Precisa-se de Pais – 1

A tarefa dos pais é a mais árdua dos nossos dias. A sua alienação da educação dos filhos, que tem vindo a ser proposta, legislada e imposta pelo Estado, ameaça conduzir a sociedade ao colapso.

O poder paternal tem vindo a ser tenazmente atacado pelas maiorias socialistas que vão (des)governando o país, e a Escola é o instrumento capturado para linha de montagem de futuros idiotas (in)úteis, facilmente manobráveis por aqueles que os desconstruíram e voltam a construir à imagem e semelhança da ideologia imposta, que almeja criar o homem novo, sem cor, nem Deus, nem fado, feliz por ter pouco pão e muito circo.

Afinal, não há nada de novo debaixo do sol, e quem leu 1984 parece estar diante de um déjà vu ao recordar as palavras de O’Brien enquanto torturava e elucidava Winston:

«Tens de pôr de parte essas ideias do século XIX acerca das leis da natureza. Nós fazemos as leis da natureza. […] As estrelas podem estar perto ou longe, conforme nos convenha. Já te esqueceste do duplopensar? […] O poder autêntico, o poder pelo qual temos de lutar noite e dia, não é o poder sobre as coisas, mas sobre os homens. […] O poder consiste em desagregar a mente humana para a reconstruir sob uma forma vaga, sob a forma que entendermos dar-lhe. Começas agora a ver que tipo de mundo estamos a criar? Precisamente o oposto das estúpidas utopias hedonistas que os antigos reformadores imaginaram. Um mundo de medo, traição e tortura, mundo onde se pisa e se é pisado, mundo que se tornará mais impiedoso, e não menos, à medida que se for aperfeiçoando. As antigas civilizações afirmavam basear-se no amor e na justiça. A nossa baseia-se no ódio. Não haverá lugar para outras emoções além do medo, da raiva, da humilhação e do triunfo. Tudo o mais será por nós destruído. Tudo! Já hoje estamos a liquidar hábitos mentais que sobreviveram dos tempos anteriores à revolução. Cortámos os laços entre filhos e pais, entre homem e homem, entre homem e mulher. Já ninguém se atreve a confiar na própria mulher, no filho ou nos amigos. E no futuro suprimiremos esposas e amigos. Os filhos serão tirados às mães à nascença, como se tiram os ovos às galinhas. O instinto sexual também será suprimido. A procriação transformar-se-á numa formalidade anual, com a renovação dos cartões de racionamento. Aboliremos o orgasmo. Os neurologistas já estão a estudar o assunto. Não restará lealdade, senão a lealdade ao Partido. Nem amor, senão o amor pelo Grande Irmão. […] Quando formos omnipotentes dispensaremos a ciência.»[1]

Eu sei que 1984 é uma distopia, mas só quem está muito desatento ao que nos rodeia não percebe a actualidade das palavras citadas… O movimento WOKE [Cultura do cancelamento], o actual movimento revolucionário que faz a revolução, dissemina a intolerância em nome da tolerância (“duplopensar”); o medo tem vindo a ser imposto à sociedade através dos meios de comunicação social, instrumentalizados pelos donos disto tudo; há filhos a serem instruídos no sentido de mentir acerca dos pais, de lhes desobedecerem e de os considerarem tóxicos; o ódio por aquele que não pensa de acordo com os ditames de minorias ruidosas, altamente financiadas, é incentivado, elogiado, e chamam a isso tolerância e amor; o casamento tem vindo a ser ridicularizado e despido de significado; o divórcio é exaltado como uma espécie de libertação da mulher; filhos são retirados às mães diariamente, quer pela CPCJ, quer pelo facto de terem de ser deixados ao cuidado de terceiros a partir dos quatro meses; a sexualidade está a ser destruída por uma ideologia nefasta, que aliena, confunde, adoece, esteriliza e acaba com qualquer hipótese de os adolescentes, que enveredam por esse caminho, virem a sentir um orgasmo na vida; enfim, já não falta tudo para a “profecia de Obrien” se tornar realidade.

À pergunta “como podemos combater e ganhar a batalha cultural em curso?” respondo: podemos vencer se os pais cumprirem os seus deveres e exigirem os seus direitos de volta, antes que o socialismo e derivados mudem a Constituição da República Portuguesa e se perpetuem no poder.

