Portugal poderá ter futuro

A esperança de um povo tem morada naquilo que o pode mover colectivamente. Na sua identidade, história, património, cultura, nos homens e mulheres que fizeram por cumprir o seu desígnio, está a energia e, no futuro, a vontade voltar a conquistar. Portugal tem esta alma.

Contudo, há muito que o coração não bate como batia. Um tormento deixou-nos estagnados, sem rasgo e cada mais envelhecidos e sem confiança. O negacionismo dos enormes feitos dos antepassados, que nos querem impor, agrava a situação de uma Pátria sem presente e sem perspectivas de futuro.

Estou convicto que este país não é para jovens, mas também não é para velhos. Os primeiros são amordaçados nos seus sonhos e os segundos são abandonados na solidão. A cada dia que passa, a expropriação do nosso destino é uma realidade.

Revolta-me saber que vivemos, colectivamente, bem com isso e que estamos resignados às circunstâncias. Uma carga fiscal que não corresponde aos nossos rendimentos. Um Estado aspirador do suor do seu povo, que é mau gestor daquilo que é de todos. Um falhanço nos serviços prestados. Uma colonização socialista dos mais altos cargos do Estado. Uma corrupção sistémica. Um país moralmente falido. Isto tudo não seria suficiente para resgatarmos os verdadeiros valores?…

Há muito que não somos governados por verdadeiros líderes, mas antes por uma agenda de domínio das nossas liberdades e iniciativas. A situação de um Estado que se confunde com um partido e um partido que se confunde com um Governo é sinónimo de regimes muito pouco democráticos.

Em Portugal somos cerca de 10 milhões de habitantes: 2 milhões e meio de jovens até aos 24 anos; 3 milhões e 600 mil reformados e pensionistas; 800 mil funcionários públicos; 900 mil desempregados; 270 mil beneficiários do rendimento mínimo garantido. Estes números são apenas o resultado da inércia e do vício do regime. Já não interessa o que é gerido, nem para quem se gere. Importante é iludir o povo, manietar a informação e fazer acreditar que vivemos num mundo de rosas, para garantir o poder pelo poder. Nada melhor do que fazer depender os portugueses dos tentáculos, directos e indirectos, do Estado…

A dita maioria silenciosa, que a cada acto eleitoral permite que sejamos governados por gente tão fraca quanto aquilo que merecemos, deve lembrar-se que é preciso dar voz ao poder do povo e derrubar o polvo do poder.

É a hora de refazer a política. Dar esperança de uma vida melhor a cada português. É hora de voltar a acreditar na nossa amada Pátria. Devolver-lhe a luz e a confiança de outros tempos. Fazermos das conquistas do passado a motivação para reconquistar o amanhã. Vamos cumprir Portugal! Pensemos o país em nome das futuras gerações e não apenas nas próximas eleições.


Francisco Mota
Ex-líder da Juventude Popular

*O autor usa a norma ortográfica anterior.

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Latest comment

  • “poderá”

    Enquanto os Vasconcelos do pântano não voarem (sentido figurado) não me parece que possa poder.

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