O Certificado do Partido

O combate à chamada pandemia Covid, uma doença altamente contagiosa com 2% de taxa de letalidade, sendo que destes 2% mais de 80% são pessoas com mais de 60 anos (todas já vacinadas, exceto quem não quis), passa agora pela exigência a todos os cidadãos de um certificado de vacinação ou um teste negativo para poderem aceder a eventos ou frequentar restaurantes. Justificam esta exigência com o aparecimento de variantes do vírus mais perigosas e que podem ser letais para todas as faixas etárias, embora não sejam divulgados pormenores em relação à idade de quem morre ou comorbilidades.

É possível que a maioria das pessoas aceite este certificado como absolutamente normal e até o apoiem, na esperança de que tudo isto acabe em breve. Há mesmo gente que exibe o seu certificado nas redes sociais. Qual a intenção dessas pessoas? Será para fazer inveja porque passaram a ter mais liberdade que os outros? Para mostrar que são boas pessoas e que se preocupam com a saúde pública? Ou simplesmente porque aceitam tudo na sua santa ingenuidade e não acreditam em conspirações?

No século passado, houve regimes que inventaram “pandemias” e também impuseram proibições a certos grupos de pessoas, arranjando forma de os distinguir dos cidadãos cumpridores e ingénuos – na Alemanha os judeus foram marcados e tinham acesso barrado em restaurantes ou eventos e na Rússia, às pessoas que não aderiam ao comunismo ou eram consideradas fiéis ao regime anterior, negava-se senhas de alimentos, deixando-as morrer à fome.

Esperemos que as regalias do certificado, que são negadas agora àqueles que não se vacinaram nem querem sujeitar-se aos testes, não venham a incluir também os transportes, supermercados e mercearias. Se isso vier a acontecer, será uma versão moderna do que se passou na Rússia com as senhas para alimentos que eram negadas aos “negacionistas” da época.

Que esta pandemia sirva para nos mostrar como é que as apregoadas liberdades democráticas podem, com uma campanha de pânico bem orquestrada e muitas vezes empolada nos meios de comunicação arregimentados, ser suprimidas àqueles que não cumprem as ordens do partido. Alegarão que a saúde é mais importante que a liberdade, podendo esta ser sacrificada em nome daquela. Sim, há liberdades que podem ser suprimidas em estados de emergência ou de sítio, mas este certificado do partido veio para ficar, seja qual for o estado.

Argumentam que os certificados de vacina já são exigidos quando se viaja para países com doenças endémicas. Tudo bem, mas não para ir à mercearia da esquina. Exijam certificados de vacina a quem vem de fora, mas não aos que já cá estão e só querem ir tomar um café, mesmo que seja da variante “Delta”.


Henrique Sousa

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Latest comments

  • Esta pandemia tem uma enorme capacidade para revelar a estupidez latente em vários sectores da nossa sociedade.
    – Começando pelo governo que andou à nora no início, esperando directivas da UE, o que só por si é degradante! mesmo depois de passado o efeito “surpresa”, ele consegue repetir erros triviais!
    – Continuando com uma classe de epidemiologistas que demonstrou falta de preparação para uma ocorrência por demais anunciada, e para a qual houve até “treinos” nos últimos 12 anos. Temos à frente da DGS uma suposta especialista no assunto, com obra publicada, e é a 2ª vez que se deixa endrominar pelo virus! Está outra vez em isolamento!
    – Por fim mas não menos estúpidos, uma classe que se assume no papel negacionista, seja lá isso o que for, pois ainda não consegui perceber patavina do que defendem, ou contestam, mas penso que seja assim qualquer coisa como a velha e surrada Anarquia : eu quero e faço, os outros que se danem!
    Ou será : cada um por si ? Confesso, ainda não percebi !
    Não, não sou pelo clube do poleiro, e até os critico aqui :
    – O Costa vê na implementação do certificado um grande feito da sua presidência europeia, mas será que ele já reparou que aquele instrumento foi projectado para controlar viagens internacionais e nada mais ?
    – Até uma Srª idosa (na casa dos 60), do norte, apareceu ontem na TV a reclamar da inutilidade daquela coisa no controle de acesso aos restaurantes (coisa que por sinal eu já suspeitava).
    – Pois é, aquilo estava pensado para ser verificado por uma autoridade policial (GNR, PSP, e SEF se ainda existisse),
    dado que só as autoridades policiais podem exigir a apresentação do cartão de cidadão para comprovar a identidade duma pessoa, e o certificado nem sequer tem uma foto!
    Resultado prático da burrada (de que o Costa tanto se orgulha) :
    – Ao tentar alargar o uso para controle de acesso a restaurantes e outros locais sem a presença duma autoridade, ele está a incentivar as pessoas para a fraude !
    – Qualquer pessoa pode usar um certificado emprestado por um amigo ou familiar bastando que assuma o nome do legítimo titular! Nós sabemos como o tuga é solidário e xico-esperto, mas o Costa não!
    – Numa 2º fase, para não envolver o titular nalguma sarilhada, o melhor mesmo é pura e simplesmente falsificar o certificado colocando o nome de quem o vai utilizar, até porque o mais certo é o restaurante não ter nenhum dispositivo para o ler e vai aceitar o papel!
    – Costa é pessoa de aparências! O importante é passar a imagem de que está tudo controlado e a funcionar, a realidade não conta!

  • Égalité. Fraternité Immunisé!!!

  • E as alterações à CRP propostas pelo PSD? Rumo ao totalitarismo chinês!

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