Negacionismos: covidiano, climático e outros

A pandemia da COVID-19 suscitou, desde que eclodiu em janeiro de 2020, diversas dúvidas na opinião pública mundial. A origem do vírus que viria a representar um grande perigo para o mundo podia ser de duas naturezas, man-made ou nature-made: fabricado pelo Homem (o vírus teria escapado de um laboratório de Wuhan onde foi construído) ou fabricado na natureza (o vírus terá saltado de alguma espécie animal para a humana). Esta questão ainda não está completamente clarificada. Porém, desde logo as autoridades mundiais, acreditando na palavra dada por Pequim, excluíram a hipótese man-made e consideraram negacionistas os que nela acreditavam. A hipótese de origem natural ganhou foros de certeza científica porque foi a escolhida oficialmente pelo mainstream. Porém ainda não se sabe de que animal ou animais o vírus passou para o homem.

O Aquecimento Global é uma teoria proposta por Svante Arrhenius no final do século XIX e ressuscitada por Al Gore mais de 100 anos depois. Tomando como certo que a temperatura global da Terra está a subir e que isso acarretará enormes prejuízos ao Homem devido à alteração do clima, colocam-se também as duas hipóteses: man-made ou nature-made, fabricado pelo Homem (como resultado das suas atividades produtivas e energéticas), ou fabricado na natureza (atividade solar, vulcões, ciclos naturais, etc.). Aqui a hipótese adotada oficialmente foi a da origem humana e quem nela não acredita é considerado negacionista. A hipótese antropogénica ganhou também foros de certeza científica e foi a escolhida oficialmente pela comunidade internacional. Mas não é certo que o aquecimento global, a existir, traga mais desvantagens do que vantagens para a vida humana na Terra.

Estes dois negacionismos, o covidiano e o climático, têm origens muito diferentes da atitude negacionista psicológica, descrita por Freud como sendo um mecanismo mental que tem como objetivo reduzir as manifestações que põem em perigo o ego de quem manifesta essa atitude. Ou seja, a pessoa negacionista é aquela que se recusa a enfrentar uma realidade que pensa ser ameaçadora, recusando mesmo a sua existência. E, para tal, chega a conceber argumentos que sustentam a sua visão contrária à realidade.

Os negacionismos covidiano e climático acima relatados resultam do facto de certas organizações terem eleito como verdade “científica” aquela que consideram mais conveniente para atingir os seus objetivos, ou por qualquer outro tipo de conveniência política, social ou económica. Verdades que não são consensuais e têm, por isso, opiniões discordantes mas consideradas negacionistas por se contraporem às verdades oficiais.

Outro tipo de negacionismo, que tem na sua base o negacionismo freudiano, é o negacionismo histórico onde factos históricos são negados e substituídos por verdades mais convenientes. Negar os genocídios de regimes ditatoriais ou negar a existência da escravatura são casos de negacionismo histórico. Um caso mais atual de negacionismo histórico é, por exemplo, a destruição de estátuas, monumentos, pinturas, etc., como se isso pudesse branquear o passado ou torná-lo inexistente.

Também se pode falar de negacionismo científico quando certos factos estabelecidos pela ciência e aceites universalmente são negados por alguns grupos de pessoas, diria mesmo seitas científicas. Podemos aqui citar, por serem mais falados agora, negar que a Terra é redonda ou negar que o Homem esteve na Lua. Este negacionismo também não está relacionado com o negacionismo freudiano, porque não visa calar manifestações que ponham em perigo o ego dos sujeitos nele envolvidos. A motivação deste negacionismo é diferente e reside na obtenção de vantagens económicas, protagonismo, sensacionalismo, etc..

Podemos incluir neste último negacionismo aquelas notícias que negam a existência de uma pandemia que, direta e indiretamente, já ceifou muitos milhões de vidas no mundo. Não porque seja mais letal mas sim por ser mais contagioso e que, apesar de só causar maioritariamente a morte de idosos e pessoas com comorbilidades, colocou a maioria dos países em pânico e está a destruir a civilização tal como já a conhecemos, com graves prejuízos económicos.

Mas achar que haveria formas alternativas às oficiais para lidar com a pandemia, não pode ser considerado negacionismo. É uma opinião. Há quem não concorde com o lockdown e as outras medidas de combate à pandemia postas em prática, apresentando alternativas. Mas quem expressa opiniões diferentes das oficiais é também um perigoso negacionista e é censurado pelos defensores das verdades “científicas”.

Da mesma forma, ser negacionista climático seria dizer que a Terra não está a aquecer quando os dados climáticos vão alegadamente nesse sentido. Achar que o aquecimento global não é algo de grave (a Terra já passou por várias alterações climáticas desde que o Homem existe…), não é negacionismo. Quem, neste caso, retira vantagens económicas, protagonismo e sensacionalismo não são os “negacionistas”, são os governos, os lóbis climáticos e até mesmo a ONU para suster o desenvolvimento dos países pobres e para servir de justificação para a redução da população mundial que considera responsável pela pobreza e constitui uma enorme pressão económica sobre os países ricos.

Vemos assim que existem vários tipos de negacionismo diferentes porque têm origens e motivações diversas. Existem ainda as opiniões, as abordagens alternativas, ou as contra-propostas de quem não nega os factos mas tem uma visão diferente da verdade oficial.

Aqueles que divergem das verdades e soluções arbitrariamente fixadas pelo mainstream apoiado por fortes lóbis, seus media, seus fact-checkers, seus governos, suas organizações mundiais, são todos metidos no mesmo saco: são negacionistas!

Mas aqui, como somos inconvenientes, resistimos e não desistimos ainda de pensar.


Henrique Sousa

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  • O raciocínio está muito bem exposto, mas na parte final salta uma etapa :
    Ter opinião é uma coisa, negar que o confinamento seja a solução de último recurso é outra.
    Claro que ideias há muitas, mas nem todas são eficazes, seja pela medida em si, seja pela forma como a população adere ou não a essa medida.
    Sendo o governo em funções o responsável pela tomada dessas medidas, tem a liberdade e responsabilidade para gerir a crise!
    Em minha opinião, o governo falhou no Natal. Não sei se pelas eleições presidênciais ou se por ter dado demasiada atenção aos tais “negacionistas”, o certo é que falhou, e foram os tais “negacionistas” os primeiros a atirar pedras!
    Além disso, esse saco dos “negacionistas” é tão diverso que duvido que caso lhes fosse dada a oportunidade de gerir a coisa conseguissem sequer exprimir a tal ideia!
    Basta ver o que aconteceu com aquele grupo “Médicos pela Verdade”!
    Já vimos como é que isto funciona. Aquilo que é medonho para um oposicionista, passa a ser belo, ou no mínimo a solução possível quando o oposicionista passa para o comando.
    As cautelas de Passos Coelho com a dívida pública horrorizaram o PS, mas agora vistas por dentro essas cautelas já não são assim tão condenáveis e a austeridade foi substituída pelas cativações, mas o resultado é o mesmo!
    Vale tudo para chegar ao poleiro, depois é só gerir a vantagem.

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