Como? Deixo-vos algumas sugestões:

  1. Pesquisem o que estão a ensinar aos Professores para ensinarem aos seus filhos;
  2. Estejam atentos aos documentos que fazem parte da “Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania“, visando um “perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória”;
  3. Aliem-se com outros Pais, Educadores/Professores; criando elos de confiança e sugerindo que se realizem sessões de esclarecimento nestes domínios com oradores, da confiança dos pais, que expliquem detalhadamente o Plano Anual de Atividades da Turma do seu filho e saibam esgrimir com confiança e lógica os seus argumentos num terreno que pode ter “minas” e vozes oponentes e discriminatórias;
  4. Façam as vossas sugestões e decisões conhecidas em tempo certo, na entrega da matrícula e em reunião de Conselho de Turma;
  5. Integrem a Associação de Pais e façam chegar as suas opiniões e sugestões ao Conselho Geral e Direcção da escola/Agrupamento;
  6. Informem-se do que se discute e é aprovado em Bruxelas, na Assembleia da República, nas Comissões;
  7. Se discordam dos Projectos-Lei que estão para ser aprovados, ou que já foram aprovados, escrevam e-mails aos grupos parlamentares, ao Presidente da República, ao Presidente da Assembleia da República, aos jornais;
  8. Peçam a revogação de leis que ponham valores caros à família natural em causa, os secundarize ou criminalize;
  9. Leiam “nas entrelinhas” dos diplomas legais, desmontem-nos e exponham a agenda de risco por detrás, ainda que defendendo direitos civis de outros pais e de alunos diferentes, mas cuja diferença ameaça tirar espaço à família natural;
  10. Alertem a sociedade quando as Direcções das escolas não informam sobre matrículas em disciplinas como Religião e Moral Católica ou Evangélica, mas direccionam as crianças para entrar em filosofias como o yoga e o reiki com a capa de “exercícios físicos” ou de técnicas para acalmar/relaxar;
  11. Falem diariamente com os vossos filhos sobre o que aprenderam, verifiquem o que é ensinado em Filosofia e noutras disciplinas. Isto, claro, caso queiram que os vossos filhos tenham o ponto de vista que vocês lhes ensinam sobre essas matérias;
  12. Contrariem o corte de horas na disciplina de História porque transmite aos jovens o vínculo com um passado de que devem orgulhar-se, e de que devem reconhecer as falhas, como houve em todas as civilizações, e não apenas na ocidental;
  13. Juntem-se para reunir forças políticas, religiosas, associativas;
  14. Usem a vossa influência junto da imprensa, da televisão e das redes sociais para passar um discurso que desmonte a ideologia de género e o marxismo cultural, que pretendem o fim da família marcada por vínculos fortes de lealdade para com os Pais (e Deus) em primeiro lugar, o fim da propriedade privada legada por pais a filhos e conseguir, ao longo dos cada vez mais anos de ensino obrigatório, “formatar” as mentes, desejos e propósitos dos jovens no sentido de os “domesticar”, robotizar como “mão de obra/apoiantes/servos” do Estado-Progenitor, elo de submissão comum para todos, porque o elo de paternidade se vai diluindo com “leis” de barrigas de aluguer, de bi/tri-paternalidade/maternalidade;
  15. Usem as vossas ligações, e o comando da TV, para mudar os (apresentadores de) programas recreativos da televisão, os desenhos animados, filmes e documentários que promovem a ideologia de género de forma activa ou passiva;
  16. Responsabilizem a RTP pelo facto de ter uma missão pública;
  17. Exijam resposta às cartas e aos e-mails enviados;
  18. Exijam filmes com famílias homem-mulher, que funcionam de forma agradável em família, ultrapassam as dificuldades e representam um bom modelo de referência para crianças, adolescentes, jovens e adultos;
  19. Exijam diversidade, pedindo programas musicais clássicos, corais, orquestras, música que não desperte a sexualidade latente na adolescência, motivando-os para outros passatempos menos “sexualizados”;
  20. Exijam o fim da música Funk (altamente promíscua e violenta) nas escolas;
  21. Exijam respeito pelos códigos de conduta e de vestuário nas escolas (aliás, já se torna necessário formular e afixar esses códigos, pois as escolas têm vindo a ser pressionadas por artistas activistas para que sejam ignorados);
  22. Leiam criticamente os livros infantis e juvenis recomendados pelo Plano Nacional de Leitura;
  23. Vejam os programas de TV e façam recomendações tanto às editoras como para que o Plano Nacional de Leitura do ME não passe nos livros de leitura obrigatória em Português e/ou Língua estrangeira, ou nos manuais, uma ideia de várias sexualidades e que não advoguem as palavras “sexo” e “género” como sinónimos;

Crianças e jovens precisam de algum terreno sólido, de algumas certezas para se continuarem a construir. Pôr tudo em causa leva à depressão. O número de crianças que são acompanhadas por psicólogos cresceu assustadoramente, bem como o daquelas que, tendo problemas de comportamento, lhes são passados atestados que as tornam mais “especiais” do que os outros a nível de responsabilização por comportamentos desadequados.

A agenda está disseminada em várias plataformas. Só Pais que pensem de forma semelhante, unindo-se e dividindo tarefas, que cruzem informações entre si, poderão fazer frente à “inclusão” do que consideram que não é de incluir em tenras faixas etárias sem um enquadramento ideológico crítico.

Uma criança não consegue distanciar-se de forma crítica. Tende a identificar-se sobretudo com protagonistas de idades semelhantes à sua.

#Éhoradospais


Maria Helena Costa

* A autora escreve segundo a anterior norma ortográfica.


[1] George Orwell, 1984, Editora Antígona, págs. 266-268

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