Jornada Mundial da Juventude: pequenas considerações

“Submisso e devotado à Santa Igreja Romana, exercitando-Te … na dilatação dos confins da Fé Cristã, (que) a Sé Apostólica se alegre (sempre) por tão devoto e glorioso filho, e descanse em teu amor”.

Homilia do Santo Padre João Paulo II, em 23 de Maio de 1979, na visita Pastoral à Igreja Romana de S. António dos Portugueses, evocando a Bula “Manifestis Probatum”, de 23 de Maio de 1179.1

Comecemos pelo óbvio para não destoar (e por ser verdade). As Jornadas foram um sucesso e uma surpresa para muitos, quiçá pensando que as críticas fortíssimas à Igreja – em que esta se pôs a jeito, por causa dos casos de pedofilia – que já ultrapassam em muito a respeitável indignação pelo ocorrido, que é gravíssimo, para se entrar no ataque ideológico contra a Instituição, o Cristianismo e o próprio conceito de Religião, lhe tinham desferido um golpe de morte.

A organização esteve à altura; as Forças de Segurança estiveram a bom nível, e a prova que o seu trabalho – que na sua maioria é pouco visível – resultou, está nos pouquíssimos e fracos incidentes que se registaram (excepção para a lamentável ocorrência com o Bordalo II); houve empenho e dedicação das câmaras municipais envolvidas e respectivos funcionários e, até, os principais órgãos do Estado estiveram bem no apoio dado e na representatividade com que mimosearam o evento.

E ainda se deve saudar as muitas horas de trabalho voluntário, doadas por muitos milhares de pessoas, sem nada pedir em troca. E estou à vontade para dizer isto, pois em nada contribuí (eu pecador me confesso…).

De facto, juntar muitas centenas de milhares de pessoas vindas de todo o mundo (houve quem estimasse a presença de 1,5 milhões num só evento) e que se prolongou por cerca de 10 dias, é um acontecimento raro, que não pode deixar de ficar registado como marco histórico.

Enfim, o programa foi cumprido na íntegra (e era extenso) e no horário.

Mas correu bem, sobretudo, porque se conseguiu estabelecer “um bom ar”, uma atmosfera agradável, um ambiente saudável de festa e de alegria, sem vestígios de ódio, nem rancor.

Um ambiente de convergência, centrípeto, quando tudo no mundo é disperso e centrifugo; um sentido de união, quando impera o egoísmo; houve civilidade (enfim tirando o facto das pessoas não terem levado o seu próprio “lixo” dos locais onde estacionaram – também seria quase impossível providenciar pontos de recolha para tanta gente); não se assistiu a actividades criminosas (salvo raríssimas excepções e algo marginais aos eventos em si); ninguém andou a reivindicar nada; a partir montras e incendiar carros; não se via jovens a fumar droga e a injectar-se na veia; tão pouco exibindo atitudes algo simiescas que abundam nos concertos rock e semelhantes, da pesada. Não transpareceram vícios.

Não se vislumbraram obscenidades, tirando algumas tentativas de manifestações “artísticas” laterais ao evento e logo defendidas como “liberdade de expressão” pela maioria dos “média” e comentadores.

Não houve o costumeiro “bota a baixo” e a atmosfera foi cordial. Houve disciplina e ordem (a ordem liberta mais do que oprime).

Enfim, o saldo é positivo, bem como para a imagem e o “ego” do país – a tal “Nação Fidelíssima”, título que a Coroa Portuguesa e todo o país ostenta desde o século XVIII 2. E os eventuais sacrifícios ou transtornos havidos estão justificados.


O que haverá então a comentar que já não tenha sido referido, com a ênfase necessária ou que valha a pena repetir?

Comecemos pela “velha” questão do Estado laico não ter de apoiar ou patrocinar eventos religiosos. Bom, o Estado é laico (porque “alguém” ou algumas forças políticas o decretaram, num dado momento e circunstância, na Constituição), mas a Nação não o é. E o Estado representa apenas em termos políticos essa mesma Nação. O que o Estado tem de garantir é a igualdade de tratamento, em termos de justiça a todos os cidadãos e garantir a liberdade de religião.

