Israel, os judeus e o pretenso “apartheid”

Nos habituais círculos da bempensância esquerdista circula, de quando em quando, a acusação de apartheid, como arma de arremesso do sistema internacional contra o judeu. Isto é, contra Israel. Este tipo de verbalizações disfarçadas de ódio ao judeu inscreve-se numa campanha mais vasta de deslegitimação que teve o seu tiro de partida na tristemente famosa conferência de Durban (2001).

Segundo a doutrina da “grande mentira”, erroneamente atribuída ao propagandista nazi Goebbels, uma grande mentira muitas vezes repetida passa a ser verdade para a maioria das pessoas.

Infelizmente, é assim mesmo. E esta é a razão pela qual o PCP, por exemplo, insiste no uso de certos bordões como “política patriótica de esquerda”, “políticas de direita”, etc.

No caso de Israel, os activistas “antissionistas”, bem formatados nas questões da novilíngua, tentam colar, constante e deliberadamente, a Israel e às suas políticas, palavras como “nazi-sionista”, “apartheid”, etc.

E as pessoas normais, que olham para o mundo pelo filtro dos títulos dos telejornais, vão aos poucos acreditando.

Ora nas fronteiras reconhecidas de Israel vivem mais de 1,5 milhões de árabes, absolutamente iguais em direitos e deveres. Participam em eleições, elegem e são eleitos, são funcionários, militares, deputados, juízes do Supremo, (por exemplo, foi um juiz árabe que condenou o Presidente israelita Katsav), etc.

Não há equipamentos separados, escolas separadas, autocarros separados, praias separadas, enfim, absolutamente nada do que definia o apartheid que era, como todos sabem, aplicado na Africa do Sul.

Na verdade, este tipo de segregação e limpeza étnica existe sim, em quase todos os países muçulmanos, mas contra os judeus.

Os activistas de esquerda sabem disto, mas a sua agenda é mentir e mistificar o que for necessário para fazer recair sobre Israel e os judeus, o odioso milenar.

Nos territórios em disputa (Judeia e Samaria, a que os anti-semitas chamam impropriamente “ocupados”), as coisas são algo mais complexas, sob o ponto de vista legal.

Estes territórios pertenciam à Jordânia até serem conquistados por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Foi uma guerra defensiva: Israel foi atacado pela Jordânia a partir daqueles territórios, contra-atacou e apoderou-se deles. Tal como aconteceu com Gdansk, cidade que hoje é da Polónia, mas que era território alemão (Dantzig), antes da Segunda Guerra Mundial.

Embora já por várias vezes tenha querido entregar os restantes territórios detidos, no âmbito de um Acordo de Paz, tal como entregou o Sinai ao Egipto, até agora não foi possível alcançar uma solução satisfatória sobre o traçado das fronteiras. A Jordânia e o Egipto recusaram receber de volta a Judeia, Samaria e Gaza.

Obviamente, quem habita estes territórios em disputa, não é cidadão de Israel, e existe até uma Autoridade Palestiniana com um razoável grau de autonomia.

No cerne da mentira de que existe um apartheid em Israel está a ideia de que Israel pode unilateralmente resolver o conflito israelo-árabe, num passe de mágica, tal como F.W de Klerk acabou com o apartheid num simples discurso.

Ora isso não é possível, o caso aqui é bem mais intrincado.

Israel retirou unilateralmente de Gaza e no dia seguinte já estava a levar com rockets e morteiros a partir de lá.

A única coisa que Israel pode fazer é facilitar um Estado palestiniano na Margem Ocidental do Jordão, mas isso implica negociar fronteiras e garantias de segurança. É óbvio, e da mais elementar sensatez, que Israel jamais aceitará a instalação, agora a leste, de mais uma plataforma de lançamento de mísseis, granadas de morteiro e bombistas suicidas.

Ou seja, é preciso negociar.

Exigir e ceder, alcançar um acordo que satisfaça ambas as partes. Se constituir mais um Estado palestiniano (recorde-se que 70% da Palestina é hoje a Jordânia) fosse tarefa fácil, já tinha sido feito, antes de 1948 e entre 1948 e 1967, quando essas terras estavam na posse dos árabes.

