Jornalismo ou manipulação de massas? O caso da entrevista da família Mesquita Guimarães à SIC

O caso da família Mesquita Guimarães remonta a 2018 e arrasta-se até à data de hoje, representando um braço de ferro entre o Estado e uma família, que pretende manter garantida a liberdade de educação dos filhos.

A este propósito, foi emitida reportagem sobre o assunto no Jornal da Noite da SIC, do passado dia 21 de Julho. Ora, esta reportagem deixa sérias dúvidas quanto à imparcialidade e qualidade do jornalismo que actualmente se faz em Portugal “ao mais alto nível”. 

Toda a reportagem apresenta um quadro que denuncia uma família onde domina o heteropatriarcado, a religião e as linhagens “opressivas” de muitos filhos… Nunca são apresentados de forma séria e honesta os argumentos da família Mesquita Guimarães. Ou seja, o contraditório é uma miragem e a reportagem apenas tem um fim: passar a mensagem de que aquela família esta condicionada e, por isso, faz escolhas erradas, aos olhos da “elite intelectual”, aquela a quem “deve” competir a orientação dos destinos do País.

Atente-se a todas as mensagens subliminares e à montagem da peça jornalística:

1. A imagem de fundo que sempre aparece é uma árvore genealógica extensa, para “denunciar” tratar-se de famílias com muitos filhos (um escândalo à data de hoje!…), apresentada como constante anátema, ao longo de toda a reportagem.

2. O pai das crianças é quem discursa e a mãe permanece em silêncio. Será que nunca falou, no tempo de entrevista que se presume ter sido bem longo?… Note-se que, depois de apresentarem a mãe, enquanto dona de casa, apresentam o pai em sua defesa – qual registo heteropatriarcal – referindo-se à mulher como alguém humilde, que abdicou de uma carreira de sucesso em nome da família.

3. As duas ou três perguntas apresentadas ao filho (que presumo também ter estado a ser entrevistado mais tempo) são aquelas de resposta difícil, que exige conhecimento e uma certa organização mental e intelectual, para as quais um jovem ainda não está naturalmente preparado. É de questionar, também, porque é que se há-de perguntar a um jovem se fala de sexualidade em casa? Seria um crime não falar?… Mais ainda, numa altura em que não falta informação sobre o assunto e só não se informa quem não quer? Total falta de noção jornalística.

4. Para nada faltar à imagem que se pretende transmitir de “família ultramontana”, tinha de vir a pergunta sobre a proximidade ao Opus Dei, como se não se tratasse de algo da esfera pessoal. Mais uma “denúncia” para revelar os “condicionamentos” religiosos desta família.

5. A jornalista, sempre com postura condescendente e paternalista, apresenta-se “compreensiva” com as “limitações” de quem entrevista, revelando total parcialidade.

6. Apenas é apresentado o contraditório aos pais e nunca apresentaram os argumentos a seu favor e que não faltam – bastaria expor-se a evidência de doutrinação e engenharia social nos referenciais para a Disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, até já publicados. Assim, para compor o quadro, apresentam a disciplina como inócua e como um “maravilhoso” mundo educacional, atestado por técnicas diferenciadas e preparadas para prestar esse apoio “inestimável” às crianças e jovens portugueses. 

Esta situação não é nova e passou a ser prática jornalística habitual em reportagens, quando os assuntos abordados são temas fracturantes ou contrários ao “mainstream”, evidenciando uma clara intenção de manipulação de massas, numa cultura de pensamento único.

Resumindo: péssima peça jornalística! Como refere em comunicado o próprio Artur Mesquita Guimarães: “(…) tomamos a liberdade de, em nome do Sr. Ministro da Educação, agradecer à SIC o favor recebido, não seja o caso de essa gentileza ficar por agradecer.” 

É de louvar a coragem desta inspiradora família, pelo risco assumido nesta reportagem (que se admite calculado), pelo extraordinário serviço público e por manter na ordem do dia um assunto de extrema importância – a liberdade de Educação.


Joana Bento Rodrigues
Médica

* A autora usa a norma ortográfica anterior.