A laicidade não proíbe (nem deve proibir) os órgãos de soberania em estarem presentes em cerimónias religiosas. Nem sequer a Igreja Católica deve ser tratada em igualdade com as outras confissões no sentido em que o peso relativo, a tradição e a própria matriz cultural do povo português, estar impregnado de Cristianismo, nomeadamente católico. Por alguma razão as Forças Armadas Portuguesas, por ex., são servidas por capelães católicos e não existem “capelães” de outras confissões.

E gostaria até de ver o que aconteceria ao tal Estado laico se a Igreja Católica deixasse de levar a cabo a acção social que desenvolve em todo o País. Basta, pois, de demagogia barata e estupidez militante.

A outra questão é a do “dinheiro gasto e que melhor se faria em ajudar os pobres”. Estima-se que os custos da Jornada rondam os 160 milhões de euros dos quais 80 pagos pela Igreja (a acreditar no que é veiculado pela comunicação social). Bom, o retorno deste dinheiro – mesmo que só fiquemos pela coluna do deve e do haver – não só ficou assegurado pelas receitas indirectas da presença de tão grande número de pessoas (transportes, dormidas, alimentação, visitas turísticas, gastos diversos), que seguramente vão multiplicar aquela despesa por muito mais.

Donde se conclui facilmente que o dinheiro gasto não foi uma despesa, mas sim um investimento.

O que já não parece curial é o dinheiro extra que várias personalidades vão receber por ajudarem na organização dos eventos…

As “receitas” indirectas são de mais difícil contabilização, mas não serão despiciendas; devemos contabilizar a cobertura mediática; a contribuição para a boa imagem do país; a eventual atracção de futuros turistas (embora já haja turistas a mais!); colateral “simpatia” por produtos e empresas portuguesas; construção e melhoria de infraestruturas passíveis de uso futuro; ganho de experiência no planeamento de grandes eventos; teste dos sistemas de segurança, etc., e, espera-se, o mais importante de tudo, que é uma melhoria da espiritualidade para um grande número de pessoas e exemplo inspirador para outras. E tentar recentrar Deus na nossa existência, da qual temos sido afastados desde o século XVIII, sobretudo no mundo ocidental, por via do Racionalismo; Iluminismo; Positivismo e outros “ismos”, que transformaram o Teocentrismo, isto é, a vida centrada em Deus – naquilo que era a vida em sociedade até então – no Antropocentrismo, ou seja, a vida centrada no homem, com as consequências que tal representou.

Toda esta evolução piorou através do aparecimento de doutrinas e ideologias não só anticristãs, como anti religiosas, como foram o Socialismo, o Trotskismo, o Anarquismo e o Comunismo. Já não bastava a luta entre diferentes religiões, que muitas vezes degeneraram em guerra aberta…3

Torna-se pois necessário, rebalancear tudo isto e tal seria um tema apropriado (e urgente) para discussão no seio do povo de Deus e da Igreja.

A questão de associar a pobreza aos gastos num evento destes é outra demagogia barata.

É evidente que todos os gastos devem ser contidos, adequados e sem espaventos. Mas isso não é por haver pobreza, mas sim por uma questão de eficiência e decoro. Sem se perder a eficácia.
Por aquela ordem de ideias não se realizariam quaisquer eventos, sobretudo os patrocinados pelo Estado, nem se fariam investimentos.

A pobreza erradica-se ensinando as pessoas a “pescar, não dando-lhe peixe”; fomentando postos de trabalho (e não empregos) e criando mecanismos de justiça social e de distribuição de riqueza (sem pôr em causa mais valias que resultam do mérito e do empenho pessoal) – taxando o consumo e não o trabalho e não alimentando calaceiros e incompetentes. Muito menos vivendo-se do crédito e da dívida…

Do mesmo modo nos parece demagógico que membros da Igreja andem muitas vezes, a querer pôr-se ao lado dos pobres, dos doentes, dos presos, dos desafortunados – fazendo deles coitadinhos, etc. (parece a ladainha dos comunistas, na defesa dos trabalhadores, como se todos nós não fossemos trabalhadores, termo que “alguém” se lembrou – não se sabe quem – de transformar em “colaboradores”). Ora parece-me que a Igreja tem de tratar de todos os que fazem parte do povo de Deus de igual modo, a fim de lhes curar os pecados e ensinar-lhes o caminho do Evangelho. Sem embargo de pregar a Caridade, que é uma das virtudes teologais, juntamente com a Esperança e a Fé. Sendo que a Caridade não se limita a auxiliar os mais necessitados (o que deve ser feito por todos, sobretudo quem tem mais posses), mas também na capacidade de perdoarmos as ofensas e os pecados. 4

