Precisa-se de pais – 2

Como escrevi no artigo anterior, a tarefa dos pais é a mais árdua dos nossos dias. A sua alienação da educação dos filhos, que tem vindo a ser proposta, legislada e imposta pelo Estado, ameaça expropriar os pais da educação dos seus filhos e, à semelhança de qualquer governo totalitário de má memória, o Estado passará a ser o grande educador.

Os pais cristãos/conservadores, por culpa própria, têm vindo a perder qualquer direito a educar e a exercer os seu direito de decidir sobre o ensino que querem para os seus filhos. A Escola estatal (pois, públicas, são todas) passou a ser dona e senhora da educação (não do ensino) e os pais ficam, literalmente, do lado de fora dos portões. Todos os dias há crianças a verem a sua fé (transmitida pelos pais, claro) ridicularizada e os valores e princípios familiares achincalhados. Professores, que ainda não cederam à pressão, gritam por socorro e desejam ver os pais mais actuantes, mas exigentes, mais presentes, mais… pais!

Por exemplo: Quantos pais pedem informações detalhadas sobre os objetivos educativos de disciplinas como cidadania, visitas de estudo e de outros eventos da escola?

Não é triste constatar que, enquanto os pais de esquerda se opõem e se queixam, por haver tarefas associadas a celebrações cristãs centrais, os pais cristãos vão deixando que essas celebrações sejam retiradas do calendário? Não é a quem as celebra que cabe defender a celebração dos símbolos do Natal do Nascimento de Cristo e não a Popota, a Páscoa do Cordeiro de Deus (Crucificação/Ressurreição/Ascensão) e não a do Coelho? O dia da mãe e do pai? O que as nossas crianças celebram é importante.

Fazer vassouras, gatos, bruxas e ver filmes de “terror” para celebrar a Noite das Bruxas é celebrar a agenda pagã abraçada pela esquerda do culto aos deuses da natureza, a quem eram sacrificados animais e até crianças para acalmar a ira do trovão, do relâmpago… Não se deve comemorar o pavor e a violência. O trick era um severo castigo a quem não contribuísse para os sacrifícios; o treat era uma espécie de nabo/abóbora para quem contribuísse. Bruxas, Mortos-Vivos, Lobisomens e máscaras degoladas com sangue são imagens  do mal, que não devem ser celebradas.

O mal tem de se chamar mal; o bem, bem. Não podemos tornar a semana das bruxas algo obrigatório, enquanto a palavra Natal tem vindo a ser censurada e retirada da escola estatal, por ordem da Direção, em nome de um suposto laicismo.

Ser laica, não é acabar com todas as formas de religião. Viver num Estado laico pressupõe que há lugar para todos e que ninguém é excluído por causa da religião que professa. Não significa ignorar a nossa matriz de identidade religiosa e cultural. Um Estado laico não é um Estado ateu, que impõe o ateísmo. Não podemos deixar que o socialismo atire a nossa cultura e os nossos valores para o lixo.

Não mandamos os nossos filhos para a escola para que sejam reeducados.   

Pais, têm de sublinhar que a linguagem importa! A palavra “sexo” não pode ser censurada. Urge explicar que sexo e género não são sinónimos e, que quando são apresentados como tal estamos diante de uma ideologia.  Os professores devem usar a palavra sexo quando se referem ao domínio biológico. O facto de uma ou outra criança se sentir desconfortável como seu corpo, com o seu sexo, não transforma o sexo em género. O género, esse, sim, uma construção social, não pode sobrepor-se ao sexo. O sexo é biológico e imutável. O género, tal como os sentimentos das crianças, é fluído. A leitura pessoal que alguém faz de si mesmo, contrariando a realidade e desejando, por isso, envidar esforços para a alterar não deve ser apresentado como algo bom e desejável por todos. Afinal, ninguém precisa alterar o que já é, só o que não é.

É importante conhecer os argumentos dos Defensores da Ideologia de Género e desconstruí-los de forma racional, usando por vezes a sua argumentação ao contrário, sem pedir desculpa por o fazer… Também é importante “não procurar inventar a roda” e ir buscar argumentos como os de Ben Shapiro e de outros escritores/comentaristas/palestrantes de pensamento conservador e dar a conhecer vídeos simples, com informação concisa, a outros pais e professores.

Negar que uma pessoa nasce homem ou mulher e que essa é uma realidade pré-existente não é liberdade, nem tolerância, nem inclusão, mas sim uma negação da verdade científica/natural acerca da humanidade.

Como é que permitimos que uma pequena minoria, cujas tendências sexuais diferem da larga maioria, conseguisse fazer dos seus interesses sexuais a causa principal e dominante da revolução cultural em curso? Será que esse activismo contribui para a resolução dos problemas que afligem a sociedade no seu todo? Ou, será que os agrava, desintegrando a família e aumentando a crise demográfica?

Vamos à luta!


Maria Helena Costa

* A autora escreve segundo a anterior norma ortográfica.

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