O papa Francisco, o bispo Gomez e o presidente Biden

O Papa Francisco usou um tom conciliatório com o novo presidente do EUA, Joe Biden, numa carta de felicitação que lhe dirigiu, em 20-1-2021, na ocasião da sua tomada de posse, evitando referências às políticas de costumes que irá executar, nomeadamente no aborto, eutanásia, ideologia de género e restrição da liberdade de expressão. O Papa Francisco, chefe de Estado do Vaticano, escreveu:

Por ocasião da sua investidura como quadragésimo sexto presidente dos Estados Unidos de América, expresso-lhe cordialmente os meus bons votos e a segurança das minhas orações para que Deus Todo-Poderoso lhe conceda sabedoria e fortaleza no exercício do seu alto cargo. Que sob o seu mandato, o povo americano siga recebendo força dos elevados valores políticos, éticos e religiosos que inspiraram a nação desde a sua fundação! Num momento em que as graves crises que enfrenta a família humana exigem respostas clarividentes e unidas, rezo para que as suas decisões sejam guiadas pela vontade de construir uma sociedade caracterizada pela justiça e liberdade autênticas, juntamente com o respeito indefectível pelos direitos e a dignidade de todas as pessoas, especialmente os pobres, os vulneráveis e os que não têm voz. Assim, peço a Deus, fonte de toda a sabedoria e verdade que guie os seus esforços para fomentar o entendimento, a reconciliação e a paz, dentro dos Estados Unidos e entre as nações do mundo a fim de impulsionar o bem comum universal. Com estes sentimentos, invoco com boa vontade sobre si e sua família e o amado povo americano uma abundância de bênçãos.”

Na mensagem remetida após a tomada de posse do anterior presidente dos EUA, em 20-1-2017, o Papa disse a Donald Trump que iria “rezar para que as suas decisões sejam guiadas pelos ricos valores espirituais e éticos que moldaram a história do povo americano e o compromisso do seu país para o avanço da dignidade humana e da liberdade em todo mundo”. E desejou-lhe: “sob a sua liderança, que o exemplo da América possa continuar a ser medido, acima de tudo, pela sua preocupação com os pobres, os desterrados e os que passam por necessidades”. A diplomacia deve ser nuancée, como a perdiz faisandée

Já o presidente da Conferência Episcopal dos EUA, bispo José Gomez, fez, também no 20 de janeiro de 2022, uma declaração muito crítica das políticas liberais nos costumes do presidente Joe Biden, o qual se assume como católico.

Noutro registo, o bispo de Los Angeles denunciou publicamente algumas políticas do presidente Biden “que avançarão males morais e ameaçam a vida humana e a dignidade, de modo maus grave nas áreas do aborto, contraceção, casamento e género”.

O prelado norte-americano cita o Papa Francisco, afirmando: “Não podemos manter-nos calados quando quase um milhão de vidas são perdidas no país, ano após ano, através do aborto”. A declaração do bispo menciona oito vezes a palavra “aborto”, três vezes a expressão “vida humana” e uma vez “eutanásia”.

O presidente da conferência episcopal dos EUA acrescenta ainda uma “preocupação profunda com a liberdade da Igreja e dos crentes em viverem de acordo com a sua consciência”, atendendo à restrição à liberdade de expressão da ideologia dominante do politicamente correto.

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