Tal perdão, porém, tem, ou pode ter, duas faces: uma face relativa ao que está ligado à vida eterna e outro que cai na alçada das leis e da ética e moral terrenas. E é aqui, creio, que começou o problema dos desvios ou práticas sexuais, no seio da Igreja, não só as previstas no Direito Canónico, como na lei civil. Foi nesta diferença a que talvez a maioria da hierarquia católica (e de outras igrejas, também), fechou os olhos, ao forçar confundir uma coisa com a outra. Nisto descambou o problema da pedofilia, que pensamos ter o seu precedente maior na homossexualidade.
Por tudo o que atrás se disse, não parece fazer sentido nenhum o que se ouviu nestas JMJ, de querer “cognominar” o Santo Padre como o “Papa dos pobres”…


Sua Eminência Reverendíssima o Bispo Américo Aguiar, apresentado como o principal organizador das Jornadas (ex-membro do PS, antes do chamamento que o levou ao Seminário – estimo que já se tenha desvinculado) e recém – nomeado futuro Cardeal (esperemos que o passo não tenha sido maior que a perna) e cujas atitudes convinha não serem percebidas pelo público, como caindo no pecado da vaidade, tem ainda duas coisas por explicar: a primeira (pela qual foi muito criticado cá dentro, como lá fora) tem a ver com a frase em que afirmou que as JMJ não se destinavam a evangelizar. Pergunta-se, simplesmente, para que serviriam então?

Para tratar das hipotéticas alterações climáticas? Da ecologia? Do sincretismo religioso? Do “orgulho gay”? Das tentativas de alterações forçadas de “migrações” desgovernadas e criminosas (um problema geopolítico e do foro legal) que a Igreja e a Santa Sé teimam em confundir com “dever” de ajuda humanitária?

Não quer que a Igreja seja considerada prosélita? Mas qual é a religião que não o é, ou tenha de ser? E que mal tem isso se não se usar de violência, mentira ou à falsa fé? Já não chegou o Papa Francisco ter aceitado ir visitar Marrocos obrigando-se à condição de nenhum evento poder ser confundido com proselitismo?

Que disse Cristo aos seus apóstolos senão o de pregarem a Sua palavra? Acaso o senhor Bispo Aguiar, não se considera um seu “descendente”?

Ora queira fazer o favor de engrenar o seu cérebro na frequência certa, antes de articular os sons que emite sob a forma de fala.

A segunda questão prende-se com o que disse numa entrevista em Janeiro deste ano, antes do início das Jornadas. Numa questão que envolvia a Maçonaria, o prelado respondeu que “Não sei quem são nem o que é a Maçonaria”. Desconhece o que isso (Maçonaria) é? Coisa estranha. Urge então informá-lo que é uma “organização que está interdita a católicos, sob pena de excomunhão”. Convém que se informe, para saber o terreno que pisa. 5

Como diziam os antigos “corruptio optimi pessima”, que é como quem diz, “a corrupção dos óptimos é péssima”.

Ainda relacionado com os gastos falou-se muito dos contratos feitos por ajuste directo em vez de terem sido por concurso público, como prescreve a lei portuguesa.

E falou-se bem.

Lembra-se que o espírito da lei é o de permitir uma melhor escolha (em termos de qualidade e preço) aquando da adjudicação e o de evitar favorecimentos pessoais ou de grupo. O ruído público fez com que comentadores, membros do governo, autarcas e até o próprio PR, viessem tentar desculpar-se com a necessidade de cumprir prazos; alterações de última hora; do “planeamento” não ser uma virtude idiossincrática portuguesa (mas sim o desenrascanço, etc.).

