Maior taxa contágio Covid nos não-vacinados?

Recentemente, um artigo de Alex Berenson (1) captou a minha atenção: os adultos ingleses vacinados com menos de 60 anos estariam a morrer duas vezes mais que as pessoas não vacinadas da mesma idade.

No Reino Unido, a ONS (Office for National Statistics, congénere do INE em Portugal) publica os dados relativos àmortalidade “todas as causas” por faixa etária e estado vacinal.

E para a Inglaterra, a taxa de mortalidade dos duplamente vacinados (pessoas com um esquema vacinal completo) tem sido nos últimos meses sistematicamente o dobro da dos não vacinados.

Dado o largo espectro da faixa etária utilizada (dos 10 aos 59 anos) é possível que estejamos perante uma ilusão de agregação de dados, designada por paradoxo de Simpson (a letalidade do COVID é muito menor para uma criança de 10 anos do que para um adulto de 59 anos). Num dos seus artigos, Mathew Crawford (2) explica este cenário de forma brilhante.

A polémica em torno desta questão, levou a que a ONS anunciasse (3) que na sua próxima publicação, estes dados serão detalhados por faixas etárias mais reduzidas. Nesse momento deveremos ter uma visão mais precisa desta problemática (mesmo se outros fatores como as comorbidadesterão que ser analisados).

Ao adicionar a curva (em azul) relativa aos óbitos que aconteceram “21 dias ou mais após a primeira dose” (4) constata-se que as taxas de mortalidade são extremamente altas (4 a 5x nos picos) quando comparadas com os “não vacinados”, para todos os grupos etários com mais de 60 anos!

Estamos a falar de mais de 64.000 pessoas falecidas com este estado vacinal (em 2021, até 24/09), no conjunto destas 3 faixas etárias.

Em relação às 111.000 pessoas que ainda hoje não tomaram a segunda dose da vacina, é possível que o tenham feito por contraindicação médica, após efeitos adversos da primeira dose.

Possivelmente estamos em presença de um “viés de sobrevivência” (5): aqueles que sobreviveram às consequências da primeira dose e tomaram a segunda dose, aparentam ter uma taxa de mortalidade inferior à dos “não vacinados”. 

Baseando-me num artigo de Norman Fenton (6) e na possibilidade de que “é provável que qualquer morte nos primeiros 14 dias de vacinação possa ser classificada como não vacinada” (as curvas de mortalidade do início de 2021 seriam o efeito desta ilusão estatística), esta hipótese também pode ser aplicada à segunda injeção: todos os óbitos ocorridos nos primeiros 14 dias após esta nova vacinação, seriam classificados como “21 dias ou mais após a primeira dose”, o que explicaria o excesso de mortalidade nesta categoria.

mortalidade “todas as causas” por estado vacinal permite medir o impacto dos efeitos adversos das vacinas anti-COVID, que não são desprezáveis (dados extremamente preocupantes disponíveis nos sites oficiais de fármaco-vigilância como VAERS e EudraVigilance).

A classificação como óbito COVID suscita várias interrogações (fiabilidade do teste, menor frequência do mesmo para as pessoas vacinadas que têm o Certificado Digital COVID, …).

Um outro artigo de Norman Fenton (7) descreve as vantagens desta abordagem.

Por uma questão de transparência relativamente às políticas de saúde publica, quando é que este tipo de dados estará disponível em Portugal?

Carlos Antunes

1) https://alexberenson.substack.com/p/vaccinated-english-adults-under-60

2) https://roundingtheearth.substack.com/p/uk-data-shows-no-all-cause-mortality

3) https://blog.ons.gov.uk/2021/11/19/coronavirus-deaths-understanding-ons-data-on-mortality-and-vaccination-status/

4) Todos os dados utilizados para criar estes gráficos estão disponíveis em: “Deaths occurring between 2 January ans 24 September 2021 edition of this dataset” – “Table 4”

https://www.ons.gov.uk/peoplepopulationandcommunity/birthsdeathsandmarriages/deaths/datasets/deathsbyvaccinationstatusengland

5) https://www.hartgroup.org/why-do-they-hide-what-happens-in-the-first-two-weeks-after-vaccination/

6) https://probabilityandlaw.blogspot.com/2021/12/the-impact-of-misclassifying-deaths-in.html

7) https://www.researchgate.net/publication/354601308_Paradoxes_in_the_reporting_of_Covid19_vaccine_effectiveness_Why_current_studies_for_or_against_vaccination_cannot_be_trusted_and_what_we_can_do_about_it

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