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Latest comments

  • Excelente análise ao “jornalismo” português. Entre aspas precisamente porque está bloqueado, bloqueado de esquerda. O jornalismo português é comunista e obedece a grupos como o “SOS racista” coisas assim. Aguenta socialismo…

  • A imagem de uma sociedade onde o infanticídio está a sucedera um ritmo que demonstra a falta de tudo o que SIC quer mostrar como correcto, ou politicamente correcto, mostra o que a SIC, a RTP, a TVI , os jornais falidos fazem, uma sociedade de zombies.
    Dizia-me um jornalista, daqueles mesmo jornalista de tarimba, não acho que um locutor ou um leitor de notícias com um auricular, ligado a um esperto manhoso, seja jornalista, isto foi há uns anos no tempo do Cavaco, quando o Poço de Boliqueime passou a ser “Fonte de Boliqueime”, chamava-lhes cães de trela, agora mais modernas de estrangular não vá o bicho, começar a parvar.
    Basta a ver as famílias, infelizmente a coisa é viral e o vírus é um RNA, estas famílias que a SIC e os outros camaradas, defendem e Gramsci ensinou, o socialismo da revolução acabou tem de ser aos poucos e feito com os palermas úteis, para que nós a elite possamos viver como todos os torcionário socialistas nos países socialistas vivem, à grande e à francesa.
    Um almoço em “família”, hoje, observem os que ainda não têm a doença, ninguém fala, todos olham para os Telemóveis, só são acordados pelos funcionários do restaurante, demonstrando decerto o que se passa em casa que presumo será muito mau quando o telemóvel não está a ser usado, estão a ver os excelentes “programas das elites intelectuais”, tipo “a casa ou gaiola das malucas”, não sei se é esse o nome e os programas de onde irão sair as estrelas de amanhã, os concursos e os telejornais todos alinhados nos conteúdos, como é costume quando se combinam preços entre empresas, isso acho que tem um nome, as televisões são hoje propriedade de grandes empresas e a imprensa escrita também, o caso do Público é o mais exemplar, mais grave, são empresas que nada produzem, algumas pagam impostos lá fora, no caso um grupo de grandes mercearias, Portugal é um país onde as grandes empresas são mercearias espalhadas por este triste país.
    Não me admira ter um governo, eleito com maioria absoluta, tão absoluta que parece burla algures no caminho dos resultados, mas atendendo à quantidade de subsidiados essa ideia passa logo, para desgraça que nos cerca.

  • Aditamento:
    Os donos dos mídia em Portugal e não só, são de grandes grupos económicos, Cofina, o tipo dos barquitos, o amigo do dono disto tudo e Bilderberger, não digo mais pesquisem faz bem (!), sabem porque é que só lá escrevem comunistas?
    Porque as tais grandes empresas que nada contribuem para o país só assim recebem o “arame” que vem da UE e a UE feita e constituída na sua comissão por corruptos ou idiotas, mesmo, não sei se a Srª Von der Leyen, criada pela agente soviética Merkel é uma das 2 coisas, pelo que vi de uma e da outra com os testes PCR, Corman-Drosten a primeira e a segunda a aprovação das vacinas à velocidade do super Fauci.

  • Pais contra educaçào sexual (cidadania e etc e tal) perdem no tribunal europeu dos direitos (ou tortos) humanos, estavam à espera de milagros? Ver no multinews do sapo.

  • 1: António Costa durante anos foi comentador da SIC Notícias e a foi a partir dai que ganhou notoriedade.

    2: A SIC recebeu ano passado uma grande parte dos 15 milhões de dinheiro público dado por António Costa. Como é que um orgão de imprensa se pode dizer independente se receber dinheiro do governo?

    3: O director de informação da SIC é Ricardo Costa, irmão do já citado primeiro-ministro que colocou dinheiro público na SIC

    Em maio de 2020 enquanto milhares de pequenos negócios iam à falência como por exemplo restaurantes, hotéis, pensões, bares, discotecas e cabeleireiros. Enquato isso António Costa deu dinheiro público, 15 Milhões às empresas de mídia, incluindo uma empresa gigantesca, o Grupo Imprensa, a quem deve favores e cujo o seu irmão é director de informação.

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