Nem tudo o que é verde brilha!

Em 4-4-2021, a RTP colocou no Youtube um documentário intitulado “O Lado Negro das Energias Verdes” que exibimos neste artigo, mais abaixo. A reportagem começa com estas palavras:

“As pessoas estão convencidas, nós convencemo-las, de que se todos tivessem carros eléctricos resolveríamos todos os problemas relacionados com o CO2.”

Mas podemos generalizar dizendo que as pessoas foram convencidas que a energia eólica e solar, os carros eléctricos, o hidrogénio, etc., em suma as tecnologias verdes, vão reduzir a poluição e salvar o planeta do temido aquecimento global provocado pelo CO2.

Porém, a quantidade de recursos naturais necessária para as tecnologias verdes é muito superior à das tecnologias convencionais, como se pode apreender deste artigo da World Nuclear Association (WNA) cuja leitura recomendamos para se perceber as necessidades em recursos das diversas tecnologias. Por exemplo, se a geração de electricidade a carvão precisa de 7 toneladas de minerais críticos por TWh de energia produzida, as eólicas offshore precisam de 200 toneladas por TWh.

Com base no artigo atrás indicado, devemos recear que a transição energética em curso seja pior para o ambiente porque necessita de muito mais recursos naturais, cuja extracção, tratamento e utilização provocará uma poluição muito superior, além de encarecer a energia com reflexos negativos na economia. Do artigo citado da WNA, destacamos este parágrafo:

“Além do mais, a reciclagem de muitos desses recursos é anti-económica por ser mais cara do que a extracção. O principal desafio na reciclagem de minerais raros é o mesmo que o desafio inicial na sua mineração – depende da concentração. Para muitos minerais utilizados nas tecnologias de baixo carbono, a sua baixa concentração nos resíduos impede uma reciclagem rentável ou prática. Em muitos casos, as concentrações são menores do que no minério virgem do qual os minerais foram extraídos. As aplicações de alguns metais são passíveis de fácil recuperação (por exemplo, chumbo em baterias, aço em automóveis), enquanto a reciclagem de materiais usados em pequenas quantidades em produtos complexos é tecnicamente muito mais desafiadora. Como tal, muitas vezes a energia necessária para recuperar um mineral reciclado é maior do que a quantidade necessária para extraí-lo do minério virgem.”

Henrique Sousa

Editor para Energia e Ambiente do Inconveniente

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Sub-diretor do Inconveniente

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