As excepções também se encontram contempladas na aplicação da lei, e serão sempre de considerar premências difíceis de prever. Mas que diabo sabia-se há muito tempo que ia haver a JMJ, porque se deixou tudo para a última hora? E segundo o Jornal de Notícias de 13 de Agosto, os ajustes directos não se situam nos 10 a 20%, mas sim nos 93% dos casos contabilizados. Ou seja, o que deve ser uma excepção virou regra. Por outas palavras, não vale a pena aprovar leis, se não são para ser cumpridas. E quanto mais alto é o exemplo, pior!

Também houve “fait divers”, como a questão do selo comemorativo. “Alguém”, presume-se com competência para isso, decidiu que a figura a constar do selo seria o Padrão dos Descobrimentos, sito em Belém. Quando tal se soube logo as vozes do costume do politicamente correcto e dos revisionistas da História, criticaram a ideia. Os “organizadores” do evento cederam (que é o que mais sabem fazer) e deixaram cair a imagem. Desconheço se algum selo foi emitido. Fizeram mal. Se havia imagem apropriada era a do Padrão dos Descobrimentos. Primeiro porque será sempre uma imagem inovadora e de futuro – que foi o que os navegadores portugueses (e não só) fizeram; depois porque sem “Descobrimentos” cerca de três quartos da terra não conheceriam a palavra do Evangelho.

Convinha aos senhores da Santa Sé, que muitas vezes se mostraram inimigos de Portugal – e já agora também, à Conferência Episcopal – meditarem nisto.

Duas notas negativas para a comunicação social e para o Governo. Parte da comunicação social passou a vida em provocações e picardias para com o evento, disfarçadas de dar voz aos críticos e ao contraditório de quem se opunha ao evento.

Quanto ao governo que teve uma participação aparentemente mínima naquilo que se passou, tentou colar-se descaradamente ao êxito das Jornadas. Digamos que se trata das habituais habilidades politiqueiras… 6


Mas a questão mais importante de toda a JMJ – que pecou por ter demasiados temas políticos e estar mais focada na figura do Papa do que na centralidade da mensagem divina – foi uma frase de Sua Santidade, que veio a ter maior eco. Disse ele “Na igreja há espaço para todos. Todos, todos, todos”. E do “ninguém está a mais…”

Ora isto carece de alguns considerandos.

Mal comparado, parece a desajustada frase socrática (do nascido no Porto, não do grego) de “Espanha, Espanha, Espanha”. 7

Que a Igreja é para todos e está aberta a todos, aparenta ser uma verdade de “la Palisse” e de sempre – nos intervalos temporais de circunstância e lugar, em que a Igreja pretendia obrigar todos, todos, todos, a serem católicos, coisa que há muito deixou de praticar (diga-se em abono da verdade).

Salvo melhor parecer a questão está, no mínimo, dubiamente colocada pois o que está em causa não é a abertura da igreja a todos os que o queiram, mas sim o facto de quem quiser pertencer à comunidade cristã e católica, terá que, naturalmente, aderir, obedecer e comportar-se segundo os ensinamentos da Igreja, a qual foi fundada nos ditames de Nosso Senhor Jesus Cristo (“Tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja e as forças do inferno não poderão vencê-las”, MT 16, 13-19).

Ora Sua Santidade ao colocar a questão desta maneira, deixa transparecer – dadas as polémicas havidas nos últimos tempos – que está eventualmente a referir-se, não a todos, mas à perversão LGBT+; questões de género, homossexualidade no clero, acesso de mulheres à ordenação sacerdotal, etc. Logo a “abertura” seria para toda esta fauna…

Deste modo é fácil à comunidade dos crentes (e não só), ficar na dúvida se será a Igreja (e eles próprios) que se terá de converter aos comportamentos e ideias destes falsos protagonistas… 8

Sua Santidade deve ser claro e não se comportar como as pitonisas de Delfos, que deixavam sempre uma dúvida no ar ou jogavam com frases ambivalentes.

Como bom (?) Jesuíta o Papa, nas suas falas, tem sido useiro e vezeiro em argumentar tendo sempre um ângulo de fuga.

Ou arremessa “barro à parede” para ver se pega ou para testar reacções.

E é certo que a frase “aberta a todos”, pode ser facilmente acrescentada, após uma vírgula, de “depois nós os selecionaremos e aceitaremos ou não”…

Resta ainda saber se Cristo, no alto etéreo onde repousa, está satisfeito com a companhia, que a “Companhia de Jesus” (que foi sempre uma espécie de igreja dentro da igreja e com presunção intelectual) lhe faz.


