Ó carvão danado, quanto da tua ausência são lágrimas de Portugal!

“No topo das nossas prioridades encontra-se a resposta à crise energética. Não queremos uma resposta qualquer, mas uma que acautele os limites do nosso ecossistema natural. Por isso, não pretendemos reativar as centrais a carvão, que tantos insistem que consideremos” – disse Duarte Cordeiro, atual ministro do Ambiente e Ação Climática, no debate sobre o Orçamento de Estado no dia 8-4-2022.

O ministro defende que essa reativação das centrais a carvão é indesejável porque conduziria a um aumento “absurdo” do preço da eletricidade, dados os “custos de produção das centrais a carvão” e conduziria a uma “falta de segurança que representaria a dependência de um mercado, o do carvão, dominado pela Rússia“, colocando ainda a tónica na necessidade de “descarbonizar”, “desligar o preço da eletricidade do do gás” e “acelerar [reduzir?], sem diminuir os controlos ambientais, os preços de energias renováveis”.

Catarina Martins, deputada do BE, sugerira por sua vez taxar os lucros extra (resultantes do aumento de preço dos combustíveis) das empresas de energia, mas Duarte Cordeiro contrapõe que, para reduzir o impacto da crise energética nos consumidores, é preferível criar “uma almofada para reduzir o preço junto dos consumidores domésticos e industriais” e “reforçar a diversificação de fornecedores de produtos energéticos e aumentar as interligações, evitando a armadilha da dependência da Rússia, apostando na soberania e progressiva autonomia” de Portugal.

“Em suma, a nossa aposta em renováveis é a sustentabilidade. Ao acelerar estes projetos, estamos a defender e salvaguardar o nosso país, os portugueses, a economia e a nossa indústria.”

Duarte Cordeiro aponta, portanto, as seguintes metas, justificando-as com as alterações climáticas, descarbonização, etc.:

  • Abandono da produção a carvão para não depender da Rússia e por causa dos custos, do Ambiente, etc.
  • Aposta em mais renováveis, mormente solar e eólica
  • Expandir interligações com Espanha e França (elétricas, gás, petróleo?)
  • Diversificar fornecedores

Surge a dúvida se a dimensão de Portugal justifica o sacrifício do abandono do carvão, numa altura em que os seus grandes consumidores (EUA, China, Alemanha, etc.) aumentam o seu consumo.

Portugal importava o carvão da Colômbia e não da Rússia, não dependendo de nenhuma fonte de energia russa.

As energias solar e eólica são intermitentes, e não dispensam outras fontes, como o gás e o petróleo, por mais equipamentos que se instale. Porque quando falta o vento ou o sol, não há produção. As interligações podem permitir a importação/exportação de eletricidade de origem nuclear e a carvão, bem como de gás e petróleo se também houver interligação. Mas o saldo português será sempre um saldo de importação, como tem sido com a Espanha, e cada vez mais desde que as centrais a carvão foram encerradas.

Contextualizando a questão energética portuguesa, o gráfico abaixo, de Agência Internacional de Energia, mostra como Portugal tem vindo a cobrir as suas necessidades energéticas entre 1990 e 2020. O gráfico não inclui a eletricidade importada de Espanha que engloba as componentes carvão, nuclear e outras. Todavia, sugere, senão um declínio, pelo menos uma estagnação da utilização de energia, quiçá por declínio da própria economia.

É possível observar o contributo irrisório das renováveis solar, eólica, etc. que o ministro Duarte Cordeiro pretende priorizar para “defender e salvaguardar” o País e a sua economia: em 2020, representava 7,4% do total, não havendo já muitos locais de interesse para instalar eólicas; e as solares vão competir em área com as florestas, funcionando em média 4 horas por dia.

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Sub-diretor do Inconveniente

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