Hidrogénio: aposta duvidosa para salvar apostas falhadas

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As energias intermitentes do sol e do vento, que têm entrada prioritária na rede, reduzem a utilização das centrais térmicas clássicas como as de carvão ou gás, encarecendo a energia que produzem ou tornando-as economicamente inviáveis, como aconteceu com as centrais a carvão em Portugal.

As centrais a gás, embora funcionando com uma fraca utilização, são as únicas capazes de responder à procura quando a produção de entrada prioritária é insuficiente. Apesar disso, por vezes é ainda necessário importar eletricidade de Espanha.

A entrada prioritária na rede das energias de origem eólica, solar e biomassa obedece a uma agenda ideológica que pretende escorraçar os combustíveis fósseis. Essa disposição legal serviu para viabilizar economicamente os projetos assentes nas tecnologias em causa – eólica, solar e das pequenas térmicas a biomassa.

Outro efeito perverso da entrada prioritária dessas energias na rede é que por vezes há produção que não se consegue escoar por não haver capacidade de armazenamento. O armazenamento clássico faz-se por bombagem de água, facilidade existente em certos e determinados aproveitamentos hidroelétricos. Mas esta bombagem nem sempre é possível por haver excesso de água nos níveis superiores ou falta de água nos níveis inferiores.

A solução óbvia para este problema seria acabar com o regime de entrada prioritária na rede das energias intermitentes ou reduzir a potência instalada. Se a energia não for necessária, as instalações deixam de produzir ou encerram-se algumas. Isto é o que acontece por exemplo com as centrais hidroelétricas que, mesmo havendo água a correr, não produzem energia se não for necessária. E porque não acontece o mesmo com o vento ou o sol? Porque talvez deixasse de valer a pena investir nelas. De facto, as eólicas têm uma vida útil muito curta estimada em 20 anos e os painéis fotovoltaicos duram um pouco mais com uma utilização muito menor ao depender do número de horas anuais de sol, inferior às horas de vento.

Mas a solução preconizada para salvar e continuar a aumentar as potências eólica e solar (mantendo a entrada prioritária da sua energia na rede) é aumentar a capacidade de armazenamento. E é assim que surgem os projetos de produção de hidrogénio a partir de energia elétrica renovável excedentária – hidrogénio para ser depois usado como combustível em veículos, ou servir para consumo doméstico, ou ainda para ser exportado.

Porém estes projetos baseiam-se em tecnologias pouco maduras, caras e de fraco rendimento, que levantam questões económicas e técnicas que deviam ser devidamente analisadas antes de se embarcar em aventuras.

A nível económico, a produção de hidrogénio como forma de armazenar a energia das fontes renováveis intermitentes tem como consequência o encarecimento dessa mesma energia porque exige mais investimento e implica perdas consideráveis.

A nível técnico, apesar de já haver algum know-how a nível internacional, há que melhorar o rendimento dos eletrolisadores (muito dependente da pureza da água utilizada) e, sobretudo, estabelecer a tecnologia de transporte e armazenamento de modo a que sejam eficazes e seguros. O hidrogénio escapa-se com facilidade por ser o mais leve de todos os gases, conseguindo difundir-se através de todos os materiais. O hidrogénio é muito menos denso em energia que outros combustíveis, a não ser que seja altamente comprimido ou liquefeito, o que exige temperaturas bem baixas e o que implica mais consumo de energia, reduzindo ainda mais o rendimento e a economia do processo.

Apesar destes problemas e de muitos outros que existem, insiste-se em avançar com o hidrogénio, havendo já algumas empresas na mira de beneficiar dos fundos que serão postos à sua disposição.

Ao avançar para a produção de hidrogénio, Portugal está a servir de cobaia num esquema que visa testar a viabilidade de uma economia baseada neste gás diatómico mas de futuro muito duvidoso porque o seu uso coloca sérios problemas técnicos e económicos que não deviam ser ignorados nem subestimados pelos governantes.

A justificação para a aposta duvidosa no hidrogénio é a mesma que se dá para as apostas exageradas na eólica e solar: deixar de usar combustíveis fósseis por causa das emissões de CO2 que causam o aquecimento global e todo o tipo de catástrofes que acarreta, usar energias verdes, fazer a transição energética, salvar o planeta da força destrutiva do homem, etc., etc., uma narrativa que se colou à pele dos políticos e de todos os que vivem à custa dela mas que, de tão simplória, conquista as multidões dos salvadores do planeta, lideradas por uma tal Greta Thunberg a quem será brevemente atribuído o título de Dr.ª Honoris Causa em Teologia pela Universidade de Helsínquia!…


Henrique Sousa

*Este artigo não foi obviamente escrito com base no ChatGPT

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Sub-diretor do Inconveniente

Latest comments

  • Daqui a dias a dita Greta vai ser doutorada em teologia.
    E daqui a mais algum tempo, com fundamento parecido(?), irá ser santificada pelo hipócrita do Vaticano.

    Dos ‘Finis’ nem vale a pela falar …

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