Hospitais sobrelotados de não-vacinados? Vacina protege da Ómicron?

Segunda-feira um amigo perguntou-me se eu achava credível a informação de que “90% dos internados em cuidados intensivos não estão vacinados”.

Como resposta enviei-lhe os dados de França e Reino Unido, por estatuto vacinal, disponíveis online em sites governamentais, que contrariam totalmente tal afirmação.

Estes dados públicos não impedem os médicos, jornalistas e políticos destes países de continuarem a mentir em permanência nas televisões e jornais, dizendo que 90% dos pacientes hospitalizados ou nos cuidados intensivos NÃO estão vacinados. A vantagem é que podemos imediatamente afirmar, sem qualquer margem para dúvida (no Twitter, …), que eles MENTEM.

Vejamos alguns exemplos de tais mentiras:

Exemplo de mentira flagrante de uma especialista em doenças infeciosas perante o Senado francês.

Evolução de discurso de Boris Johnson no Reino Unido.

Os dados hospitalares nacionais abaixo apresentados são em percentagem (%) do total de pacientes e não ratios (por exemplo, número de hospitalizações por 100.000 / pacientes não vacinados), porque é extremamente difícil saber o número total de não vacinados (existem zonas no Reino Unido com taxas de vacinação superiores a 100%, porque a população real era muito superior às estimativas iniciais).

FRANÇA – site governamental da DREES

Os dados apresentados são os do mês de dezembro (dados disponíveis até 19/12). Ao passar com o rato nos gráficos, obtém-se os mesmos dados para os meses precedentes.

HC – Hospitalizações Completas

– NÃO Vacinados: 46,7%

– Vacinados: 53,3%

SC – Cuidados Intensivos

– NÃO Vacinados: 56,7%

– Vacinados: 43,3%

DC – Óbitos Hospitalares

– NÃO Vacinados: 42,1%

– Vacinados: 57,9%

Reino Unido: dados da UK Health Security Agency

Os dados apresentados correspondem ao período de 22 de novembro a 19 de dezembro 2021 (relatório de 23 de dezembro 2021). Os relatórios precedentes podem sem consultados nesta ligação.

Hospitalizações

– NÃO Vacinados: 45,09%

– Vacinados: 53,58%

– Desconhecidos: 1,33%

Óbitos

– NÃO Vacinados: 23,16%

– Vacinados: 75,9%

– Desconhecidos: 0,94%

Entretanto o discurso oficial em Portugal evoluiu significativamente para: “O balanço resulta de conversas com colegas das unidades de cuidados intensivos: Numa instituição poderá ser 90%, noutra 70%, noutra 58% ou 60%. É uma realidade heterogénea”.

Infelizmente, em Portugal estes dados por estatuto vacinal não são acessíveis ao público (foram os próprios médicos a exigi-lo), portanto as mentiras são mais difíceis de contestar, no entanto, não há nenhuma razão objetiva para que os dados sejam diferentes dos outros países europeus com níveis idênticos de vacinação da população idosa.

Por uma questão de transparência e compreensão, quando serão publicados estes dados em Portugal?


Quem é mais suscetível de ser infetado com a variante Ómicron: os não vacinados ou vacinados?

Num artigo anterior, tinha indicado que o impacto da vacinação nas infeções (com a variante Delta) era residual. Aliás, os últimos dados no Reino Unido são ainda mais concludentes: a taxa de infeção é superior para os vacinados (em comparação com a dos não vacinados) em todas as categorias de idade a partir dos 18 anos (até 2,5 vezes mais).

Segundo o Statens Serum Institut, na Dinamarca (um dos países que mais sequencia os genomas dos vírus SARS-CoV-2 detetados, líder no estudo das variantes), de 21 de novembro a 4 de janeiro de 2022, apenas 9,1% das pessoas infetadas com a Ómicron eram não vacinadas, enquanto que essa percentagem era de 23,9% para as outras variantes (como a Delta).

Durante este período, a percentagem da população não vacinada desceu apenas 5%, de 22% para 17%.

Portanto, de acordo com estes dados, a vacinação tem a um impacto negativo na probabilidade de ser infetado com a variante Ómicron: 78%-83% dos dinamarqueses foram vacinados com pelo menos 1 dose, mas estes representam 91,9% das infeções Ómicron.

Em conclusão, são os vacinados que mais fazem circular a variante Ómicron (comparativamente com os não vacinados).

Boa sorte!


Carlos Antunes

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  • Parabéns pela recolha e partilha de informação.

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