Vamos ver como será o futuro, sendo certo que a reacção a estas Jornadas virão e já começaram com a polémica sobre a iniciativa (aliás, mal arquitectada) de se dar o nome do actual Cardeal Patriarca a uma ponte sobre o rio Trancão.

Para finalizar e como curiosidade, lembramos que, em 20 e 21 de abril de 1963, se realizaram em Lisboa o que foi designado por “Grande Encontro da Juventude”, sobre o lema “os novos escolhem Deus”, que juntou cerca de 50 a 60 mil jovens portugueses de então, tendo o Papa João XXIII enviado uma mensagem radiofónica. Apesar de este encontro não ter sido internacional, já tinha o mesmo espírito, pelo que podemos considerar tal evento como antecessor das actuais Jornadas, que em boa hora o Santo Papa João Paulo II teve a ideia de pôr em marcha (se bem que o grande trabalho tenha que continuar a ser feito a nível das Paróquias).

João Paulo II, grande devoto e peregrino de Fátima e de Nossa Senhora e Mãe, que em Portugal goza da particularidade de ter sido alçada a Rainha de Portugal. 9

E só esperamos que as suas palavras proféticas colhidas em Fátima, em 1917, se venham a cumprir: “Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé” e “No fim o meu imaculado coração triunfará”.

Ámen.


1 Pela qual a Santa Sé, ao fim de 51 anos, reconheceu oficialmente, o Reino de Portugal e Afonso Henriques, por seu Rei.

2 Bula “Charissime in Christo” do Papa Bento XIV ao Rei de Portugal, D. João V, datada de 17 de Dezembro de 1748.

3 É importante ainda referir que o “Nazismo”, sendo uma “doutrina totalitária, não só abafou a Religião, como a quis torcer aos seus desígnios. E foi-as perseguindo á medida que o tempo passava. Além disso possuíam traços de crenças esotéricas; ocultismo; paganismo; cultos iniciáticos, etc.

4 Segundo o catecismo da Igreja Católica, as virtudes teologais, têm como origem, motivo e objecto imediato o próprio Deus. São infundidas no homem com a graça santificante, tornam-nos capazes de viver em relação com a Trindade e fundamentam e animam o agir moral do cristão, vivificando as virtudes humanas.

5 Bula “Eminentie Apostolatus Specula”, de 28 de Abril de 1738, do Papa Clemente XII. Depois desta condenação, seguiram-se mais de outras 20. Estão em vigor.

6 E quanto à “fuga de peregrinos” para se tornarem imigrantes ilegais tal é lateral às jornadas, por ser um aproveitamento das mesmas, e tem sobretudo a ver com a falta de meios e vontade dos governos portugueses em quererem combater este flagelo.

7 Curiosamente condecorado com o grau de Cavaleiro da Grã-Cruz da Pontifícia Ordem Equestre de S. Gregório Magno do Vaticano, ou da Santa Sé (3/9/2010).

8 Presume-se, sem embargo, que os “pedófilos” estejam fora do “todos, todos, todos”, o que na linguagem modernaça podia ser abreviado para “todes”…


João José Brandão Ferreira
Oficial Piloto Aviador (Ref.)

*O autor escreve segundo a anterior norma ortográfica.

