Portugal, salvador do planeta

Desde 2005, Portugal assumiu, sob a liderança do grande líder Sócrates e seu ministro da Economia e Inovação Manuel Pinho, o compromisso de salvar o planeta com o recurso à produção de energia elétrica através do vento e do sol.

Como os investimentos nessa área não davam aos investidores garantia de amortização e lucro, o Governo do grande líder inventou as tarifas feed-in. O que são as tarifas feed-in? O termo foi inventado para esconder que a energia produzida pelas renováveis seria paga a 380€/MWh quando ela se podia produzir por outras centrais a 50€/MWh, com contratos blindados por 20 anos e garantia de entrada prioritária na rede. Alguns desses contratos só acabam em 2030.

Com isto, várias grandes empresas elétricas, entre elas a EDP, viram que o negócio assim era viável. A EDP até criou a EDP Renováveis para explorar a mina de ouro criada pelo grande líder e seu capanga. Foram instaladas turbinas eólicas e painéis solares com uma potência total de 6 GW, o dobro da procura nas horas de vazio. Se nestas horas de vazio houver uma produção superior à procura, essa eletricidade é exportada a custo zero (de borla) para a Espanha.

Todas as centrais térmicas convencionais que produziam eletricidade barata, passaram a ter problemas de operação. As centrais a carvão, pensadas para trabalhar na base sempre à sua máxima potência, têm que ser postas de lado porque também não conseguem fazer as pontas – que exigem uma reação rápida à procura de que elas não são capazes de satisfazer. As centrais a gás de ciclo combinado vão ter que encerrar também devido à fraca utilização que passaram a ter, pois as renováveis têm prioridade de entrada na rede.

As centrais hídricas vão sobrevivendo porque podem reagir depressa. São investimentos com longa vida útil e permitem (algumas) a bombagem, uma forma de aproveitar a energia excedente. Mas se as albufeiras estiverem cheias, a água corre para o mar sem ser aproveitada. As renováveis (as mais caras) não se podem desperdiçar; ao contrário das hídricas, apesar de também serem renováveis.

Mas ninguém fala de centrais térmicas que aproveitam a biomassa das nossas florestas – que ardem todos os anos sem qualquer benefício, antes pelo contrário, dão enormes despesas no combate aos incêndios. No entanto, na produção de hidrogénio a partir das renováveis e na senda da salvação do planeta (e dos bolsos de alguém), Portugal vai investir alguns milhares de milhões que vamos todos pagar.

E apesar de estarmos a produzir a energia mais cara do planeta, o consumidor ainda não sentiu na sua plenitude o peso da fatura elétrica. Outra invenção do grande líder Sócrates e seu lacaio Pinho foi o “défice tarifário”. O preço de produção da energia não se reflete no preço de venda ao consumidor o que dá origem a um défice que o Estado vai cobrindo mas que tem que ser “zerado” a médio prazo. Portanto, será inevitável que o preço suba, além de que esse défice é pago com os nossos impostos e já vai em mais de 3 mil milhões de euros.

O grande líder Sócrates e seu capanga Pinho foram substituídos pelo grande líder Costa e seu ministro Matos Fernandes, que estão a dar continuidade a esta grande estratégia iniciada pelos seus insignes antecessores. Mas Matos Fernandes tem um colaborador ainda mais empenhado do que ele e que sobressai pela sua feroz defesa do planeta – quando ele fala, parece até que vai engoli-lo. É o Secretário de Estado Adjunto e da Energia, João Galamba, que garante que a eletricidade vai subir mas pouco. O que é falso porque vai subir e muito, já que Portugal vai salvar o planeta produzindo toda a energia a partir das fontes renováveis.

Claro que a energia de que Portugal precisa é uma gota de água, mas quando os outros países souberem quanto ela nos custa (seguramente irá custar o dobro ou o triplo do que já custa), claro que vão seguir o nosso exemplo: desativar as suas centrais a carvão, a gás, nucleares e apostar seriamente nas renováveis e na produção de hidrogénio verde. E todos os consumidores irão ficar verdes de raiva quando receberem as faturas da eletricidade. Mas é por uma boa causa: salvar o planeta!

Vejamos o que acha disto tudo alguém que estudou e acompanha esta epopeia energética do Portugal socialista e climático: Clemente Pedro Nunes, professor universitário do IST.

Henrique Sousa
Editor de Energia e Ambiente do Inconveniente

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