Neo-feudalismo climático

Não há um único dia em que os órgãos de comunicação dominantes (OCD) não mencionem as alterações climáticas antrópicas. A propósito de qualquer assunto, sejam notícias da quebra nas colheitas, da falta de água, do calor ou do frio, das inundações ou dos incêndios, sejam documentários sobre os ursos polares, glaciares ou a pesca do bacalhau na Gronelândia, tudo serve para lembrar às pessoas que elas são as responsáveis por todas as ocorrências que põem em risco a vida no planeta – por causa das emissões de gases de efeito estufa que provocam as alegadas alterações climáticas.

Esta propaganda massiva nos OCD penetra de tal forma nas mentes das pessoas que muitas, especialmente as mais jovens, desenvolvem uma ansiedade climática exacerbada, tanto mais que as medidas de combate às emissões precisam de muito tempo e dinheiro, e os desejados ganhos serão sempre pequenos. Portugal, por exemplo, mesmo que atinja o chamado net-zero, só vai retirar 0,13% das emissões antrópicas globais anuais de CO2 que são 0,005% das emissões totais anuais no planeta.

Mesmo assim, vemos muitas pessoas convencidas de que é sua obrigação fazer tudo o que puderem para combater as alterações climáticas, desde governantes (bem ou mal intencionados) a técnicos altamente qualificados que trabalham afanosamente em soluções, convencidos da bondade da causa climática e longe de imaginar que podem estar a ser enganados.

Perante o exagerado empenho com que os OCD se referem às alterações climáticas, sem que nada de substancial aconteça – o consumo de combustíveis fósseis e as emissões globais continuam a aumentar apesar dos múltiplos e dispendiosos projectos verdes –, poder-se-á concluir que haverá outros propósitos, disfarçados de uma nobilíssima intenção de salvar o planeta.

A ansiedade climática das pessoas é acompanhada também por sentimentos de culpa porque todos contribuem, mesmo que de forma infinitesimal, para as emissões de carbono, quanto mais não seja por insistirem em respirar. Assim, cada pessoa representa um perigo para as alterações climáticas, sendo a sua contribuição frequentemente conhecida como pegada de carbono.

A pegada de carbono dependerá quase exclusivamente do consumo individual. Uma pessoa que consome muitos bens associados a grandes emissões de carbono, terá uma pegada de carbono superior a uma pessoa que consome menos porque anda a pé, não come carne, usa produtos biológicos, gasta pouca energia e por aí fora… Mas o factor mais importante para a pegada de carbono será o poder de compra já que os ricos consomem em regra mais que os pobres.

Num artigo anterior falámos dos créditos de carbono que, na prática, constituem uma nova forma de colonialismo. Os países pobres vendem os seus créditos de carbono aos países ricos para que estes possam produzir bens que os pobres só poderiam produzir dispondo dos tais créditos alienados, para depois comprarem bens mais caros dos ricos.

Preconiza-se agora a instituição de créditos de carbono pessoais, também chamados de porta-moedas de carbono (carbon wallet). Cada pessoa receberá, com o seu salário, uma certa quantia em créditos de carbono que vão diminuindo consoante a sua pegada de carbono aumenta, isto é, à medida que adquire bens de consumo. Uma pessoa pobre, que não gaste os seus créditos, porque não tem poder de compra, poderá vender os créditos excedentes a uma pessoa rica para que esta possa, por exemplo, viajar ou consumir mais bens. Mas ao esgotar os seus créditos, os pobres deixam de poder consumir porque cada consumo se fará também mediante a disponibilidade de créditos de carbono que poderão (ou não) conseguir reaver.

Contudo, a implementação de um tal sistema requer um controlo rigoroso e absoluto dos consumos individuais. Este controlo só é possível com o desaparecimento do dinheiro físico e a sua substituição por moeda digital, além de ser necessário associar os consumos a quem realmente os efectua, isto é, criar uma identificação digital associada aos créditos gastos no consumo.

Não adiantamos mais sobre este controverso assunto, mas ele está a ser levado muito a sério por governos e banqueiros, podendo o sistema de créditos vir a ser imposto de forma autoritária aos cidadãos do planeta. Há quem defenda que se trata de uma nova forma de feudalismo, na medida em que fará os ricos ainda mais ricos e os pobres ainda mais pobres ou impedidos de consumir, mesmo que disponham de algum dinheiro ainda.

O vídeo que se mostra abaixo encontra-se no canal do Youtube da GBNews, Britain’s News Channel, aborda o assunto aqui aflorado e parece exigir uma maior vigilância dos cidadãos para impedir qualquer tentativa de implantação do neo-feudalismo!

Henrique Sousa

Editor para Energia e Ambiente do Inconveniente

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Sub-diretor do Inconveniente

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