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Latest comments

  • Muito Bom Dia,
    Com o devido respeito, apesar de concordar a 100% consigo quando os temas são a Aviação e demais actividades ligadas à mesma, que acompanho, incluindo a nossa decadente Força Aérea e da qual fiz parte durante 4 anos apenas, nos idos anos 80 (atc), entendo que os seus escritos partem de uma falsa premissa.
    Leio habitualmente os mesmos na totalidade, dado que aprecio o seu modo de escrita, como transmite e como analisa os temas sobre que escreve.
    A chamada igreja católica, não passa desde sempre, de um grupo de pessoas com tiques de autoritarismo, decepção, engano e máfia organizada.
    É apenas mais uma daquelas coisas anormais e estranhas a que desde há muito se convencionou chamar “religiões”, não sendo de todo diferente das “outras” todas, independentemente da sua origem geográfica.
    É um grupo de gente menor e insignificante criado para enganar e abusar dos que crêem neles e no que alegadamente veiculam, do qual até hoje não resultaram resultados visíveis e que nunca resultarão, óbvio.
    Em Portugal e noutros Países, basta atentar na bajulação e conluio que existem entre os governos ao longo de séculos e a dita cuja associação religiosa, as constantes negociatas, isenções e facilitismos, em que o recente evento que comentou serve perfeitamente de exemplo e tudo o que se negoceia em redor, à custa da credulidade das populações, enganando-as às claras e à descarada.
    A questão da pobreza foi bem descrita, faltando mencionar que devido às constantes “invenções” do governo, que é e sempre foi composto por pessoas ignorantes, calonas, sem falta de ética ou respeito por quem trabalha, nunca o tendo feito na sua vida, “entendem”, erradamente como é comprovado todos os dias, que sabem administrar de forma pública os impostos que roubam aos Portugueses.
    Para depois irem distribuir uma percentagem desta forma…
    Nunca vi, à parte a publicidade e as conversas para encher chouriços, perdoe-me a expressão, essa associação de cariz religioso ocupar-se de temas que levassem, concretamente, a beneficiar efectivamente a população Portuguesa, nomeadamente e de forma não fugaz ou pontual, quem hoje em dia trabalha para ser cada vez mais pobre, devido à carga de impostos verdadeiramente louca que existe, desde há décadas, por cá.
    Porque para os milhares de imigrantes de Países altamente duvidosos e criticáveis em muitos aspectos e sem qualquer ligação a Portugal, que cá aterram sem eira nem beira todos os dias, mas com documentação pré-preenchida, prontos a reclamar de algo e receber uma percentagem dos impostos que são arrebanhados aos Portugueses de forma mafiosa, já existem apoios e palavrinhas de apreço, porque alegadamente vêem trabalhar nos ofícios em que os Portugueses não querem trabalhar.
    Terminando, se as populações gostam de ser enganadas em geral, é algo que me ultrapassa como Português e como alguém que constata a cada dia que passa, que Portugal está num buraco sem fundo, a cair sem apoio nem amparo de quem se diz responsável e respectivas entidades acólitas.
    Claro que o facto de Portugal “ser” um alegado Estado laico, é algo que desapareceu misteriosamente há séculos.
    Algo em que os Portugueses na sua esmagadora maioria são exemplares a fazer, nem se recordam do que almoçaram na passada Quarta-feira, quanto mais de tudo o resto, mesmo sendo Lei, muitas das vezes.
    Quando se chegar ao ponto de não retorno, inclusivé com a quantidade de imigrantes com ligações a outras “associações de cariz religioso”, as suas “crenças” e utensílios utilizados na divulgação e publicitação da respectiva “fé”, que já existiam e que agora nos invadem todos os dias, imagino que virá a ser criado um qualquer “apoio ao cliente”, idealmente presencial, para apresentar reclamações de retorno não confirmado sobre as “rezas e orações” de séculos à representatividade da tal associação religiosa sobre que dissertou.
    Sem mais, com todo o Respeito,
    Melhores Cumprimentos e Saudações Aeronáuticas,
    António Barros

    • A minha opinião anda muito próxima da sua nesses pontos que tocou sobre o cronista, sobre as religiões e sobre o rumo do nosso pais, mas com a ressalva de que algumas pessoas dentro dessas organizações são pregadores mas também verdadeiramente crentes devotos.
      Também é de referir que eu, tal como muitos portugueses, apesar de ateu sinto que tenho uma identidade católica, o catolicismo faz parte de Portugal, este poderia existir sem aquele, mas seria muito diferente.

