Hidro-génios

Pretende o governo liderado por António Costa apoiar projetos de produção de hidrogénio a partir de energia elétrica renovável – para ser depois usado como combustível em veículos dotados de pilhas de combustível ou ser adicionado aos gasodutos para consumo nacional ou mesmo para ser exportado para a Europa.

Este propósito é, na minha opinião, um dos mais lunáticos para este pobre país. Em primeiro lugar, porque toda a tecnologia teria de ser importada e a incorporação nacional resumir-se-ia a sub-contratos para produção dos componentes para os quais a indústria nacional tenha capacidade. Em segundo lugar, mesmo a tecnologia importada não está ainda estabelecida, dos eletrolizadores aos compressores, sistemas de liquefação, de transporte e de armazenamento.

Portanto, Portugal, como país pobre que é, estaria a financiar um projeto-piloto visando o estabelecimento de uma economia baseada no hidrogénio que não se sabe se vai ou não ser viável, porque o uso de hidrogénio coloca problemas económicos e técnicos de que podem os governantes não estar bem cientes.

A nível económico, a produção de hidrogénio, como forma de armazenar a energia das fontes renováveis intermitentes, tem como consequência o encarecimento dessa energia por exigir mais investimento e implicar perdas consideráveis. É fazer as contas!

A nível técnico, apesar de já haver algum know-how estrangeiro, há que melhorar o rendimento dos eletrolizadores (muito dependente da pureza da água utilizada) e sobretudo estabelecer a tecnologia de transporte e armazenamento de modo a que sejam eficazes e seguros. O hidrogénio escapa-se com facilidade por ser o gás mais leve de todos, conseguindo difundir-se através de todos os materiais. O hidrogénio é muito menos denso em energia que outros combustíveis, a não ser que seja altamente comprimido ou liquefeito, o que exige temperaturas bem baixas e que consequentemente consomem energia, diminuindo ainda mais o rendimento do processo.

Apesar destes problemas e de outros que possam existir, o governo insiste em avançar com o hidrogénio, havendo já muitas empresas em campo para beneficiar dos fundos que vão ser postos à sua disposição. E, com o novo ministro das Infraestruturas, a implementação dos projetos pode acontecer muito rapidamente.

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Sub-diretor do Inconveniente

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