Preparem-se para o lockdown climático

Andrea Januta, jornalista de investigação da agência Reuters, refere, em artigo publicado no dia 30-3-2021, que cada vez mais economistas do clima dizem que o mundo devia tomar “ações imediatas e drásticas” para enfrentar as alterações climáticas.

Não agir, isto é, não tomar ações imediatas e drásticas poderia custar ao mundo quase 2 mil milhões de dólares por ano em meados desta década, podendo aumentar para 30 mil milhões por ano até 2075, de acordo com estimativas de 738 economistas de todo o mundo entrevistados pelo Instituto de Integridade de Políticas da Universidade de Nova York.

Três quartos dos entrevistados apoiam a tomada de medidas drásticas imediatamente, em contraste com apenas metade dos economistas ouvidos pelo mesmo instituto em 2015.

Sobre a questão de como alcançar as emissões líquidas zero até 2050, dois terços disseram que os investimentos1 para alcançar essa meta global seriam compensados pelos benefícios económicos, que incluiriam prevenção de desastres naturais, preservação das infraestruturas costeiras e segurança do abastecimento de alimentos.

Para evitar uma mudança climática catastrófica, os cientistas dizem que o mundo precisa atingir a emissão líquida zero até 2050, isto é, conseguir que as emissões sejam iguais às remoções.

Derek Sylvan, um dos autores do estudo, ficou surpreso com o fato de tantos considerarem a ação líquida zero desejável a curto prazo.

A maioria dos economistas do clima entrevistados atribui os desastres naturais dos últimos anos (incêndios florestais, ondas de calor, etc.) à mudança climática. O mundo assistiu a mais de 7.300 grandes desastres naturais entre 2000 e 2019, que mataram cerca de 1,2 milhões de pessoas e custaram 3 mil milhões de dólares em prejuízos, de acordo com o Escritório da ONU sobre Redução de Risco de Desastres. Nos 20 anos anteriores ocorreram 4.200 desastres, com o mesmo número de mortos mas metade do prejuízo, mostram os dados.


1* Só em energia limpa são necessários investimentos de 3 a 5 mil milhões de dólares por ano para que o aumento da temperatura global não ultrapasse, até 2050, 1,5 º C.


* Os realces a negrito são da redação do Inconveniente

Nota do Inconveniente:

O discurso climático catastrofista, a subir cada vez mais de tom nos meios de comunicação social, não augura nada de bom. Sobretudo agora, depois desta experiência social com a pandemia e em que se provou que é possível trancar as pessoas desde que o medo atinja um certo patamar, uma campanha climática bem orquestrada também pode levar-nos a aceitar ações imediatas e drásticas, quiçá viver com racionamento de energia e um novo lockdown da economia.



Henrique Sousa
Editor de Energia e Ambiente do Inconveniente

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