O mistério da morte do Rodrigo

O IИCONVENIENTE, nesta pequena inquirição expôs, em 6-1-2022, a questão da segurança da vacina contra a COVID-19 e a sua necessidade num cenário em que nenhuma criança dessa faixa etária faleceu ainda da doença. Quanto à eficácia, nem vale a pena referi-la – deverá ser a mesma que revela nos adultos e idosos, isto é, em tomas trimestrais reduz o risco de doença grave.

Em dois anos de pandemia e de prevalência da temível variante Delta durante quase todo o ano de 2021, nenhuma criança da faixa etária dos 5 aos 11 faleceu, das mais de 60 mil infeções e cerca de duas dezenas de internamentos.

Mesmo assim, o Governo, aconselhado pela Comissão Técnica de Vacinação contra a Covid-19 (CTVC) decide avançar para a vacinação das crianças dos 5 aos 11 anos, sem obrigatoriedade mas com vários estímulos para que os pais vacinem os seus filhos, para bem do seu desenvolvimento porque, estando “protegidos”, não haveria necessidade de tantas interrupções letivas.

Interrupções que resultam das regras ditadas pelo próprio Governo e que não existiriam se fossem outras. Interrupções que se destinam, em caso de algum surto, a proteger os adultos que deviam estar já “protegidos” com várias doses de algo a que se convencionou chamar de vacina não imunizante.

A campanha de vacinação das crianças dos 5 aos 11 anos teve início em meados de dezembro de 2021 e, em 18-1-2022, estariam já vacinadas cerca de 300 mil, isto é, metade das 600 mil elegíveis.

É neste quadro que sucede a primeira morte relacionada com a doença COVID-19 de uma criança de 6 anos no dia 16-1-2022. As notícias vindas nos órgãos de comunicação dominantes (OCD) são quase todas do seguinte teor:

“Criança de 6 anos com teste positivo morreu no domingo no Hospital Santa Maria”

Posteriormente, noticia-se que existe a suspeita de se tratar de uma reação adversa à dose pediátrica da Pfizer contra a COVID-19, hipótese para a qual os OCD tentaram desviar a atenção, ao dar ênfase ao teste positivo da malograda criança. A uniformidade das notícias e dos títulos leva-nos à raiz da informação, a agência Lusa, cujas notícias os OCD reproduzem integralmente.

Sabe-se que o hospital pediu, com caráter urgente, a autópsia que determinará a causa da morte. Sabe-se ainda que a Procuradoria-Geral da República ordenou abertura de inquérito à morte da criança por inexistência de causa aparente. Sabe-se também que a criança terá sido infetada depois de ter tomado a primeira dose pediátrica da Pfizer.

A autópsia já terá sido realizada, mas os resultados não foram ainda divulgados, aguardando-se exames complementares. No entanto, o Infarmed já se apressou em dizer que não há relação comprovada entre paragens cardiorrespiratórias e a vacina.

Entretanto, o OCD Expresso foi ainda mais longe e coloca a hipótese da criança se ter engasgado com comida ou algum objeto, especulações que o hospital recusa confirmar pedindo para que não sejam feitas até estar concluída a investigação.

No OCD Diário de Notícias, um artigo de opinião de 19-1-2022, de Ana Mafalda Inácio, defende que “Nesta altura, a única coisa a fazer é mandar calar as redes sociais”, além de nos garantir que a vacina pediátrica é segura e previne que o resultado da autópsia pode ser inconclusivo além de poder demorar meses.

Em 20-1-2022, o OCD RTP noticia na sua página, contrariando a hipótese de engasgamento do OCD Expresso, que:

Já foram enviados para a Direção-Geral da Saúde os resultados preliminares da autopsia à criança de seis anos que morreu no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.Os médicos que assistiram a criança garantiram à RTP que em nenhum momento do relatório final foi escrito que o menino teria sido vitima de um engasgamento.

Os resultados definitivos só deverão ser conhecidos daqui a um mês.

* Nome fictício mas que pode ser o verdadeiro segundo informação que circula nalgumas redes e referido em 19-1-2022 pelo OCD Correio da Manhã.

Nota posterior à publicação: Confirma-se que a criança, segundo mensagem do Agrupamento de Escolas D. Filipa de Lencastre, se chama efetivamente Rodrigo S..


Henrique Sousa

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Sub-diretor do Inconveniente

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