Pandemia: OMS tardia e envenenada?

A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu, desde a declaração da pandemia a 11-3-2020, duas atualizações sobre tratamentos recomendados em casos graves ou críticos de Covid-19.

A primeira atualização foi feita a 2-9-2020, quase seis meses depois do início oficial da pandemia. Nesta atualização, a OMS recomenda corticosteroides sistémicos para o tratamento de pacientes com Covid-19 em estado grave ou crítico. Para tratamento de casos ligeiros ou pouco graves, o tratamento com corticosteroides foi desaconselhado, porque não trouxe benefícios, podendo até ser prejudicial, segundo a OMS.

Nessa primeira atualização, a OMS não recomendou um medicamento em particular mas uma classe de medicamentos. Porém, nos média convencionais, o medicamento mais falado foi a dexametasona, droga que já vinha sendo usada no Reino Unido pelo menos desde junho de 2020, e que só 3 meses depois viria a ser recomendada pela OMS para casos graves ou críticos, incluída na classe dos corticosteroides. Desta classe fazem parte diversos medicamentos como a betametasona, a hidrocortisona, a budesonida, cortisona, prednisona, prednisolona, metil-prednisolona, triamcinolona, com aplicações em diversas doenças comuns e com preços acessíveis em geral. Mas apenas para casos graves ou críticos de Covid-19, segundo a OMS.

Um estudo publicado no prestigiado The Lancet, em 12-5-2021, sugere que a utilização precoce de budesonida, um corticosteroide de inalação, pode reduzir o número de casos de desfecho mortal. O estudo tem como base a constatação de que pessoas com doenças respiratórias crónicas e que usam esse medicamento estão sub-representadas nos casos de doença grave.

A segunda atualização da OMS foi feita no dia 6-7-2021, quase 16 meses após a declaração da pandemia. Nesta atualização, a OMS recomenda, também só para casos graves ou críticos, a utilização de bloqueadores de interleucina-6, o tocilizumab e sarilumab:

“Pacientes graves ou em estado crítico com COVID-19 sofrem frequentemente de uma reação exagerada do sistema imunológico, que pode ser muito prejudicial à saúde do paciente. Os medicamentos bloqueadores da interleucina-6 atuam no sentido de suprimir essa reação exagerada.”

O tocilizumab é vendido com o nome de marca Actemra/RoActemra, está aprovado em 116 países para o tratamento da AR em adultos, jovens e crianças. Foi desenvolvido pela farmacêutica suíça Roche. A patente já não está válida mas não existem genéricos aprovados, pelo que, na prática, só o medicamento da Roche está disponível a preço muito alto, além de ser escasso.

O sarilumab é vendido com o nome de marca Kevzara, foi desenvolvido pela farmacêutica americana Regeneron Pharmaceuticals e pela francesa Sanofi para o tratamento da artrite reumatóide (AR), tendo obtido aprovação da FDA (Food and Drug Administration) dos EUA em 22-5-2017 e da Agência Europeia de Medicamentos em 23-6-2017.

O tocilizumab e o sarilumab foram adicionados à lista de tratamentos Covid no Reino Unido em 7-1-2021 após um ensaio conduzido pela REMAP-CAP. A OMS vem recomendá-los seis meses depois, “com base numa meta-análise prospetiva iniciada pela OMS, em que foram considerados dados de mais de 10.000 pacientes inscritos em 27 ensaios clínicos”, como noticiámos em 6-7-2021.

Era esperado que a OMS andasse à frente e não atrás de outras organizações e governos mas, pelo visto, ela é a última a saber acerca das possibilidades de tratamento da pandemia que ela própria declarou. Qual afinal o papel de uma organização internacional para a saúde?

A OMS foi sempre muito zelosa e rápida, não em recomendar, mas em reprovar medicamentos baratos, seguros e sem patentes válidas como a ivermectina ou hidroxicloroquina apenas com base na inexistência de evidências fortes e, que se saiba, também não patrocinou quaisquer estudos mais vastos sobre eles, recomendando apenas a não utilização dos mesmos fora de ensaios autorizados.

Outros medicamentos como o anti-gripal japonês ou o cocktail que serviu para tratar Donald Trump e que obteve autorização de emergência da FDA, não foram alvo de qualquer atualização por parte da OMS. Mas cientistas e pesquisadores em todo o mundo esforçam-se por descobrir novas drogas ou drogas reaproveitadas que possam ser usadas no combate à pandemia.

Estará a OMS envolvida nalgum esquema de suporte de aspetos obscuros desta pandemia como a sua origem, a sua disseminação, a falta de tratamentos, o apoio às vacinas? Alguém disse que, em política, o que parece, é! Será que se aplica aqui?


Henrique Sousa

Partilhar

Latest comment

  • A OMS é controlada pela RPC e é permeável aos interesses dos Big Lab.
    Só em casos muito excepcionais o Tocilizumab é utilizado, apenas em centros com capacidade para avaliação de determinados parâmetros, na evolução da doença grave.
    Não esquecer o caso Remdesivir também da Gillead que a UE e a EMA se apressaram a aprovar sem estudos dignos desse nome e ainda por saber quem os aprovou por país, ou seja, se foram declarados conflitos de interesses pelos peritos que os aconselharam.
    Sobre os protocolos de tratamento já se sabia de muitos detalhes da forma como evoluía a doença, basta pesquisar artigos relacionados com a SARS de 2003. Sobre o uso da metilprednisolona como corticosteróide de escolha, ou seja o esquema MATH já se fazia antes da OMS aconselhar.
    Tardia a declarar a perigosidade do vírus, escapado do Laboratório Militar da RPC, deixando a doença evoluir e em conluio com a ditadura que escondeu a declaração do surto.
    Cada um tire as conclusões que entender, neste momento em Portugal há uma nova epidemia provocada pela variante Delta, vírus mais rápido a infectar, mas comparar com os casos de Janeiro/Fevereiro não será bom para um país como o nosso, porque só com verdade se deve lidar, não com terror e espalhando medo, apenas deverá haver bom senso, do lado do Governo que deve ser bem aconselhado e colher bem os dados e divulgar dados correctos a todos para se avaliar da evolução.
    Não parece haver novamente estratégia no tratamento dos doentes Covid e logo, no Outono, se o vírus não evoluir para endémico sem grande taxa de letalidade, mas nunca é tarde para verificar o que tem sido bem e menos bem feito, ao nível hospitalar e nos Cuidados Primários, por exemplo criação de Hospitais de Dia para tratamento ambulatório dos pacientes Covid, de forma a evitar a Covidocalipse de Janeiro/Fevereiro.
    Sobre tratamentos precoces publicados é mentira dos reguladores não existirem estudos bem feitos e publicados, Portugal deveria adoptar estes tratamentos e perceber que Portugal é o país mais pobre da Europa da UE:
    Review of the Emerging Evidence Demonstrating the Efficacy
    of Ivermectin in the Prophylaxis and Treatment of COVID-19; publicado no American Journal of Therapeutics 28, e299–e318 (2021).

deixe um comentário