Não podemos ter o bolo que comemos

A propósito da COP26, Conferência das Partes que se realiza em Glasgow de 31-10-2021 a 12-11-2021, pensei escrever um artigo com o título de “Sol na eira e chuva no nabal”. Mas antes disso, “googlei” para me certificar se o mesmo título não ocorrera já a mais alguém. Realmente encontrei o artigo de Manuel Portugal Lage no Diário de Notícias do dia 19-7-2021 que teve a mesma ideia para título, de António Guerreiro no semanário Sol de 6-12-2019 e alguns outros. Possivelmente todos eles sobre as alterações climáticas e a economia.

Por isso, e para não ser mais um entre tantos, resolvi adaptar um provérbio inglês (you can’t have your cake and eat it) como título deste artigo.

Na COP26, representantes de 200 países vão prometer que, até ao ano de não-sei-quantos, terão uma economia neutra em carbono. Isto é, vão tratar de não emitir mais dióxido de carbono do que aquele que conseguem capturar. Para se atingir o estado de economia neutra em carbono, os países vão ter que sacrificar o seu desenvolvimento económico, ou seja, a sua economia.

Tudo assenta, como já se ouve com demasiada frequência, na hipótese do aquecimento global antropogénico, que aponta o CO2 como único responsável pelo alegado efeito de estufa que aquece o planeta e que vai provocar catástrofes como cheias, tempestades, incêndios florestais em climas frios e nevões em climas quentes, subida do nível dos oceanos, desaparecimento de espécies animais e vegetais, pandemias, e sabe-se lá que mais. E o objetivo da neutralidade carbónica é fazer com que o planeta não aqueça mais do que 1,5ºC… vá lá, 2ºC. Sejamos tolerantes!

A recente desregulação em alta dos preços dos combustíveis fósseis, resultante da queda do consumo seguida de um aumento grande da procura, desencadeou o alarme naqueles países que dependem (ainda?) fortemente desses combustíveis para aquecimento, transportes, eletricidade, etc..

A China, a braços com a aproximação do inverno e o aumento da procura dos produtos das suas fábricas, recorre ao seu carvão e paga o que for preciso pelo gás natural. Na Europa surgem novas centrais a carvão (importado em parte), enquanto o preço do gás dispara devido à sua escassez e a questões políticas que fazem com que os países produtores fechem as suas torneiras.

O preço do gás natural faz subir o preço da eletricidade e o preço do petróleo também sobe, acompanhando a tendência de subida do preço da energia em geral e porque os países da OPEP baixaram a extração para não haver queda dos preços. Com a energia cara, tudo vai encarecer. Não há volta a dar! Como já se viu, as “eólicas” não conseguem substituir os combustíveis fósseis porque o vento pode abrandar mas a economia não.

E é neste cenário que vai decorrer o COP26. Os países vão prometer, porque prometer não compromete, que vão conseguir a neutralidade carbónica até ao ano de não-sei-quantos. E vão plantar mais eólicas e solares e aumentar a taxa de carbono e a eficiência energética e blá-blá-blá. Quando acabar a COP26, regressam aos seus países e, de pés mais assentes na terra, assinam acordos de abastecimento de carvão, gás e petróleo para se aquecerem e manterem a sua economia a funcionar.

Não podemos salvar o planeta e ter energia barata com economia a crescer!


Henrique Sousa

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