Merkel resiste ao lóbi climático

Segundo o jornal alemão Handelsblatt de 15-5-2021, e de acordo com a vontade da chanceler Angela Merkel, a eliminação do carvão deve processar-se, o mais tardar, até 2038, como fora já acordado, apesar das rígidas decisões de proteção climática do governo federal. “Os afetados precisam de um pouco de previsibilidade no caminho para a neutralidade climática”, disse Merkel no sábado numa discussão digital no Congresso da Igreja Ecuménica em Frankfurt.

“Não quero, depois de um ano, soltá-lo de novo”, disse a chanceler, rejeitando os pedidos de antecipação da data final do estado para o uso do carvão. No entanto, Merkel refere que o uso real do carvão depende muito do preço do CO2 no comércio europeu de emissões de gases de efeito estufa.

Neste momento, o preço da tonelada de 50 euros garante que a lenhite seja menos utilizada, portanto, menos eletricidade produzida a partir do carvão a ser exportada. O desenvolvimento já não pode ser controlado apenas a nível nacional. Uma eventual saída antecipada do carvão decidirá qual a tecnologia compatível com o aumento dos preços do CO2, disse Merkel.

Em 2020, os governos federal e do estado de Hessen concordaram em eliminar gradualmente a geração de energia a carvão até 2038. De acordo com alguns especialistas, sem uma eliminação antecipada do carvão, não se pode alcançar metas climáticas mais ambiciosas.

A Alemanha tenciona abandonar a energia nuclear até 2022 e o carvão, uma das suas principais fontes de energia endógena, é imprescindível para garantir a satisfação da procura de eletricidade. De resto, o cumprimento das metas climáticas alemãs só é possível com o aumento da eficiência energética à custa de grandes investimentos nessa área.

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