Se fosse fácil, Arafat não tinha recusado acordos com Barak, Sharon e Olmert, acordos que lhe davam quase tudo o que dizia querer.

Ao menos o Hamas não mente: pretende a destruição de Israel e a expulsão de todos os judeus e assume-o sem subtilezas.

Os nazis que acusavam de mentira a imprensa por noticiar a verdade do que efetivamente faziam, lá do outro lado do túmulo, devem esfregar as mãos de felicidade. As mentiras anti-sionistas são tantas, tão grandes e tão repetidas, que a maioria das pessoas, mesmo as bem intencionadas, são levada a acreditar que a culpa é de Israel, do seu “nazi-sionismo” e “apartheid”, como se os árabes fossem as vítimas dos judeus e não o contrário.

Ora como os israelitas não têm intenções de se suicidar, então são culpados de não haver paz.

O círculo fecha-se e volta ao inicio: os judeus ameaçam a paz; se os judeus não existissem, tudo seria melhor; se não se suicidam, devem ser perseguidos.

E é nesta apoteótica conclusão que os nazis se reencontram com aqueles que hoje usam as suas técnicas, os activistas da “causa palestiniana”. Que, de resto, se estão nas tintas para os palestinianos. A sua obsessão é o apenas o Judeu.

No fundo, nada de novo debaixo do Sol. O então líder dos árabes da Palestina, Muhammad Amin Al-Husayni, Mufti de Jerusalém, encontrou-se com Hitler em 28-11-1941 e declarou-lhe o seu apoio à limpeza étnica dos inimigos judeus.

O alvo é sempre o judeu!


José do Carmo
Editor de Defesa do Inconveniente

* O autor usa a norma ortográfica anterior.

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  • “The Arabs were Germany’s natural friends, Haj Amin al-Husseini told the Nazi leader in 1941, because they had the same enemies — namely the English, the Jews and the Communists…” (sua ligação)
    Mas 8 anos antes, já os sionistas tinham feito um acordo com os nazis (Ha’avarah).
    “In 1933, the Zionist movement concluded a secret and controversial pact with the Third Reich transfering some 60,000 Jews and $100 million to Jewish Palestine. In return, the Zionists halted the worldwide Jewish-led anti-Nazi boycott that threatened to topple the Hitler regime in its first year.”
    https://www.goodreads.com/book/show/1769196.The_Transfer_Agreement#
    Uma visão/opinião diferente do acordo
    https://www.yadvashem.org/odot_pdf/Microsoft%20Word%20-%203231.pdf
    “At one meeting of the Histadrut Executive Committee, Moshe Beilinson – a major spokesman of the Labor movement in Palestine and a correspondent for Davar in Germany, who had returned to Palestine from a lengthy visit there – expressed the following assessment: German Jews favor the boycott (outros historiadores afirmam que esta conclusão não é totalmente verdadeira) not only Zionists but also the “Naumann Jews” [ultra-nationalist assimilationists] and the Jews of the Centralverein.
    All Jews hate this regime and the German people (errado, afirmação para servir propaganda). We did not witness such a phenomenon in Czarist Russia.” (1)
    ” Hitler remarked that he “wanted nothing from the Arabs.””
    https://encyclopedia.ushmm.org/content/en/article/hajj-amin-al-husayni-wartime-propagandist
    continua

