O relativismo ético dos esquerdistas explica os elevados níveis de corrupção

Há quem se admire com a generalização da corrupção e a supressão das liberdades sempre e onde quer que os socialistas ocupem o poder. Dirão os mais ingénuos: como é possível gente de esquerda promover e patrocinar tantas atrocidades? A razão dessa aparente contradição está à vista de todos. Os esquerdistas abraçam uma ética relativista extrema que pouco difere da versão original desenvolvida por Marx na obra “A Ideologia Alemã”.


Não admira, por isso, que a governação socialista seja marcado por uma série infindável de trafulhices, nepotismo e corrupção. Um olhar atento sobre a realidade leva-nos a concluir que episódios como o caso do procurador Guerra, a substituição intempestiva do presidente do Tribunal de Contas e as aldrabices no processo de vacinação são a expressão da verdadeira natureza dos esquerdistas.


A ética marxista é uma versão do relativismo ético levado ao extremo. Para os marxistas, a moralidade burguesa é uma coisa e a moralidade proletária é outra, porque para esta é justo tudo aquilo que conduzir à derrota da burguesia e à vitória do proletariado – mesmo que para tanto seja preciso mentir, trair, matar ou roubar, atitudes que a moral burguesa condena mas a moral proletária aplaude. Foram Lenin, Stalin e Mao que levaram até ao limite esta concepção moral relativista que Marx apenas desenhou. Com o objectivo de legitimar moralmente a tortura, a crueldade e a tirania, Mao afirmava: a Revolução não é um convite para jantar! Lenin foi o primeiro a fazer da mentira sistemática, através da falsificação de relatórios, apagamento de
arquivos e manipulação das assembleias, para legitimar a finalidade última: a criação de uma sociedade socialista. Stalin levou ao paroxismo o relativismo moral, afirmando, em palavras e acções, durante as três décadas de exercício de poder totalitário, que os fins justificam todos os meios, mesmo que seja necessário recorrer a meios como os “gulags”, o trabalho escravo, a matança generalizada de camponeses e a destruição dos camaradas que se tornavam incómodos.


No fundo, todos eles aprenderam com Marx que a moral não existe fora da sociedade, que não há leis morais eternas nem leis naturais. A moral depende das condições económicas e está ao serviço da classe dominante. Numa sociedade esmagada pela ditadura do proletariado, a moral está ao serviço da luta de classes e do partido dirigente. Levando a sua tese até às últimas consequências, Marx defende a emergência de um homem novo, a par de uma nova moral, ambos possíveis a partir do momento em que for possível abolir as classes sociais. Fazendo lembrar a utopia platónica, Marx antevê a criação de uma sociedade de iguais que partilham tudo entre si e desconhecem o egoísmo.


A abolição da família, do casamento e da monogamia estão entre as primeiras medidas a tomar na sociedade comunista. No Manifesto do Partido Comunista, Marx e Engels fazem a defesa da partilha das mulheres, das uniões livres e da abolição total da propriedade privada. Deixa de ser necessário a existência de Estado, exércitos, polícias, Igrejas e família. Infelizmente, o século XX conheceu várias tentativas, extremamente cruéis, de imposição do “homem novo” e da “nova moral”. Todas essas experiências fracassaram, deixando atrás de si um rol de assassinatos e miséria.

Ramiro Marques

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  • Na minha humilde opinião, creio que o Senhor Ramiro Marques, tendo lido “O Capital” e/ou “A Ideologia Alemã” não entendeu aquilo que Karl Marx defende. Ele diz, por exemplo, que na ética burguesa falar e amar perdem seu significado original e “são interpretados como expressões e manifestações de uma terceira relação introduzida artificialmente, a relação de utilidade”. De acordo com Marx, “algo é exigido do poder e da capacidade do indivíduo de fazer qualquer coisa que seja um produto estrangeiro, uma relação determinada pelas condições sociais – e esta é a relação de utilidade” . Em suma, as relações sociais tornaram-se uma coisa sob forma de princípio que exerce uma influência relevante sobre o pensamento e a ação das pessoas. Portanto colocar interesses pessoais, familiares, corporativos sob o interesse dos proletários ( entenda-se enquanto conjunto de pessoas da classe não-dominante) é precisamente o contrário do que Karl Marx defende. Para além disso, parece-me evidente que para Marx tudo aquilo que dificulte a chegada do Comunismo, é contrário da Humanidade, porque toda a Humanidade, acredita Marx, sairia beneficiada com o Comunismo. Portanto a ideia que defende de que os marxistas não têm moral está errada.

    2º Ponto- cito Engels que é suficiente: “A poligamia é um fenómeno próprio da sociedade burguesa e realizado perfeitamente hoje através prostituição. Mas baseada na propriedade privada, a prostituição desaparecerá, a organização da sociedade comunista não introduzirá a poligamia; ao contrario, ela a abolirá.”

    3º Ponto- No que toca à família a proposta marxista passa sobre a alteração da dinâmica familiar burguesa em que : “Na família, o homem é o burguês e a mulher representa o proletário. [ENGELS, 2012, p.97]”, para além disso, Marx e Engels têm uma visão de família completa: enquanto reprodutora biológica, material e social! Por isso os marxistas querem acabar com a ideia de uma família onde se educa na desigualdade e nos valores burgueses, não com a família em si.

    4º Ponto (e último, embora tivesse ainda muito pano para mangas): Marx não defende a “abolição total da propriedade privada”, Marx, na verdade, defende a abolição da propriedade privada dos meios de produção. Os Marxistas não querem a sua casa nem o seu carro, embora a propriedade dos mesmos derive da exploração dos meios de produção… Mas há partida, numa sociedade verdadeiramente marxista, as casas e os carros seriam distribuídos equitativamente, mas as pessoas a quem seriam atribuídos seriam proprietárias dos mesmos. Portanto, não querem uma abolição total da propriedade privada.

    Agradeço se leu até ao fim esta resposta, cumprimentos deste leitor conservador e liberal, mas que não é analfabeto funcional.

  • Há partida?

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