“Porque saímos do CDS”: testemunho de fundadores da ala conservadora do partido

Abel Matos Santos e Luís Gagliardini Graça, fundadores da Tendência Esperança em Movimento (TEM) saíram do CDS, nesta sexta-feira, 28-2-2021. O Inconveniente teve acesso ao seu testemunho, que publicamos.


Porque saímos do CDS


Primeiro, porque não soube aguentar Abel Matos Santos e, consequentemente, Luís Gagliardini Graça. Uma liderança forte seria catalizadora e estancaria a saída de quadros de qualidade. Nunca se deveria ter rodeado por quem o veio a trair mais tarde. Deveria ter auditado e tornado transparente as contas do Partido (não se fazem peditórios sem identificar uma causa nobre). Em suma, o CDS precisava de uma separação de águas. 

O CDS teve um papel importante na Democracia Portuguesa, com vários líderes e figuras marcantes. O partido de quadros, onde as bases deram corpo a um CDS combativo e interventor, sempre preocupado com a necessidade de construir um país viável, saído dos desvarios do PREC.

Inspirados por Manuel Monteiro, aproximámo-nos do CDS, mas só nos filiámos na presidência de Ribeiro e Castro.

Abel Matos Santos, re-criando o CDS em Coruche, participando no Alternativa e Responsabilidade, trabalhando como vice-Presidente da Concelhia de Lisboa e como autarca na Freguesia de Alvalade, tendo integrado a Executiva da actual Direcção do CDS; e Luís Gagliardini Graça, candidato ao Couço, co-fundador do Alternativa e Responsabilidade, vogal da Concelhia de Cascais. Ambos, foram Conselheiros Nacionais e Membros da Comissão Política Nacional.

Durante este caminho, de mais de uma década, fundámos a TEM – Tendência Esperança em Movimento, única corrente de opinião formalizada na história do CDS, conservadora e soberanista, profundamente humanista, com o intuito de regenerar e afirmar o CDS como um Partido de causas e de princípios.

Com a oposição frontal e clara daqueles que se julgam donos do Partido, mas com o apoio dos militantes, das bases, a TEM foi criada e muito trabalho foi feito, culminando na eleição de um presidente que, todos acreditámos, seria a pedra de toque para uma mudança, necessária e imprescindível.

Não atacamos o candidato, agora presidente, que ajudámos a eleger, nem lhe desejamos insucessos. Provavelmente a culpa da sua falta de sucesso na recuperação do CDS, é nossa, de quem o elegeu. As circunstâncias, provavelmente, não o ajudaram, mas é quando ocupamos os lugares que nos revelamos. É na adversidade que se tempera o carácter!

Chegando aqui, depois de nos últimos anos termos lutado para uma mudança de rumo e de políticas, mas vendo que este CDS tomou o mesmo caminho que tende a torná-lo irrelevante na política nacional, que pouco faz para se regenerar, não podemos simplesmente ignorar.

Vemos, também, que as perspectivas de mudança não são melhores. Que o que se apresenta como alternativa é uma deriva que nada tem a ver com a essência democrata-cristã do Partido.

Não escamoteamos que o rumo e as políticas tomadas por este CDS não representam a nossa forma de estar, pensar e agir. Não nos sentimos representados nem sentimos que possamos representar este CDS.

Deste modo, a única posição lúcida a tomar é a de nos desfiliarmos, para que nós e este CDS se possam sentir livres e de bem consigo próprios.

Continuaremos a participar na vida pública e política, de forma livre, como sempre fizemos. Estaremos sempre disponíveis para defender as causas que nos movem e a lutar por uma Sociedade mais justa e solidária, assente na verdade, no combate à corrupção e nos valores democrata-cristãos.

Viva Portugal!


Abel Matos Santos e Luís Gagliardini Graça

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