O Chega contra o próprio Chega?

Quando se fala em clarificação ideológica do Chega, isto não significa dizer que é preciso alterar o que o partido defende desde a sua origem quando apresentou o Manifesto Político Fundador e o seu Programa Político. O que se pretende é deixar mais evidentes e bem interpretados os temas ali apresentados.

São vários os militantes que aderiram ao Chega por se identificarem com a ideologia, os valores e os princípios, defendidos pelo partido ou, conforme foi dito numa certa moção, por estarem em consonância com “as linhas mestras do partido”. Muitos, e porque não dizer os “antigos militantes”, foram aqueles que abraçaram este projeto pelas “causas” e não pelos “lugares”, nem pelas “agendas pessoais” ou até mesmo pelas “pessoas” que lideram o partido. Entendemos, portanto, que, se estas “pessoas”, ou seja, os seus dirigentes, defendem as mesmas “causas” que defendemos, nós não apenas defendemos as causas, mas também defenderemos intransigentemente a liderança. 

É comum ouvir nas conversas informais, nos grupos e nas redes sociais, o termo “os originais”, que significa aqueles que ingressaram no Chega nas suas localidades, abraçaram esta causa, lutaram e, contra tudo e todos, doaram-se ao partido desde o princípio. Mas, infelizmente, o que ocorre hoje é que os chamados “originais”, também conhecidos como “os Chega do Chega” estão a afastar-se cada vez mais do partido. Ou ainda, estão a ser afastados, pelo próprio partido, pelas divergências saudáveis e democráticas que estes impõem. 

A crer nas últimas sondagens, o Chega, de 2020 a 2021, estagnou nos 8% de intenções de voto. Então, como explicar que a nível de militância, no mesmo período de tempo, as inscrições tenham alegadamente aumentado? Será que realmente cresceu? Será que se mantém estável? Ou, será que para cada um que entra há sempre um “Chega-original” que sai? O que é que desaponta quem sai? Será a falta de democracia interna? Ou será a colisão entre o manifesto do Chega e as agendas próprias de cada novo dirigente?

Um exemplo claro disto, pôde ser visto nos dois últimos congressos – nos anos de 2020 em Évora e 2021 em Coimbra – em que diversas moções, que estavam em completa sintonia com o que o partido defende, tiveram votos contra, e isto deu-se não pelas causas apresentadas, mas sim pelas pessoas que as apresentaram. Foi o caso da Distrital de Braga, que em dois anos consecutivos votou contra as moções sobre o tema Educação, cujos títulos foram “Para uma participação ativa dos pais na educação escolar dos seus filhos” e “Escola despolitizada”. 

Afinal, o que leva a Distrital de Braga a votar contra o que o partido defende?

Questiono: se as ideias apresentadas estão em plena concordância com o programa político do partido, qual é a motivação para votar contra moções que reforçam e clarificam a ideologia do Chega? Quem são os militantes, que não partilham dos ideais democráticos do Chega, e trabalham não para o partido, mas sim para as suas agendas pessoais? Será que o Chega está contra o próprio Chega? Ou será que se perdeu algo do “copo original” e, na quebra desse copo (crescimento/caos), a “matéria não foi toda recolhida”?  

Esperamos ter a “matéria” completa e recuperada, pois os militantes que entraram no partido, não com o propósito de dividir e sim de unir – em torno dos ideais de uma verdadeira Direita que o Chega defende – serão sempre devotos a uma ideologia política (aquela que foi apresentada pelo partido na sua origem) e não a uma pessoa. Não somos “seguidistas cegos”!


Cibelli Almeida
Militante n.º 501

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Latest comments

  • Cibelli,

    Os soldados vão na frente dar o corpo às balas, atrás vem os generais usufruir do terreno conquistado, depois chegam os oportunistas para instalar suas casas, montar seus negócios e ocupar tudo aquilo que está á disposição.

    Quando não havia terreno… Existia amor, convicção e pátria.

    Depois de existir terreno… Existe corrupção, compadrio e falta de vergonha.

  • O Ventura é pior que os outros todos juntos

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