  • Viu, ódios, infelizmente, há em todo lado. Mas é conhecida a cooperação entre palestinos e judeus na luta contra os ingleses.
    Não é por ir buscar factos e tentar apresentá-los sob um prisma duvidoso que vai justificar o ódio que destila por todos os que têm uma opinião/visão diferente, ou insinuar que todos os que criticam as políticas e acções dos vários governos israelitas de serem anti-semitas, que vai ter razão ou sacudir responsabilidades. É um truque já com barba branca acusar os outros fazendo o maior barulho possível, para desviar as atenções/não falar daquilo que faço.
    Curiosa a forma como fica transtornado com a forma como os palestinos exibem os seus mortos, fazem propaganda e falam da força desproporcionada dos israelitas na sua defesa, etc, mas ouçamos Norman Finkelstein (e a aflição do entrevistador).
    The Holocaust Industry – Interview with Norman Finkelstein (2002)
    https://www.youtube.com/watch?v=mSwVz7JTRCA
    .
    Sim, a mentira repetida torna-se verdade. Pois, mas, joga para os dois lados.
    mulher muçulmana – estás a roubar-me a casa
    colono israelita – se eu não a roubar, outro a roubará.
    https://www.youtube.com/watch?v=0G4P4fH3Dc4
    .
    Um povo sem terra, uma terra sem povo.
    Uma simples frase, três mentiras.
    .
    (1) – Até a wickedpedia consegue ser mais equilibrada.
    https://en.wikipedia.org/wiki/Relations_between_Nazi_Germany_and_the_Arab_world

  • “The Arabs were Germany’s natural friends, Haj Amin al-Husseini told the Nazi leader in 1941, because they had the same enemies — namely the English, the Jews and the Communists…” (sua ligação)
    Mas 8 anos antes, já os sionistas tinham feito um acordo com os nazis (Ha’avarah).
    “In 1933, the Zionist movement concluded a secret and controversial pact with the Third Reich transfering some 60,000 Jews and $100 million to Jewish Palestine. In return, the Zionists halted the worldwide Jewish-led anti-Nazi boycott that
    threatened to topple the Hitler regime in its first year.”
    https://www.goodreads.com/book/show/1769196.The_Transfer_Agreement#
    Uma visão/opinião diferente do acordo
    https://www.yadvashem.org/odot_pdf/Microsoft%20Word%20-%203231.pdf
    “At one meeting of the Histadrut Executive Committee, Moshe Beilinson – a major spokesman of the Labor movement in Palestine and a correspondent for Davar in Germany, who had returned to Palestine from a lengthy visit there – expressed the
    following assessment: German Jews favor the boycott not only Zionists but also the “Naumann Jews” [ultra-nationalist assimilationists] and the Jews of the Centralverein. All Jews hate this regime and the German people. We did not witness such a phenomenon in Czarist Russia.” (1)
    ” Hitler remarked that he “wanted nothing from the Arabs.””
    https://encyclopedia.ushmm.org/content/en/article/hajj-amin-al-husayni-wartime-propagandist
    .
    Viu, ódios, infelizmente, há em todo lado. Mas é conhecida a cooperação entre palestinos e judeus na luta contra os ingleses.
    Não é por ir buscar factos e tentar apresentá-los sob um prisma duvidoso que vai justificar o ódio que destila por todos os que têm uma opinião/visão diferente, ou insinuar que todos os que criticam as políticas e acções dos vários governos
    israelitas de serem anti-semitas, que vai ter razão ou sacudir responsabilidades.
    É um truque já com barba branca acusar os outros fazendo o maior barulho possível, para desviar as atenções/não falar daquilo que se faz.
    Curiosa a forma como fica transtornado com a forma como os palestinos exibem os seus mortos, fazem propaganda e falam da força desproporcionada dos israelitas na sua defesa, etc, mas ouçamos Norman Finkelstein (e a aflição do entrevistador).
    The Holocaust Industry – Interview with Norman Finkelstein (2002)
    https://www.youtube.com/watch?v=mSwVz7JTRCA
    Sim, a mentira repetida torna-se verdade. Pois, mas, joga para os dois lados.
    .
    mulher muçulmana – estás a roubar-me a casa
    colono israelita – se eu não a roubar, outro a roubará.
    https://www.youtube.com/watch?v=0G4P4fH3Dc4
    Um povo sem terra, uma terra sem povo.
    Uma simples frase, 8 palavras, três mentiras.
    .
    (1) – Até a wickedpedia consegue ser mais equilibrada.
    https://en.wikipedia.org/wiki/Relations_between_Nazi_Germany_and_the_Arab_world

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