Inverno “quente” na Europa

A consultora inglesa de riscos Verisk Maplecroft, num artigo de Torbjorn Soltvedt, de 1-9-2022, considera, com base num relatório, que:

“Embora tenha havido vários protestos de alto nível e em grande escala durante o primeiro semestre de 2022, o pior ainda está para vir. Em dezembro de 2020, alertámos para uma nova era de agitação civil, projetando que 75 países veriam um aumento no risco de agitação civil até agosto de 2022. A realidade tem sido muito pior, com 120 países apresentando um aumento do risco desde então.”

“Com mais de 80% dos países em todo o mundo com inflação acima de 6%, os riscos socioeconómicos estão a atingir níveis críticos. Quase metade de todos os países constantes da CUI (Civil Unrest Index) são agora classificados como de alto ou extremo risco, e espera-se que um grande número de estados experimente uma nova deterioração nos próximos seis meses.”

O artigo refere que a Europa se destaca negativamente, em grande parte devido às consequências da invasão russa da Ucrânia. A Bósnia e Herzegovina, Suíça, Holanda, Alemanha e Ucrânia são os estados com maior aumento do risco previsto.

A análise completa a que se refere o artigo pode ser descarregada em documento pdf.

Ao contrário dos meios de comunicação dominantes, que raramente falam dos protestos, utilizadores da rede social Twitter dão conta dos mesmos, que ocorrem um pouco por toda a Europa. São protestos contra a subida dos preços da energia e dos alimentos, contra a imposição de medidas “climáticas” que prejudicam os agricultores, etc. Com a aproximação do inverno, a situação tende a piorar e é possível que os protestos aumentem.

Os governos europeus, a fim de manter a calma das populações, estão a reagir de várias formas: classificando os protestos como sendo orquestrados pela extrema-direita; tentando ajudar as famílias com subsídios do tipo vai-vem (dar com uma mão e tirar com a outra) e, finalmente, reprimindo os protestos.

A Europa caminha para um inverno “quente” e tudo indica que os protestos servem os interesses da Rússia no seu intuito de fazer vergar a Europa.

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Sub-diretor do Inconveniente

Latest comments

  • “…e tudo indica que os protestos servem os interesses da Rússia no seu intuito de fazer vergar a Europa.”
    É uma visão do problema. A ser verdade os russos jogaram muito bem a sua cartada, ao contrário da Europa que se tem auto-mutilado a olhos vistos, tudo para servirem interesses obscuros e não os das populações europeias (compromissos eleitorais… lol).
    Por outro lado, parece-me que a inflacção já vinha antes da invasão da Ucrânia, e o que agravou mais os preços dos combustíveis foram, especialmente, as sanções à Rússia e depois as reacções desta às sanções.
    Se querem vergar a Europa não sei, mas que a devem querer ver a não ajudar a ucrânea parece-me lógico.
    Porque razão a Rússia não fechou logo as torneiras à Europa, quando esta iniciou uma guerra indirecta contra a Russia (fornecendo armamento à Ucrânia)?
    .
    Acho muito interessante andarmos todos indignados até à medula com a invasão da Ucrânia.
    E que tal indignarmo-nos contra a invasão e roubo de Goa, Damão, e Dio?

  • A Alemanha foi o país que mais contribuiu para esta situação, através da política da ex Chanceler Merkel, actuou como se fosse uma agente russa.
    Depois a pressão dos grupos ambientalistas e o fecho por exemplo em Portugal de 2 centrais a carvão que devem ser considerados actos criminosos e de traição ao país, pelas razões que estão à vista e na altura já se sabia das consequências.
    Estas decisões foram decisões criminosas, tomas de ânimo leve e é crime doloso.
    Sobre as acções ou não acções da NATO já vi fazerem pior que nada fazer quando da crise da Bósnia e sim, acho que a NATO já deveria ter actuado, as sanções servem para enriquecer uma série de gente.
    Quando da guerra do Ultramar lembro-me do material NATO que não se podia usar, lembro a política do Presidente assassinado nos USA e que apoiou os actos de terrorismo assassino da UPA, da morte e assassinato de brancos, pretos e mulatos às mãos de traidores portugueses hoje a viver sossegadamente aqui, neste país, perpetrados pela Frelimo.
    Mas o que me parece é que Merkel destruiu a indústria alemã ao se vender aos russos e chineses., as consequências atingem toda a Europa e a UE hoje é um antro de gente sem qualidade a começar pela antiga ministra da defesa da Alemanha, hoje Presidente da UE.
    O Inverno está aí, ainda dão voz a grupos e ONGs ambientalistas que recebem subsídios dos nossos impostos? São estes grupos os responsáveis pelos actos terroristas que são os incêndios de todos os anos, defendendo que são causados por alterações climáticas, mas não falando nos negócios dos contratos dos aviões e do material e interesses das cúpulas dos bombeiros que há muito deveriam ser profissionais. Tanta coisa, pode ser dita que se torna sempre revoltante ver um PM que goza com todos nós, a ver vamos o que tem escondido nos armários desde o tempo do 44.

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