Lucros excessivos e o pacote do governo

A subida dos preços dos combustíveis arrastou a subida dos preços de muitos bens, estando agora a inflação na Europa em valores inimagináveis. É evidente que a inflação, quando não é compensada com aumentos de salários e pensões, conduz ao empobrecimento das famílias.

Se, porém, os combustíveis estão mais caros, é natural que quem transforma e distribui a energia passe a ter mais lucro em valor absoluto, mesmo que não aumente o lucro percentual. E, se o aumento de preço dos combustíveis faz subir o preço dos bens alimentares, é natural que os supermercados, e não só, faturem mais, mesmo que o consumo diminua.

Por outro lado, para conter a inflação, a banca sobe os juros, o que implica que as pessoas tenham que pagar mais pelos seus empréstimos, ficando com menos dinheiro ainda. Se os juros sobem, os bancos passam a lucrar mais do que antes.

Por toda a Europa, os governos adotam medidas para ajudar as famílias a enfrentar a crise em que se encontram por terem perdido poder de compra, havendo cada vez mais pessoas a viver abaixo do limiar da pobreza. Mas como vão os governos financiar estas ajudas? Mais impostos, porque o Estado/governo não dá nada a ninguém!

Como na base deste surto inflacionista na Europa está a subida do preço da energia, pretendia a Comissão Europeia impor valores máximos da compra dos combustíveis, o que se verificou impossível porque os preços de mercado são o que são e não se afigura viável dizer, por exemplo, à Arábia Saudita que não pode vender o seu petróleo por mais de X o barril, apesar da sua alta cotação no mercado.

Assim, em vez de impor um “chapéu” ao preço dos combustíveis – que se revelou impossível – fala-se agora em taxar os “lucros excessivos” que algumas empresas estão a ter. Só falta agora definir o que são lucros excessivos. Vão ser definidos em termos absolutos ou percentuais?

Por outro lado, estarão as farmacêuticas que lucraram e lucram balúrdios com as “vacinas” Covid incluídas nas que têm lucros excessivos? Estarão também incluídas as empresas de armamento que faturam, e bem, com a guerra na Ucrânia?

Mais ainda, também os Estados/governos, com as subidas dos preços de combustíveis e bens, arrecadam mais impostos. Se vão taxar também os lucros excessivos, as receitas públicas aumentam ainda mais.

A melhor ajuda que os governos, incluindo o português, poderiam dar não seria certamente cobrar mais em impostos. Se calhar o contrário: baixar o IVA, IRC e IRS e abolir de vez com o ISP e outras taxas sem sentido.

Que tal proibir as taxas dos bancos e outras aberrações? Que tal acabar com portagens eletrónicas que podem ser cobradas pelas Finanças com coimas altíssimas e que têm despesas administrativas absurdas quando pagas nos Correios dentro do prazo?

Recorde-se que o trabalhador, em Portugal, recebe metade do que a entidade patronal despende, a outra metade são impostos. Sem impostos os combustíveis baixavam para metade. Etc..

Lucros excessivos tem o Estado, tanto assim que os distribui pela TAP, Novo Banco, etc., em fatias semelhantes às da ajuda a todas as famílias do país em crise humanitária. E ainda vão uns milhões para países estrangeiros de aquém e além mar.

Ainda bem que não vou receber os 125 euros do pacote do governo por ser considerado rico. Se os recebesse, devolveria com a seguinte mensagem: tornem a colocar os 125 euros no pacote!

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Sub-diretor do Inconveniente

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