O veículo elétrico e as emissões zero!

Na chamada transição energética em curso, prevê-se que os combustíveis fósseis deixem de ser utilizados no transporte automóvel e este passe a ser 100% elétrico.

Na Europa, cerca de 7,5% dos novos carros vendidos em 2021 já eram elétricos. O que significa que existe realmente um mercado para os carros elétricos, apesar das conhecidas desvantagens de tempo de carga, autonomia, peso, duração e preço das baterias, etc. No entanto, e a não ser que se venha a proibir os carros com motores de combustão, o carro 100% elétrico não vai satisfazer uma larga maioria dos utilizadores de automóveis.

Mas entre os dois extremos, carros a combustão e carros 100% elétricos, existem as chamadas soluções híbridas que usam motores a combustível e motores elétricos. Existem basicamente duas versões, o híbrido e o híbrido plug-in que diferem na capacidade das baterias e potências dos motores. No híbrido a bateria é mais pequena (autonomia para cerca de poucos km), sendo recarregada na travagem elétrica; no plug-in a capacidade das baterias é maior e podem ser recarregadas também do exterior, porém a autonomia elétrica é muito inferior à de um carro 100% elétrico, cerca de 50 km, mas compensada depois pelo motor a combustível, em regra menos potente porque conta com o auxílio dos motores elétricos.

Há agora mais um tipo de automóvel híbrido, designado por e-power, em que o motor a combustível apenas serve para fazer funcionar um gerador elétrico que carrega as baterias, sendo assim equiparável a um carro 100% elétrico mas com um gerador a combustível a bordo, capaz de manter a carga da bateria de modo a que não seja necessário parar para recarregar. A capacidade das baterias pode ser bastante reduzida, uma pequena fração da do carro 100% elétrico, já que recebem continuamente carga do gerador.

Dizem os fabricantes que, com este novo conceito, pode haver poupança de combustível. Por exemplo, um carro de 140 cv de potência precisa de um gerador de 110 kW e uma bateria de apenas 2kWh de capacidade e pode gastar apenas cerca de 5 litros de combustível (gasolina) aos 100 km. O preço de um destes veículos é atualmente superior a 40 mil euros mas pode vir a ser menor se se vulgarizar, não tendo o handicap do preço das baterias que, nos 100% eléctricos, é cerca de um terço ou mais do preço da viatura. Mas uma vez que as baterias estão sujeitas a um maior número de ciclos de carga/descarga, terão uma vida útil bastante menor que a dos 100% elétricos.

Um carro 100% elétrico com uma autonomia de 400 km precisa de uma bateria de cerca de 80 kWh, isto é 40 vezes maior que a do e-power e mais cara. As baterias podem proporcionar até cerca de 200 mil quilómetros de viagens.

Dependendo do tipo de utilização do veículo, haverá mercado para as várias tecnologias, não sendo porém expectável que o VE (veículo elétrico) satisfaça todo e qualquer utilizador. Sendo o atual VE ainda uma novidade, pode arrastar muitos entusiastas preocupados com o “futuro do planeta”. Resta saber se as vantagens conseguirão superar as desvantagens.

Não esquecer que o carro elétrico fez no passado várias tentativas para superar o carro a combustão, tendo perdido sempre. O futuro do carro elétrico vai depender das baterias. É certo que a bateria de lítio é superior às anteriormente usadas mas ainda não são ideais em termos de densidade de energia, tempo de carga, preço, etc.

Quanto às soluções híbridas, a manter-se a ideologia climática, são todas soluções transitórias porque não têm emissões zero. Mas também o veículo 100% elétrico não tem emissões zero, a não ser que seja carregado com energias renováveis. Mesmo assim, e atendendo ao processo de fabrico de motores elétricos e baterias, etc., estaremos longe das emissões zero.


Henrique Sousa
Editor para Energia e Ambiente do Inconveniente

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Sub-diretor do Inconveniente

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