O garrote energético da UE

A União Europeia (UE) encontra-se sob enorme pressão por causa da sua dependência energética e devido a uma série de circunstâncias.

Em primeiro lugar, a UE é constituída por países de elevado consumo de energia per capita para uso industrial, comercial e doméstico. Deste modo, precisa de grande quantidade de energia para manter o seu estatuto económico e social.

Infelizmente não possui fontes de energia geológicas em quantidade suficiente e depende de outros países para se abastecer dessas fontes, nomeadamente do carvão, petróleo e gás natural. E até mesmo do urânio para as suas centrais nucleares.

Por outro lado, a UE vê com maus olhos a utilização do carvão, do petróleo e do gás porque da sua queima resulta o maldito CO2, alegadamente o principal responsável pelo efeito de estufa que irá fazer aumentar a temperatura global, trazendo consequências nefastas a toda a humanidade. Por isso, a UE pretende abandonar progressivamente os combustíveis fósseis pela ordem seguinte: primeiro, o carvão, por ser o mais ‘poluente’, depois, o petróleo e, por último, o gás, que é considerado o menos poluente de todos.

O abandono já iniciado do carvão (e posteriormente do petróleo) fará aumentar as necessidades de gás natural e aumentar a dependência em relação a um combustível que, por razões climáticas, ambientais, etc., pode tornar-se exclusivo, pelo menos enquanto não houver outras alternativas confiáveis.

O gás natural pode ter diversas origens que competem entre si: os EUA, a Rússia, Israel/Egipto. Outros players como a Nigéria, o Qatar, etc. não parecem estar nesta grande competição de fornecer gás à Europa. Os EUA estão interessados em vender o seu GNL, mais caro que o gás russo. A Rússia está interessada em vender o seu gás, mais caro que o de Israel/Egipto. Os EUA conseguiram boicotar o gás russo com a ajuda da Alemanha, que congelou o Nord Stream 2 por causa da invasão russa da Ucrânia. A Rússia, a Turquia e os EUA conseguiram fazer abortar o projeto israelo-egípcio do gasoduto EastMed que iria atravessar Chipre e Grécia.

Relativamente às alternativas, uma das já existentes são as ditas energias renováveis: hídrica, geotérmica, eólica e solar. Os recursos hídricos já se encontram esgotados e os recursos geotérmicos são escassos; a eólica e solar, por serem intermitentes, nunca poderão acompanhar a procura, funcionando apenas como economizadores de energia fóssil, sem a substituir de forma substancial. E estas alternativas aplicam-se exclusivamente para a produção de eletricidade, tendo uma expressão reduzida na mobilidade (fortemente dependente do petróleo) ou em indústrias que precisam do carvão ou gás como fontes de calor ou matéria-prima.

A outra alternativa é a energia nuclear, mas em relação à qual a UE ainda sofre do trauma psicológico provocado pelos acidentes em Chernobil (Ucrânia, 1986) e Fukushima (Japão, 2011).

A UE enfrenta, pois, um garrote energético com as seguintes componentes principais:

– Grande necessidade de energia

– Parcos recursos energéticos

– Dependência de países terceiros em relação aos combustíveis

– Bloqueio mental devido ao mito climático

– Trauma psicológico em relação à energia nuclear

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