Natal sempre

Nasceu. Nasce todos os anos lembrando a necessidade de renovar a fé, de arrepender, de agradecer, de alimentar a esperança. Crendo além da razão. Ou encontrando apenas na fé o silogismo da confiança.

Deus destina cada homem um ápice de tempo a que chamamos vida terrena. Além desta, outra se abre, eterna, corolário das nossas escolhas. Nesta janela sobre o mundo que nos é rasgada, cheia de luzes e sombras, temos a missão de servir o propósito de Deus. A vida não é gratuita. O preço do seu gozo é o sacrifício que comporta.

Na Igreja, o sal corrompe-se e perde o seu efeito. Padres, bispos e cardeais, são acusados do pior dos pecados que é abuso de crianças, e são cúmplices pelo encobrimento e sistemática negligência. Até um sostituto se enrola num escândalo sexual e corrupção do óvulo petrino….

Como evidência do mal que corrói a sua fundação e apodrece os seus muros, o Papa Francisco, tentando ser o eixo de uma roda desengonçada que corre em direção ao abismo mundano, marca dois ritmos de velocidade numa Igreja cética de travestidos sacramentos e com os fiéis desorientados perante o caminho sinuoso. Pior ainda do que a divisão da Igreja, a confiança que se suplica (Fiducia Supplicans, de 18-12-2023) porque se perdeu, e que implica as bênçãos, na prática tornando-as canónicas, de uniōes contra natura e adulterinas. Um caminho mundano de relativismo na Igreja que se sustentava em dogmas e certezas.

Neste contexto imoral da Igreja, é muito difícil manter o sentido da vida e trabalhar para a mudança. Mas não há outro caminho, nem outra Verdade, nem outra Vida.

 

António Balbino Caldeira
Diretor

Partilhar

Sem comentários

deixe um comentário