O inimigo dentro de portas

O Governo socialista criou mais um grupo de trabalho com o objectivo de propôr um plano de acção contra o racismo e a discriminação das minorias étnicas. O líder do SOS Racismo, um activista oriundo do Senegal e naturalizado português, é conhecido da opinião pública por possuir uma retórica política extremista, marcadamente anti-homem branco e anti-civilização ocidental. Ainda há pouco referiu-se ao militar português mais condecorado, Marcelino da Mata, apelidando-o de “criminoso de guerra“.

O Governo socialista acaba de oferecer um palco a uma pessoa que simpatiza com o filósofo marxista e racista Frantz Omar Fanon, conhecido pela defesa da urgência em “matar o homem branco” com a justificação de que o “homem branco” carrega a culpa da opressão centenária das minorias étnicas. Segundo Fanon, o resgate das minorias oprimidas exige a morte do “homem branco” e dos valores que ele veicula e representa.

Sendo certo que é um mau sinal colocar uma pessoa que se revê no extremismo racista de Frantz Omar Fanon num grupo de trabalho governamental, também é verdade que o líder do SOS Racismo tem o direito à liberdade de expressão. Numa democracia liberal, até as vozes mais extremistas devem ter o direito a ocupar o espaço público, sem medo, e à defesa de posições políticas que violentam os mais elementares valores que estão no cerne da civilização ocidental.

Corre na internet uma petição a pedir a deportação do líder do SOS Racismo. Os que acreditam e defendem a liberdade de expressão como um valor estruturante da democracia liberal não podem concordar com petições que propõem o “cancelamento” e a ostracização de indivíduos por motivos da expressão de posições, ainda que as mesmas sejam profundamente erradas e atentatórias da decência e do bom senso.


Ramiro Marques

O autor segue a norma ortográfica anterior.

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