Peritos da DGS denunciam: “É diferente serem os pediatras a decidir ou ser António Costa”

Mais de 10 pediatras, cardiologistas, enfermeiros e representantes do setor da Saúde, do grupo de trabalho encarregado de apoiar a Direção-Geral da Saúde (DGS) na vacinação contra a COVID-19, não aprovam a inoculação universal das crianças e adolescentes e queixam-se de ingerência política na decisão final.

Segundo o Expresso de 26-11-2021, o parecer do grupo de trabalho, relativo à vacinação de crianças dos 5 aos 11 anos, será terminado no início da semana e entregue até quinta-feira à comissão da DGS responsável pela elaboração do documento final. Porém, os peritos denunciam que a decisão já está tomada de antemão.

“Tal como aconteceu com a vacinação dos adolescentes, vamos ter uma decisão política transvertida de parecer técnico”,

afirma Francisco Abecasis, representante da Ordem dos Médicos (OM) no grupo de trabalho da DGS.

“No caso dos adolescentes, fomos contra por unanimidade, a Comissão Técnica concordou, mas cerca de 10 dias depois mudou de posição, com a DGS a justificar que tinham surgido novos dados de segurança, que não existiam.”

Acrescenta ainda:

Pedimos para tornar público o parecer do grupo, porque os portugueses precisavam de saber que a decisão tinha sido política e não técnica.”

No dia 25-11-2021, António Costa prometeu que as doses para as crianças chegariam no dia 20 de dezembro, garantindo que o Governo terá “as condições asseguradas para, se a Comissão Técnica de Vacinação assim decidir, iniciar a vacinação de crianças após chegada das vacinas pediátricas a Portugal”.

Já no entendimento de Abecasis,

É diferente serem os pediatras a decidir ou ser António Costa, que disse no Parlamento que íamos dar a vacina e ainda nem tínhamos decidido – mas não foi autorizada por nós.”

O pediatra, crítico do processo que envolveu a tomada de decisão de vacinar todos os adolescentes, considera que o parecer do seu grupo foi ignorado sem fundamento. Critica ainda a pressa de inocular crianças com uma vacina que já se sabe não ser esterilizante e incapaz de produzir imunidade de grupo:

“Há crianças que precisam de proteção, e recomendamo-la; mas porquê vacinar todas e a cada seis meses? Se a vacina impedisse a infeção, como no sarampo, teria a nossa recomendação universal.”

Recorde-se que Francisco Abecasis foi um dos 28 peritos que subscreveu a carta aberta contra a vacinação de jovens adolescentes (consulte aqui), intitulada “Crianças e jovens não devem ser vacinados para a COVID-19”.

Entre as várias preocupações técnicas e éticas levantadas pelos signatários, o texto refere que “As vacinas de RNAm para a COVID-19 podem causar miocardites e pericardites, muito particularmente abaixo dos 30 anos de idade, como foi recentemente alertado pelos Centro de Controle de Doenças americano (CDC), Agência Europeia do Medicamento (EMA) e pelo INFARMED em Portugal.”

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