OMS aprova tratamento caro usado por Trump, mas pede para “baixar os preços”

Segundo a agência Lusa de 24-09-2021, a Organização Mundial da Saúde (OMS) acrescentou, no mesmo dia, mais dois fármacos à lista dos admitidos para tratamento da Covid-19, que fazem parte de um cocktail usado por Trump para se curar da infecção. Porém, pede à farmacêutica que os produz para “baixar os preços” e desistir das patentes.

Os resultados de um ensaio clínico no Reino Unido já tinha mostrado em junho, noticiou a SICNotícias, que esta terapia reduziu em 20% a mortalidade de internados com Covid-19.

A farmacêutica em causa é a norte-americana Regeneron e os fármacos são o casirivimab e o imdevimab. A OMS recomenda-os para casos ligeiros de doentes com maior risco de hospitalização e, condicionalmente, no tratamento de casos graves da doença de pessoas sem anticorpos.

Dado o custo elevado e a escassez desta terapia combinada, a OMS apela à Regeneron para baixar os preços e distribuí-la equitativamente, especialmente em países de rendimentos baixos e médios e transferir a tecnologia que permita o fabrico de versões biologicamente semelhantes para que todos os pacientes que precisem deste tratamento tenham acesso a ele” – afirma a OMS em comunicado.

Segundo a agência Lusa, «A OMS já lançou entre as empresas farmacêuticas um apelo para que candidatem versões dos medicamentos para pré-qualificação, o que permitiria aumentar o nível de produção.
Salienta ainda que o tratamento com os dois medicamentos não deve ser dado a pacientes que tenham anticorpos contra a covid-19 para “não exacerbar a desigualdade e a disponibilidade limitada do tratamento”.
A OMS pede ainda aos médicos que apliquem “testes rigorosos” aos pacientes para perceberem quais é que terão mais a ganhar com este tratamento, os que ainda não tenham desenvolvido anticorpos naturais contra a covid-19.
Em comunicado, a OMS avança também que, dado o elevado custo e a baixa disponibilidade da terapia combinada, a UNITAID, uma agência global de saúde, está a negociar com a farmacêutica Roche, que está atualmente a fabricar um medicamento, preços mais baixos e distribuição equitativa em todas as regiões, especialmente em países de baixo e médio rendimento.
A OMS está também em conversações com a empresa para uma doação e distribuição do fármaco através do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), seguindo os critérios de atribuição definidos pela OMS.»

Não há notícia de que a OMS reconheça, com as recentes recomendações de fármacos patenteados, caros e escassos, a falência da aposta obstinada na vacinação universal para o combate efetivo da pandemia da Covid-19, tão pouco os lucros que tal estratégia tem comportado para as farmacêuticas, em detrimento da promoção do estudo de tratamentos baratos e acessíveis.

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