      • Caríssimo, Viva e Bom Dia,
        Agradeço a sua opinião e comentário.
        Apercebi-me, tendo-o notado à posteriori, que limitei a minha apreciação aos comentários do Exmo. Sr. João Brandão Ferreira relativamente às questões aeronáuticas.
        O que relevo agora e corrigindo, para, adicionalmente, todos os comentários que li até à data, aqui e noutros espaços, sobre questões políticas, já que os considero perfeitamente realistas, com bases para análise e expurgo de orientações de quem alegadamente “governa” o País.
        Relativamente ao catolicismo que diz fazer parte de Portugal, podendo este existir sem aquele, mas que seria diferente, concordo em absoluto.
        Considero-me ateu a 100%, sem quaisquer identidades associadas e dessa ligação entre o Povo Português e a igreja católica, advém também em grande medida o facto de Portugal continuar cada vez pior e a afundar-se, já que aquela nunca se impediu de se impôr falaciosamente sobre a população como sabemos, sempre com o beneplácito e cumplicidade de quem foi ao longo dos tempos “governando” Portugal.
        Se esse processo tivesse sido interrompido algures no percurso da História, com certeza que teríamos um Portugal diferente e bem melhor em todos os aspectos, sem dúvida alguma.
        Quanto aos “crentes devotos” e “pregadores”, não pretendendo faltar ao respeito a ninguém, assemelho-os à actual classe de “políticos” que existem em Portugal, sempre prontos a tentar defender por qualquer modo o que lhes dá jeito, em qualquer ocasião e tema, desde que continuem na mó-de-cima, esquecendo-se sempre da ética, humildade e dever de colaboração que lhes devia assistir.
        Diriam alguns, de forma ambígua, que se Portugal está como está é ao Povo que tem que agradecer e que o merece porque não toma decisões nem realiza acções para alterar o actual estado das coisas.
        Concordo inteiramente, sendo nesses pormenores que se constata a falta de coragem dos Portugueses para tentar alterar o rumo das coisas.
        Qual é o discurso dos “pregadores e crentes devotos” a que se tem assistido e que é ensinado nas igrejas, quaisquer que elas sejam, inclusivé aquelas que hoje em dia existem, loja sim, garagem não…?
        Qual é o discurso dos “governantes” relativamente às dificuldades que se vivem há décadas…?
        Nada é de nossa responsabilidade, tudo, a origem e o modo de inverter não depende de Nós, portanto não há nada a fazer para corrigir as questões e o melhor é continuar assim, antes que pior.
        Não posso discordar mais, infelizmente…

        • Bom dia.

          Praticamente todas as organizações lutam pela sobrevivência e fortalecimento, falemos de um clube desportivo, empresa, aliança, religião, região ou pais, essa é a regra quase absoluta. Não seria a igreja católica uma excepção, não o foi, não o será. Como na politica, há pregadores devotos e idealistas, é incorrecto generalizar embora tenha a ideia que não são a maior parte e ambos os grupos manifestam comportamentos mafiosos.

          Em vários períodos da nossa história houve ideologias contrárias á ideia de religião, no entanto sem força para a beliscar, mas a organização católica chegou a ter capacidade e usou-a para perseguir e exterminar opositores. Sempre que pôde explorou ou deu apoio ao povo directa ou indirectamente, mas como também o fez a nobreza e ambos entre si, apoiando-se ou degladiando-se conforme o momento, cobrando o seu quinhão, gerindo as suas propriedades e fazendo os seus negócios e jogos de poder, também ambas as “castas” deram ao país e ao povo bens paupáveis e outros intangíveis, seguimos a tradição indo-europeia da chefia do pais entregue á nobreza e o poder religioso influente, mas separado. Não vejo aqui nada de anómalo ou surpreendente, não fomos uma excepção e o saldo do deve e do haver não sei se é positivo ou negativo, mas sei que é bastante subjectivo. Hoje o desporto ocupa parte da função anteriormente desempenhada pela Igreja, não há politico que não queria tirar a fotografia ao lado do desportista que ganha, que entretanto aproveita para garantir ou pedir apoios (dinheiro), a nobreza de hoje, tal como a antiga, não quer ter a Igreja ou o desporto a virar as pessoas contra si e não perde a oportunidade de colar-se aos vencedores.

          Não carrego toda a responsabilidade do nosso rumo nas costas da Igreja, e muito menos o faço apenas no que esse rumo tem de mau, sem o fazer também no que tem de bom e se me diz que se identifica “sem quaisquer identidades associadas e dessa ligação entre o Povo Português e a igreja católica”, pergunto-me se passa pelo Natal, como quadra de tradição da famílía, com a mesma indiferença com que passa (presumo) pelo Ramadão ou pelo Ano Novo chinês?

