III Congresso: resgatar o Chega de Ventura ou o contrário?

Para minimizar a crescente onda de ofensas públicas dos militantes do Chega a outros membros ou dirigentes foi criada a vulgarmente conhecida como “lei da rolha”. E para aplicar esta directiva foi constituída uma Comissão de Ética. Mas, em vez de atuar apenas sobre o fim a que se destina, a dita comissão já suspendeu e expulsou diversos militantes (até ao momento cerca de 70), só por discordarem do rumo, decisões e posições que o partido tem tomado.

Um dos alvos a abater foi o grupo de militantes que participa no movimento “Mobilizar com Valores”, constituído com o objetivo de agregar pessoas, fomentar o debate alargado e temático sobre princípios, valores e ideias preconizados pelo Chega. A proposta deste grupo é desmistificar a desinformação caluniosa orquestrada pela esquerda partidária e veiculada pela comunicação social, e contribuir para a progressiva implantação regional do Partido através da integração de pessoas de diferentes origens e sensibilidades. 

Este grupo, mesmo agindo como guardião dos valores, do pluralismo, da liberdade e dos princípios democráticos, tem sido objecto de constantes perseguições e decisões internas contrárias aos próprios estatutos do Chega. Várias denúncias sobre estes militantes foram reportadas ao Conselho de Jurisdição Nacional do Chega a pretexto da proteção do bom nome do partido, levando a tal Comissão de Ética a agir de forma célere. No entanto, em sentido inverso não demonstra a mesma preocupação remetendo-se ao silêncio e à inação.

É preocupante a ausência de resposta às sucessivas reclamações e exposições remetidas por vários militantes aos órgãos competentes do Chega (Comissão de Ética e Conselho Jurisdição Nacional), sendo notória a agilidade que ultrapassa os formalismos mínimos exigidos em democracia, nas decisões e resposta destes órgãos quando a situação é contrária, expulsando e suspendendo, sem sequer ouvir os visados. Bem à maneira dos totalitarismos de má memória!

Nestas últimas semanas (que antecede ao Congresso Nacional), este grupo de militantes foi injustamente suspenso por ter realizado um ato político lícito e legítimo em democracia, aquando da apresentação, pelo Dr. André Ventura, da candidata do Chega à Câmara de Braga. Foram entregues em mão, ao presidente do partido, o cartão de militante de alguns militantes, em sinal de discordância pela escolha da candidata. O presidente do Chega, lamentavelmente, em vez de respeitar e tentar averiguar quais os motivos por detrás da posição legítima dos militantes, permitiu que este grupo, eleito pelos militantes do Chega para estar no III Congresso do partido, tivesse os seus representantes suspensos e com recomendações de expulsão, sendo assim impedidos de participar. Incrivelmente, até militantes que não participaram da manifestação de discordância e que só se deslocaram ali para assistir ao evento foram suspensos e acusados de terem interrompido e confrontado o presidente do partido.

Toda esta situação é absolutamente contrária ao que se deseja e pretende de um partido democrático, plural e aberto. Bem pelo contrário, é a imagem de marca um partido extremista, xenófobo e totalitário, que quer silenciar e calar, que não aceita nem sabe lidar com o saudável e necessário debate de ideias.

Qual é o partido que André Ventura quer? O democrático ou o totalitário? Aquilo que nos levou a filiar-nos no partido, ou aquilo que o acusam de ser? 

Eu, autora deste texto, também fui suspensa e foi proposta a minha expulsão e a de vários outros militantes que, assim como eu, sentem-se injustiçados. Questiono e desafio publicamente o Dr. André Ventura a tomar posição e responder! Ele sabe que não provocámos desacatos, não insultámos ninguém, nem interrompemos nada. Fizemos um protesto silencioso e pacífico e dois desses militantes suspensos, sem que lhe tenha sido dado nenhum motivo para a decisão, limitaram-se a assistir ao evento.

Onde está a democracia interna? O pluralismo? Será que não podemos, democraticamente e com elevação, discordar de algo que consideramos errado? Será que não podemos discordar de uma decisão unilateral dos dirigentes locais quanto à escolha de uma candidata? Onde está a nossa liberdade? Será que existe no Chega uma espécie de polícia do pensamento?

Qual será a verdadeira razão de ser perseguida dentro do partido? Será porque sou cristã, brasileira, branca ou mulher? Já fui vítima de xenofobia por parte de dirigentes da Distrital de Braga e o Conselho de Jurisdição Nacional tem vindo a ignorar todas as queixas e provas que enviei para lá ao longo de cerca de um ano!

Porquê, eu e tantos outros, só por discordarmos aqui ou ali, temos de ser injustamente tratados por aqueles que desejam silenciar os que não são idiotas úteis fiéis aos políticos profissionais que têm vindo a introduzir-se no partido e não olham a meios para atingir os fins? 

O Chega não pode ser conduzido pelo extremismo e pelo totalitarismo, caminhando assim para uma ditadura interna que jamais pensei poder acontecer num partido de direita radical conservadora e popular, que diz respeitar a dignidade humana… A dignidade de quem? 

Sim, é preciso resgatar o Chega dessa gente que não reflete a origem e a essência do partido.

Sim, é preciso resgatar André Ventura daquilo em que o Chega se tem vindo a tornar!

Sim, é preciso que o Dr. André Ventura diga o que pensa sobre tudo isto!

Apesar de ser impedida de participar, espero que este III Congresso sirva para mudar o rumo que o partido tem tomado…


Cibelli Almeida
Militante n.º 501 e fundadora do Movimento Mobilizar com Valores

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Latest comments

  • Cara Civelli,

    Este presidente, é o mesmo que visitou Braga secretamente a 5 dias das eleições, dando apoio apenas a uma das listas que ia a eleições, num jantar secreto, em troca de uns míseros euros!….

    Não devia esperar mais nada deste triste partido constituído em grande maioria por gente de currículo duvidoso ou até criminoso.

    É compreensível que um partido político com as convicções de André Ventura, atraia muitas pessoas até aqui socialmente excluídas, ou até condenadas por conduta imprópria. Isto era de esperar…

    O que não era de esperar, é que o seu líder pudesse viver bem com isso, pela simples razão de que este ruído é util no crescimento do partido.

    Alguns de nós sabemos como se instalou este presidente na CPD de Braga. Sabemos que não existiu qualquer eleição, tratando se apenas de uma passagem de poder assente numa vingança do líder anterior.

    Sabemos que o André soube de tudo isto e compactuou com a estratégia estilo Coreia do norte.
    Por essa razão me desfiliei deste triste partido logo que me foi possível.

    Agora apenas podemos esperar a destruição do que podia ser algo de bom para Portugal e para todos nós.

    Está é uma verdadeira VERGONHA André, um líder sem caráter, sem descernimento, só pode culminar com angariação de bandidos.

    Agostinho vale

  • O Portas resumiu bem a coisa : É gritaria a mais !
    Quando um líder grita muito, e os pequenos actos não coincidem com o discurso, é hora de dar meia volta …

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