Ingleses pagam por eólicas mesmo quando estão paradas

A filosofia de pagar para não utilizar está a ser aplicada no Reino Unido aos operadores de energias renováveis, nomeadamente os de energia eólica, segundo informação da Rede Nacional Operadora do Sistema Elétrico (NGESO) ao órgão de informação económica londrino City A.M., de 17-1-2023.

O excesso de potência eólica e as condições atmosféricas altamente favoráveis estão a originar uma produção eólica excedente que a rede elétrica não consegue escoar na ausência de procura. É o que acontece por exemplo na Escócia, onde existem muitos aerogeradores mas a rede de ligação com a Inglaterra não tem capacidade suficiente e a sua ampliação ficaria mais cara do que pagar aos operadores para não produzirem tanto.

Esta situação, que já se mantém há mais de uma década, tende a agravar-se à medida que o parque de aerogeradores cresce.

Porém, como os operadores têm contratos que garantem em princípio a entrada prioritária da energia produzida na rede (o mesmo tipo de contrato que existe em Portugal e noutros países “verdes”), quando têm de parar os aerogeradores são indemnizados pelos consumidores.

Isto indicia que a potência instalada de aerogeradores é muito superior à recomendável ou que os contratos deviam ser diferentes. A necessidade destas paragens técnicas traduz-se na redução da utilização das eólicas, já de si fraca devido à intermitência do vento (cerca de 20%), o que encarece a energia de origem eólica.

Apesar disso, prossegue a instalação de mais potência eólica no Reino Unido, em terra firme (on-shore) e no mar (off-shore).

Como a correspondente capacidade de armazenamento de energia elétrica não existe, incentiva-se os operadores a instalar baterias para poderem produzir sem as paragens tecnicamente necessárias. A instalação de baterias aumentará o investimento em eólicas que pode atingir 2 milhões de euros por MW só em equipamento.

Entretanto, ventos fortes podem derrubar torres eólicas de grande porte como aconteceu na Holanda, segundo dão conta os bombeiros de Flevoland no Twitter:

A situação no Reino Unido acima descrita pode em breve estender-se a Portugal, atendendo ao ritmo de aumento da potência eólica instalada que já passa de 5 GW, quando as pontas do diagrama de carga são da ordem de 8 a 10 GW. Quando não for possível exportar para Espanha, em situações de elevada produção eólica (e solar), as máquinas terão que parar necessariamente.

Esta filosofia de pagar para não produzir tem sido utilizada noutras situações. Nos anos a seguir à entrada de Portugal na então CEE, os agricultores e pescadores eram pagos para não produzir porque a CEE estabeleceu quotas agrícolas e pesqueiras que não podiam ser excedidas, beneficiando uns países em detrimento de outros. Também os subsídios que se atribuem para reduzir a pressão da procura de emprego sobre a oferta existente, segue a mesma agenda socialista.

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