A (ex)comunhão de Joe Biden

* Via Wikimedia Commons

A comitiva de Joe Biden pediu à Santa Sé para permitir a participação do presidente americano na missa matinal de ontem, 15-6-2021, por ocasião do seu encontro com o Papa Francisco, mas o pedido foi negado, segundo revelou uma fonte vaticana à agência CNA, em 15-6-2021, depois de considerar que receber a comunhão das mãos do Papa poderia originar um escândalo e grande divisão dentro da Igreja Católica, especialmente nos EUA.

Este encontro entre Biden e Francisco, após a cimeira do G7 no Reino Unido, acabou por ser cancelado depois da rejeição do Papa à presença do democrata na sua missa. Este momento traduz a grande tensão existente nos bispos católicos americanos, que propuseram levar a plenário a partir de hoje, 16-6-2021, a questão de darem ou não a comunhão a Biden, por causa da sua política favorável ao aborto.

De acordo com o Código de Direito Canónico (cânone 1398) está reservada ao aborto a pena disciplinar máxima da Igreja Católica: a excomunhão automática latae sententiae (sem necessidade de declaração oficial). Esse questão está na origem da polémica da comunhão de Biden.

No entanto, a Santa Sé enviara, no mesmo dia, uma carta aos bispos norte-americanos, dissuadindo-os de fecharem o assunto por meio de votação para a criação de um comité de redação dum documento sobre coerência eucarística, na linha de Bento XVI, que incidiria sobre o caso da admissão de Biden à prática sacramental. Esta carta terá surpreendido os bispos, convidando-os a uma reflexão mais cuidada, com o receio de que tal gesto fosse interpretado como um ato político, promotor de mais divisão dentro da Igreja dos EUA.

Maciel Rodrigues

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