Heróis, protocolos e vilões

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Apesar da esmagadora maioria do cabelo branco (a idade não perdoa…), pessoal e felizmente, apenas recorri à urgência de um hospital duas vezes (a primeira e a última): numa singela deslocação, há mais de uma década, com mais de 39º de febre, resultado de uma monumental gripe.

Isto nos saudosos tempos em que as urgências hospitalares ficavam a abarrotar com pequenos surtos de gripe, tradicionais no Inverno, sem necessidade de erigir, para toda a posteridade, um monumento à infâmia, à estupidez, à acefalia, à vaidade e à mais abjecta prostituição da medicina.

Pude, nessa (inútil) deslocação à urgência, apreciar devidamente o Protocolo da Triagem de Manchester “à Tuga” (mais uma do governo Sócrates, pois claro), uma das muitas modinhas da medicina (mal) importadas e com custos de implementação/operação exorbitantes (os contribuintes pagam, e alguém “empocha” as tradicionais e chorudas “comissões”), como se não tivéssemos (na altura…) bons profissionais de saúde – ou como se os vergonhosos cuidados de saúde praticados no N.H.S. de “Sua Majestade” servissem, alguma vez, de referência até em muitos países do terceiro mundo.

Mas o nivelamento por baixo, nos mais diversos aspectos da sociedade, encaixa na perfeição nas políticas e interesses futuros dos denominados globalistas e seus colaboracionistas.

Chegado à urgência, fiz a inscrição e aguardei mais de meia hora pela dita triagem, feita num gabinete por um enfermeiro, que olhou para mim como boi para palácio, perguntou de que me queixava, mediu a temperatura, a pulsação e a pressão arterial (sabe-se lá para quê…) e, ao fim de 15 minutos de consulta, espetou-me com uma pulseira verde – cor seleccionada a partir dos insondáveis “critérios médicos do N.H.S.”.

E lá voltei para a sala das urgências, a abarrotar, para contaminar com gripe os desgraçados que ainda esperavam com entorses, feridas abertas, infecções diversas, crises de diabetes, indisposições e outras maleitas vulgares numa urgência. Ao fim de duas horas disto, à espera de ser visto por um médico de clínica geral, desisti e fui para casa, cheio de dores no corpo, auto-medicar-me com as receitas da minha avó (eficazes, muito mais baratas e que não precisam de qualquer prescrição médica).

Fiquei rapidamente curado da gripe e definitivamente curado de me dirigir a locais pouco recomendáveis como o S.N.S. – que continuo a pagar, com impostos, como se lá vivesse em permanência.

Sucede que, ao fim destes anos todos, com um “CEO”, um Ministro e dois Secretários de Estado, milhares de “gestores”, “directores” e “directores-gerais”, “especialistas”, e até médicos – que algumas décadas atrás ainda utilizavam a inteligência resultante de uma massa cinzenta exercitada, agora cada vez mais substituída por uma espécie de inteligência artificial – ainda ninguém viu o óbvio:

Se a triagem fosse feita (como originalmente) pelo médico de clínica geral, no tempo que demora a inútil consulta do enfermeiro, mais de metade das pessoas podiam ser imediatamente despachadas para casa com uma receita – e os casos mais graves, de especialidade, directamente encaminhados para o serviço competente – sem necessidade dos doentes regressarem à urgência, entupindo o serviço, com risco de contaminação, à espera (horas) de serem vistos novamente, agora pelo médico de clínica geral. E o enfermeiro até podia ir fazer um serviço mais útil e igualmente importante, como fazer curativos ou administrar injecções.

Isto, a custo zero para o S.N.S., e uma gigantesca melhoria na qualidade do serviço prestado aos utentes.

Mas, se calhar, deixava de se justificar a contratação de médicos externos, pagos a peso de ouro, para acudir às longas esperas numa urgência e outros obscuros interesses das ordens, sindicatos e afins… Como os vendedores das fitinhas parvas e demais equipamentos protocolares.

Também os médicos e demais autoridades de saúde sabem (ou sabiam… assim como qualquer pessoa com o mínimo de conhecimentos e dois dedos de testa), desde os anos 60 do século passado, como resultado da enorme evolução da Ciência na época, que uma pneumonia – seja vírica, fúngica, ou bacteriana – resulta duma inflamação dos alvéolos pulmonares e tecidos adjacentes (alergia) e que a pior coisa que se pode fazer é aumentar drasticamente esta inflamação com a introdução de mais um corpo estranho, como entubar o doente.

Ora, em nome da putativa pandemia, pneumologistas como Filipe Froes e C.ª, decidiram inventar ou seguir um novo protocolo (do N.H.S., do A. Fauci ou, quiçá, dos serviços de saúde Chineses…), baseado na nova “velocidade da ciência”, e desataram a entubar (até com material veterinário) quem tivesse o infortúnio de entrar numa urgência hospitalar com uma vulgar pneumonia ou infecção respiratória e um inútil teste PCR positivo – provocando com isso milhares de mortes em sofrimento atroz e muitos milhares de lesões pulmonares graves e irreversíveis, em quem teve a sorte de sobreviver aos carniceiros de focinheira travestidos de especialistas.

Nada que incomode o diligente Ministério Público, a Provedora de Justiça, a Procuradora-Geral da República ou até o Presidente da República que, às sucessivas denúncias criminais nesta matéria, se limitam a arquivar rapidamente com uma desculpa esfarrapada – ou com um esclarecedor silêncio cúmplice.

Não podem (e não vão) os responsáveis cair no esquecimento que o tempo sempre proporciona.


Luís Vila

*O autor escreve segundo a anterior norma ortográfica.

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  • Meu caro amigo de longa data, não sei se em tudo, tens razão ou se não tens. Não terás, segundo as opiniões dominantes. Mas terás, segundo outras, talvez minoritárias, mas não forçosamente menos esclarecidas. Disse eu, em tudo, porque nalgumas coisas com certeza terás. Mas o que mais me agradou foi ler um texto bem estruturado, bem escrito, inteligente e arguto – e saber que esse texto é de um amigo de longa data. Se quiseres publicá-lo na minha página de facebook terei muito gosto nisso. Eu não o posso fazer (no meu telemóvel não tenho ligação, por falta de memória, ao facebook).

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