parte, era baseada em crenças.

    Governantes, instituições internacionais, cientistas, meios de comunicação social, etc, criaram este estado de medo porque desta forma é muito mais fácil governar…

    É interessante ver a argumentação usada por pessoas que não queriam levar a vacina, mas depois de “fortemente incentivados”(democraticamente…), acabaram por a levar e agora, a nova argumentação.

    “A estatística oficial demonstra que a peste fez desaparecer todas as outras doenças.”
    lol Bingo. Os negacionistas (nada significa mas dá estilo), conseguem ver cada coisa… lol

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