Política monolítica climática

Parece que a pedra única, em que assenta a política dos governos ocidentais súbditos da ONU, é a questão das alterações climáticas antrópicas.

Projetos que almejem apoios estatais, sejam eles de investigação ou de execução, devem contribuir para a descarbonização do planeta de modo a colher a concordância dos políticos donos da ciência. Ou também aqueles projetos que contribuem para reduzir ou evitar o temido aquecimento global que pode transformar o planeta num enorme pântano.

Hoje em dia a economia (financeira) já não representa um ponto importante a ter em conta nos projetos de investimento. Conta mais a economia de CO2 do que dos cifrões. Se vens em nome da salvação do planeta, és bem-vindo! Se é só para salvar a economia do país, podes arrumar as botas.

Deste modo, a título de exemplo e em Portugal, projetos de produção de combustíveis sintéticos como o hidrogénio, mesmo que venham a custar mais que o gás natural, são incentivados e apoiados porque são verdes, isto é, evitam emissões de gases de efeito estufa. Se esses projetos englobarem também energias verdes como o sol e o vento, melhor ainda: aqui estão 36 milhões de euros de apoios a 100% do PRR para gastar.

Se, de alguma forma, o projeto contribui, direta ou indiretamente, para reduzir emissões, ele será contemplado. Por exemplo, a produção de insetos para a alimentação pode ser uma alternativa à produção da carne de animais, evitando as emissões de CO2, metano, etc. Muito bem, o projeto merece logo 28,7 milhões de euros em apoios a 100% do PRR!

Se isto é o que se passa no nosso exíguo país, imagine-se o que deverá estar a acontecer em economias muito mais pujantes, quiçá nos EUA, Canadá, Reino Unido, Alemanha! Não é segredo que existe uma engenharia climática e dela faz parte também a chamada geoengenharia que tem por objetivo fazer baixar artificialmente a temperatura do planeta e/ou aumentar a fixação do CO2 através do aumento da biomassa, sejam florestas ou algas marinhas.

O ramo da geoengenharia que pretende fazer baixar a temperatura da Terra tem diversas estratégias como aumentar as superfícies de gelo que irão refletir a luz solar, espalhar aerossóis na estratosfera que criarão um teto de “nuvens” para reforçar a reflexão das nuvens de água e até mesmo colocar em órbita ecrãs refletores da luz solar.

Embora se diga que os projetos de geoengenharia ainda não foram postos em prática porque acarretam certos riscos, circulam boatos de que já se deu início a experiências com aerossóis, boatos esses que se apoiam no facto de haver rastos brancos nos céus que demoram horas a dissipar-se, os chamados chemtrails, que seriam esses aerossóis que a geoengenharia pensa lançar na estratosfera, isto é, dióxido de enxofre, ácido sulfúrico e sulfato de alumínio. A estratosfera começa a uma altitude de 8 a 16 quilómetros, dependendo da latitude e das condições atmosféricas. Os aviões comerciais voam a altitudes entre 9 e 12 quilómetros mas existem aviões militares e de pesquisa capazes de voar até acima dos 20 km de altitude.

Quer dizer que sim, esta possibilidade de serem lançados produtos químicos na atmosfera existe e a probabilidade de ser apoiada pela política monolítica climática também é alta. Mas recorde-se que, já nos primórdios da aviação, circularam também boatos de que os aviões lançavam químicos para matar a população. Esses temores não se confirmaram até hoje e o número de aviões no ar é hoje muitas vezes superior ao que era na altura.

Assim, os boatos sobre os chemtrails são vistos mais como uma teoria da conspiração, os rastos que observamos nos céus resultam apenas da queima normal de combustíveis pelos aviões. Essa queima produz, entre outras substâncias, vapor de água que, sendo expelido em zonas frias e húmidas, condensa e forma esses rastos de nuvens que podem dissipar-se rapidamente ou permanecer durante bastante tempo nos céus, consoante as condições atmosféricas. Estes rastos são chamados contrails (de condensação), não sendo considerados tão perigosos como os chemtrails do ponto de vista químico.

Os aviões são de facto responsáveis, através da queima de combustíveis, por cerca de 3 a 5% da emissão antropogénica global de gases de efeito estufa, sendo o CO2 e os óxidos de azoto os principais, além do vapor de água e partículas que servem também como núcleos de condensação do vapor de água. Ou seja, a preocupação por parte dos climatistas não é com os chemtrails, mas sim com o efeito estufa.

Henrique Sousa

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Sub-diretor do Inconveniente

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