          A identidade portuguesa incorpora a nossa língua, mas também o catolicismo que nos marcou profundamente, algum paganismo e muitas outras coisas pequenas e grandes, exemplo a ideia de resistência á absorção castelhana e espanhola, ou a ideia de que somos pequenos e maus e ao mesmo tempo gigantes e divinos conforme o dia em que estamos a falar, ou uma escala comum de valores do comportamento virtuoso ou não virtuoso, um sentimento de unidade e pertença e de conforto nesse sentimento. Não tem que ser igual para todos mas não vejo nenhuma oposição entre ser ateu e incorporar em mim alguma identidade católica, a qual por sua vez se fundou em princípios mais antigos que também nos chegaram por outras vias como a conquista germânica, romana ou pre-existentes na Lusitânia. A Igreja e a crença religiosa como parte da sociedade e resultado das pessoas do seu tempo, antigamente tal e qual como agora.

          Foi um prazer falar o António.

  • Bom dia.

    Praticamente todas as organizações lutam pela sobrevivência e fortalecimento, falemos de um clube desportivo, empresa, aliança, religião, região ou pais, essa é a regra quase absoluta. Não seria a igreja católica uma excepção, não o foi, não o será. Como na politica, há pregadores devotos e idealistas, é incorrecto generalizar embora tenha a ideia que não são a maior parte e ambos os grupos manifestam comportamentos mafiosos.

    Em vários períodos da nossa história houve ideologias contrárias á ideia de religião, no entanto sem força para a beliscar, mas a organização católica chegou a ter capacidade e usou-a para perseguir e exterminar opositores. Sempre que pôde explorou ou deu apoio ao povo directa ou indirectamente, mas como também o fez a nobreza e ambos entre si, apoiando-se ou degladiando-se conforme o momento, cobrando o seu quinhão, gerindo as suas propriedades e fazendo os seus negócios e jogos de poder, também ambas as “castas” deram ao país e ao povo bens paupáveis e outros intangíveis, seguimos a tradição indo-europeia da chefia do pais entregue á nobreza e o poder religioso influente, mas separado. Não vejo aqui nada de anómalo ou surpreendente, não fomos uma excepção e o saldo do deve e do haver não sei se é positivo ou negativo, mas sei que é bastante subjectivo. Hoje o desporto ocupa parte da função anteriormente desempenhada pela Igreja, não há politico que não queria tirar a fotografia ao lado do desportista que ganha, que entretanto aproveita para garantir ou pedir apoios (dinheiro), a nobreza de hoje, tal como a antiga, não quer ter a Igreja ou o desporto a virar as pessoas contra si e não perde a oportunidade de colar-se aos vencedores.

    Não carrego toda a responsabilidade do nosso rumo nas costas da Igreja, e muito menos o faço apenas no que esse rumo tem de mau, sem o fazer também no que tem de bom e se me diz que se identifica “sem quaisquer identidades associadas e dessa ligação entre o Povo Português e a igreja católica”, pergunto-me se passa pelo Natal, como quadra de tradição da famílía, com a mesma indiferença com que passa (presumo) pelo Ramadão ou pelo Ano Novo chinês?

    A identidade portuguesa incorpora a nossa língua, mas também o catolicismo que nos marcou profundamente, algum paganismo e muitas outras coisas pequenas e grandes, exemplo a ideia de resistência á absorção castelhana e espanhola, ou a ideia de que somos pequenos e maus e ao mesmo tempo gigantes e divinos conforme o dia em que estamos a falar, ou uma escala comum de valores do comportamento virtuoso ou não virtuoso, um sentimento de unidade e pertença e de conforto nesse sentimento. Não tem que ser igual para todos mas não vejo nenhuma oposição entre ser ateu e incorporar em mim alguma identidade católica, a qual por sua vez se fundou em princípios mais antigos que também nos chegaram por outras vias como a conquista germânica, romana ou pre-existentes na Lusitânia. A Igreja e a crença religiosa como parte da sociedade e resultado das pessoas do seu tempo, antigamente tal e qual como agora.

    Foi um prazer falar o António.

  • Caríssimo, Viva e Bom Dia,
    Concordo, foi excelente esta troca de opiniões.
    Melhores Cumprimentos,

  • De si, outra coisa não seria de esperar. Excelente texto.

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